domingo, 28 de setembro de 2014

Joaquim, eu queria tanto conseguir anotar as coisas que você faz, registrar suas conquistas, mas sinceramente não consigo. Tenho tirado muitas fotos, feito alguns videos.

De qualquer forma, de vez em  quando consigo parar pra escrever um pouco e contar algumas histórias. A de hoje é que você, com um ano e meio, quando chora, pede papel pra limpar o nariz!!! Você lá chorando e de repente fala "papéééééél". Eu dou um lenço de papel e você fica limpando o nariz. Pode uma coisa dessa?!?!

Você também está cada vez mais habilidoso com as bolas. A mais nova é uma de futebol, pequena, dourada, que você ganhou da Raquel. Ama de paixão essa bola, que eu acho que é na proporção ideal pra você. Você pega distância pra chutar, corre tocando bola. Meu moleque!

E por falar em proporção, uma das melhores ideias que seu pai teve na vida foi te dar o cavaquinho! Você ficava doido porque não conseguia pegar direito o violão, aí veio o cavaquinho, no tamanho do seu colo. Já faz uns meses (dois, três?). É puro charme quando você senta no colchão, no degrau ou numa caixa de papelão, pega o cavaquinho e começa a tocar e cantar. Por enquanto é canhoto, o que deixa ainda mais charmoso!

Por hoje é só. Vou dormir, senão não dou conta de te acompanhar.

Te amo, filho. Obrigada por ter me escolhido pra ser sua mãe. É uma grande honra cuidar de você!

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

O primeiro desenho

Ontem o Joaquim - que hoje completa um ano e meio - pegou uma caneta e saiu falando "desenhá, desenhá". Empolgada, corri buscar a caixinha de giz de cera, arrumei um sulfite e improvisei uma mesinha. Ele se interessou, mas logo vi que o giz era pequeno pra ele (aprendi com a minha mãe, que é arte-educadora, que quanto menores as mãos, maiores devem ser as ferramentas. Giz grande, papel grande). Mesmo assim deixei rolar e estava tão bonitinho que comecei a tirar fotos.






Percebi que ele estava super compenetrado e quando observei melhor vi que a brincadeira tinha virado outra: colocar o giz em pé! Depois de tentar bastante, sair andando com a folha de papel, voltar e continuar tentando, olha só o resultado:


Eu que sou besta, ou é a coisa mais fofa do mundo?! =D

Mas o episódio me fez providenciar um material mais adequado e à tarde fui na papelaria. Achei um giz interessante, grande, do jeito que eu queria e com uma novidade: cada giz tem uma embalagem de plástico, com um sistema retrátil, ou seja, não quebra. É bem caro, comparado a um giz comum, mas resolvi investir e foi o presente de "meio aniversário" que dei pro Joaquim! Ah, outro diferencial: o giz é mais macio, então o traço fica forte sem precisar apertar. Não sei o que os Waldorf e cia vão achar disso, mas eu achei bárbaro, rs...

Comprei também cartolina, que achei uma boa opção pelo tamanho e por ser mais resistente que o sulfite, pois até parece que o papel vai ficar quietinho em cima da mesa, né?

Foi um sucesso e compartilho orgulhosa o primeiro desenho do filhote. Mães e pais, me digam, eu que sou besta ou é muita emoção ver o primeiro desenho do filho?! =D


Na caixa de giz vem 6 cores, as primárias e as secundárias. Eu resolvi dar só as primárias pra começar. Sei lá, coisa da minha cabeça. Depois conversei com a minha mãe e ela falou que cor nessa fase não importa muito, mas ele amou o amarelo, hehe. Ah sim, depois que terminou de desenhar essa parte maior ele olhou o desenho, olhou pra mim e com uma exclamação falou "bólão!".

À noite a diversão continuou e foi a vez do azul. Encanou no azul. Aí ficou pra lá e pra cá com o giz e abrimos a temporada de riscos pela casa (se o giz é macio pro papel, imagina pra roupa, pra parede, etc).

Quando fui colocar ele pra dormir, vi que tinha um risco azul no lençol. Apontei e perguntei "o que é isso Joaquim?". Ele, sem titubear, respondeu: "desenho!".

AMOR.AMOR.AMOR.AMOOOOOOOOR
FELIZ MEIO ANIVERSÁRIOOOOOOOO!!!

sábado, 13 de setembro de 2014

Amamentação em livre demanda: até quando?

Eu sempre achei amamentação em livre demanda a coisa mais óbvia do mundo. Se o nenê chorou, a primeira coisa a fazer é dar o peito. Se o nenê não chorou, não tem por que querer que ele mame (ok, em alguns casos precisa intervir, mas são situações especiais, que devem ser avaliadas em conjunto com a equipe que cuida da saúde do bebê).

