O título desse texto foi descaradamente copiado de uma matéria que li na revista Cláudia (não anotei a edição, falha nossa). Gostei muito da matéria, com um tanto de surpresa, admito, pois geralmente esse tipo de veículo mais me decepciona do que agrada, principalmente no que tange a assuntos metafísicos como a educação de crianças.
Pois bem, a matéria elenca seis pontos importantes para ter em conta quando temos a enorme responsabilidade de educar, seja como pais, como avós, tios, professores, ou até mesmo pra quem convive esporadicamente com crianças, pois é nos pequenos gestos que demonstramos nossos valores.
Vou citar os pontos levantados, com alguns comentários meus:
1. Ser responsável: a matéria cita o clássico "guardar os brinquedos". Se a criança tem capacidade para pegar um brinquedo da estante, tem capacidade para guardá-lo. Parece bobo, mas é de pequeno que se aprende a tirar o prato da mesa, a arrumar a própria cama, a cuidar das roupas, a gostar de cozinhar e por aí vai, tudo em seu tempo, sem exigir da criança tarefas para as quais ela não está preparada. E atenção à questão de gênero!!! Não é porque é menina que TEMQUE aprender a cozinhar e não é porque é menino que não será tão cobrado nas responsabilidades domésticas. Lembrando que o exemplo dos adultos é fundamental. Não adianta cobrar responsabilidade dos pequenos se não cumprimos combinados. Pense antes de falar e, depois que falou, cumpra.
2. Pensar e agir sem ajuda externa: nessa eu vibrei! Deixemos as crianças errarem, fazerem diferente, demorar um tempão, vestir do avesso. Assim estamos deixando com que aprendam a aprender. O papel do adulto é fazer as perguntas certas e não dar as respostas (isso me lembra da relação mestre-discípulo: quem pergunta é sempre o mestre).
3. Colocar-se no lugar do outro: a matéria fala do mundo individualista em que vivemos e de como os jovens são autocentrados. Aqui vejo mais uma vez a importância do exemplo. À medida em que os pais procuram conhecer os vizinhos, os pais dos colegas da escola, as redes vão se formando e fortalecendo, permitindo com que possamos conhecer melhor a história da pessoa e os motivos pelos quais ela age de determinada maneira. Conhecer ao invés de reclamar. Eita lição de casa!
4. Fazer por merecer: primeiro a matéria alerta para não criarmos crianças mimadas que não se esforçam para ter o que desejam e depois pontua que reconhecer o esforço é uma coisa e premiar grandes resultados é outra. Esse é um detalhe muito importante, que me foi mostrado pelo livro A Ciência dos Bebês (John Medina) e que recomendo fortemente. Basicamente, não interessa a nota que a criança tirou na prova, mas o quanto ela estudou para alcançar aquela nota e é esse esforço que deve ser elogiado e recompensado. Se estudou muito e tirou nota baixa, precisa investigar o sistema de avaliação; se estudou pouco e tirou nota alta também ;)
5. Sentir e mostrar gratidão: ah como me comove quando crianças pequenas dizem um "obrigado!" sincero. Na matéria é ressaltado que as crianças não tem vivido a expectativa do desejo, são atendidas prontamente, e isso deixa a gratidão no esquecimento. Acho que cabe aos pais também chamar a atenção pra tudo de bom que existe na vida da família, que aquilo não vem "do nada", como é bom poder ter ou fazer tal coisa.
6. Saber lidar com as próprias emoções: a matéria chama para a importância dos pais prepararem seus filhos para lidar com medos, expectativas, frustrações. Aqui complica, porque a maioria de nós, adultos, não lidamos bem com nossas emoções, então, como ensinar o que não sabemos?! O livro citado acima também alerta para a importância dos pais saberem lidar com as próprias emoções, talvez como o ponto mais importante na formação de um ser humano. O ideal seria todo mundo fazer terapia, mas pra quem não quer ou não pode, a dica é estar atento às emoções (próprias e das crianças) e pontuar os estados emocionais, se possível dizendo mesmo em voz alta: estou com raiva, estou frustrado, você está assim porque está sentindo ciúme. Uma vez identificada a emoção fica mais fácil entendê-la (empatia) e transmutá-la. E como as crianças pequenas não conhecem as emoções ficam ainda mais assustadas, por não entenderem por que estão daquele jeito. Quando nomeamos o sentimento, as coisas se encaixam e a criança descansa.
Seria possível resumir tudo em: é preciso estar atento e forte. Atenção aos mínimos detalhes. Olhar de