Pra mim, fluiu muito bem. É certo que no começo o Joaquim ficava muuuuuuuuuuuito tempo grudado e isso me cansava demais. Mas passou, sobrevivemos e o stress não foi maior do que minha determinação de amamentá-lo de forma exclusiva, sem bicos, sem chupeta.

Aí começa a introdução alimentar, que interfere um pouco na coisa da livre demanda, mas eu continuei dando preferência à amamentação. Até que a pediatra começou a achar que o Joaquim estava ganhando pouco peso. Nisso ele tinha por volta de um ano. Ela receitou umas vitaminas, deu umas dicas, falou pra evitar mamadas antes das refeições, mas na prática não consegui mudar minha rotina.

Só que na próxima consulta, ele com 1 ano e 4 meses, continuava com o mesmo peso. Ela falou que não era grave, pois ele estava crescendo bem em tamanho e isso é o mais importante, mas disse que seria bom dar uma atenção ao aspecto do peso também. Conversamos melhor, eu  falei da minha dificuldade em dar comida pra ele (tanto pra mim quanto pra ele é muito mais prático que ele mame!), da minha dificuldade em identificar a fome dele antes que ele fique resmungando, porque aí só mamando pra resolver, falei que sozinha eu não conseguiria que ele comesse mais, justamente porque quando ele está só comigo ele acha que "não precisa" comer, já que "pode" mamar.

Eu consegui me abrir e me expor de uma forma que eu não imaginava que conseguiria. Ela simplesmente me respondeu que eu precisava resolver em que que eu acreditava, porque a partir do momento que eu acreditasse, eu conseguiria. A conversa foi boa, não saí de lá com nenhuma receita, com nenhuma determinação, mas com várias interrogações e exclamações, ou seja, do jeito que eu gosto!

Foi preciso digerir por alguns dias, até que a ficha me caiu: uma coisa é respeitar os instintos de um bebê que acabou de chegar ao mundo, que estava habituado com um ambiente completamente diferente, que precisa do máximo de amparo, aconchego, conforto; outra coisa é deixar com que uma criança de um ano delibere sobre a própria vida, sobre a rotina da casa, sobre a rotina da sua mãe.

Resolvi então substituir a "livre demanda" por "quem é que manda". Não gosto da coisa de "impor limites", mas concordo que as crianças precisam de contorno, senão elas ficam perdidas, desamparadas, boiando em um mar de emoções desconhecidas e assustadoras.

E quando que um bebê passa a ser criança? Só você, mãe, pode responder e essa resposta só vai valer para o seu filho. Se precisar de uma definição mais genérica, desconfio que tenha a ver com o desenvolvimento do caminhar e da fala.

Pois bem, expliquei pro Joaquim que nosso esquema ia mudar (eu sempre explico as coisas pra ele). Disse que ele precisava comer mais e que pra isso ele iria mamar menos e em horários que eu determinasse. Deixei claro que não estávamos desmamando, mas apenas organizando. Logo de cara já combinei que seria uma vez de manhã, uma vez à tarde, uma vez à noite e uma de madrugada (ui!).

Paralelamente implementamos coisas que já tínhamos identificado que faziam diferença na rotina com a comida, como dar comida pra ele separado da gente (a mesa cheia de coisas vira um mundo de atrativos e pretextos pra não querer colocar a colher na boca). Sem falar na coisa de horários e rotinas, que é um desafio constante na minha vida.

A presença e ajuda do pai foi fundamental. Minha mãe também ajudou e ajuda bastante. E minha cabeça caraminholando foi caminhando nos insights. Lembrei que a Laura Gutman fala que o bebê é um fiel companheiro e que ele nunca vai deixar sua mãe em apuros. O bebê que não dorme e/ou que solicita demais o peito é porque provavelmente sente sua mãe só, desamparada, e faz questão de ficar com ela, como que dizendo "você não está sozinha, eu estou aqui!".

Laura, minha guru na maternagem, também fala que não é necessário resolver a questão, mas simplesmente olhar pra ela e isso vai liberar o bebê.

Então tratei de explicar mais isso pro Joaquim: que se eu me sinto sozinha, não é responsabilidade dele me fazer companhia; que quando eu fico triste ele não precisa se preocupar, porque eu sei me cuidar, porque eu tenho quem cuide de mim e porque sou eu que cuido dele e não o contrário.

Mesmo com essa clareza toda, de olhar para questões mais profundas, de confiar na capacidade dele de entender, ainda me espantei com a rapidez que a mudança aconteceu!

Durante o dia foi tranquilo, no primeiro dia já conseguimos e já vi o reflexo no volume de comida. Na madrugada não foi tão simples, custou muito choro, muito cansaço, muita conversa (nem sempre amena, é verdade, mas também acho que uma fala mais enérgica bem colocada é fundamental).

Por outro lado, qualquer alteração na rotina, como uma viagem, por exemplo, abala tudo. Aí é preciso fazer concessões, ceder, retomar. Quando eu estou sozinha com ele o dia todo e fico muito cansada, também abro minhas exceções, de forma clara e consciente.

Ainda assim, temos feito grandes progressos.


sábado, 9 de agosto de 2014

Mudar de ideia

Já li em vários "manuais" de como educar bem uma criança que uma das coisas mais importantes é a firmeza da palavra dos pais, dos adultos em geral. O "não" tem que significar "não" e o "sim" tem que significar "sim". Quem estabelece uma regra, mas não se manifesta no caso de descumprimento, perde a força da palavra e vai perdendo a confiança da criança. Cumprir o combinado ajuda a "situar" a criança. Não gosto da história de colocar "limite", mas entendo que as crianças precisam de "contornos". Acordos claros dão contorno.

Mas também é importante ensinar para as crianças que é possível mudar de ideia. É importante ensinar para as crianças que cometemos enganos e que a melhor coisa a fazer é corrigir um engano assim que o detectamos - por isso a importância de se permitir mudar de ideia. É importante ensinar às crianças que devemos estar abertos a novos pontos de vista - e em face de um novo ponto de vista, talvez queiramos mudar de ideia. É importante ensinar às crianças que imprevistos acontecem - e que diante de um imprevisto talvez aquele plano inicial não funcione e seja preciso mudar de ideia.

Antroposóficos e montessorianos dizem que no caso de crianças pequenas, quanto mais estável for a vida, melhor. A mudança de ideia seria um tempero e, alem disso, deveria ser usada com consciência, deixando claro por que foi preciso alterar o rumo inicial.

Mas não misturemos a mudança de ideia com falta de planejamento. Quando assumimos a posição de ser a referência de uma criança, seja como pais, professores, cuidadores, devemos nos esforçar ao máximo para manter a lucidez, para fazer a rotina funcionar, para prever o imprevisto. E se, com todo esse esforço, ainda for preciso mudar de ideia - e será - a criança saberá que comprometimento e dedicação não são garantia para que as coisas saiam como o planejado, mas que com flexibilidade e criatividade tudo se ajeita e boas surpresas acontecem.

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Mãe de si mesma

Dizem os psicólogos que todos nós carregamos a criança que fomos. É a tal da criança interior. É um dos aspectos da nossa mente e do nosso emocional (ah, aviso que não sou profissional de área, então já peço desculpa por alguma confusão nos termos. Falo, portanto, de leiga para leigos, mas aceito ajudas e correções dos estudiosos e estudados).

Como criança que é, a criança interior é um poço sem fundo de necessidades, quereres e solicitações. Geralmente é um tanto birrenta e escandalosa, mas tem também a alegria e o encantamento inerentes a esses pequenos seres. É criativa e ativa. Tem muita energia e se entrega completamente aos seus afazeres. Não desiste fácil. Não entende direito responsabilidades, horários e compromissos. Quer fazer o que quer. Mas vive em um corpo de adulto, com agenda de adulto.

Esse adulto, por sua vez, não entende certos rompantes e não gosta quando ouve "para com isso, você tá agindo como criança!". E está mesmo. É a criança interior esperneando porque queria fazer uma coisa e a forçaram a fazer outra.

Essa criança nunca cresce? Me disseram que não... e é melhor que seja assim, porque é ela que nos abastece de criatividade e alegria; é através dos olhos dela que nos encantamos com uma flor; é ela que nos faz parar por uma fração de segundo pra olhar o céu. E são essas pequenas coisas que deixam a gente mais leve, que enchem nossos pulmões com um suspiro profundo, que chega até o coração e dá ânimo pra seguir em frente.

Vale então olhar pra essa criança de vez em quando. Como ela está? Do que ela precisa?

Quando estamos cuidando de uma criança - a de fato, em corpo de criança - fica mais fácil olhar pra nossa criança interior, fica mais fácil entender suas necessidades e seus mecanismos. Às vezes o cuidar de uma criança nutre a criança interior e tenho visto que é possível ser mãe - ou pai - de si mesma/o, mãe da minha criança interior. Mais do que possível, é necessário.

É, na verdade, o eterno e constante trabalho de auto observação, auto estudo, mas com uma ajudinha de imagens e arquétipos. Negociar com a criança interior pode ser mais fácil do que tentar entender e transformar sentimentos abstratos. Basta imaginar aquela criança e conversar com ela. Ela vai te responder, pode ter certeza. Mas lembre-se: criança não esquece! Promessa é dívida. Por outro lado, criança se contenta com tão pouco... geralmente o principal ingrediente é a atenção, e o que vem depois é só alegoria. Você não precisa prometer um tablet. O que a criança quer é que você brinque com ela, nem que seja de jogo da velha. Isso vale pras crianças interiores e exteriores...

Passeie de mãos dadas com sua criança. Vá aonde ela pedir. Fique o tempo que ela quiser. Providencie um bom lanche. E na volta, você verá que não terão problemas para encarar o banho, a lição de casa, o jantar e a hora de ir pra cama. No final, esteja preparado para os mais lindos e inspiradores sonhos.

Trazendo esse exemplo pra nossa relação com a criança interior, a parte do passeio pode durar poucos minutos (e não precisa ser um passeio de fato... pode ser um instante de rabiscar livremente com lápis de cor, ou brincar com um cachorro. Só a sua criança pode te dizer o que será), enquanto que a "lição de casa" dura o dia todo. A escala é outra, mas a inspiração do sonho não tem medida e pode se revelar em um breve lampejo - o famoso insight - ou naquele pique que faz trabalhar e produzir o dia todo e ainda praticar um esporte ou hobby antes de dar o expediente por encerrado.

Onde está sua criança? Do que ela precisa? Onde ela quer passear?

sábado, 21 de junho de 2014

Filho, você tá andando!!! A coisa mais linda, mais encantadora. Os primeiros passos foram no gramado da casa da vovó Cris, no dia do aniversário do tio Ju, indo atrás do "bolão" que o papai te deu. Mamãe queria escrever lindas coisas pra registrar esse momento, mas não tem conseguido... mas a vovó Cris conseguiu! Veja que lindeza:


Aí está o Joaquim dando seus primeiros passos, soltinho! Quanta emoção!
Na alegria dele, é como se eu visse a alegria que cada um dos quantos ancestrais da espécie sentiu por concretizar em si, por sua vez, mais essa engenhosa e instigante aventura. Certamente com a mesma sede de avançar, de poder, de superar, de progredir, de transpor, de galgar, de se levantar, de ir em frente, de se divertir, de subir, de se elevar... De buscar o horizonte, se ampliar.

Talvez não haja maior alento para nossa alma humana do que ver as coisas acontecerem normalmente, de acordo com "o combinado".

Vai, Joaquim,
pular no colchão
andar de costas, conhecer o chão
pular numa perna só, fechar os olhos ao andar.
Vai correr
até chegar
fazer a trilha, avistar
Vai achar o caminho das pedras na água da cachoeira
Sentir o frio na barriga
na corda-bamba, pra variar 
pular na cama elástica, fazer piruetas, bambolear
Vai ver que o mundo é uma bola
Sua bola mais querida!
Que não pára de girar
No meio de muitas outras
Sem ter ninguém a chutar 
Vai subir "nos pés de quê"
pegar frutas, se equilibrar
Vai dançar livre, dançar
ao som do frevo, do vento,
reggae, chuva, maracatu,
samba, valsa, minueto
catira, polca, lundu...

À noite dançar o silêncio
com as estrêlas
nossas irmãs
Respirando a escuridão
assuntar o universo
entrevistar a imensidão!

Vamos estar todos juntos
Sua mãe, seu pai, seus avós
Seus tios, primos, amigos
Seja a que distância for

Papai é quem acende o fogo
mamãe é quem faz o chá
você busca o violão
Fogo e água em seus lugares
Isto é a perfeição


Faço a cama na varanda, traz pra nós o cobertor...

quarta-feira, 19 de março de 2014

Ô filhote, faz tempo que a mamãe não escreve pra você... nossos dias tem sido muito intensos! A vida real não deixa espaço pro virtual e é assim que eu gosto. Por outro lado tem uma urgência em registrar tudo. E haja foto, e haja filme, e haja foto, e haja filme. Aí tem que ter umas palavrinhas da mamãe também :)

Você fez um ano! Foi bonita a festa, pá. Me atrapalhei toda, é verdade. Foi tudo assim atropelado. A gente não queria festa e de repente tinha 15 pessoas na nossa sala. E a doida da sua mãe achando que ia dar conta de fazer jantar e bolo pra todo mundo, tsc, tsc... e isso porque você ajuda, né amor? Você fica tão lindinho na cozinha, pra lá e pra cá, de armário em armário! Tem o "vruuuuuum", seu brinquedo favorito - um liquidificador! Tem a cuia que faz tempo que é sua amiga. E as peneiras embaixo da pia, encantadoras com suas formas esféricas que você tanto ama.

Em dado momento você cansa. Resmunga, ajoelha e ergue os bracinnhos, a coisa mais fofaaaaaa! Aí a gente vai pro seu quarto, você mama e dorme. Quase todo dia é assim. Nossos dias são tão gostosos, né filho?

A melhor coisa do mundo é poder cuidar de você. É poder estar disponível pra você. Eu queria tanto que toda mãe e todo nenê tivessem isso...

Nossa vida é muito boa, Joaquim.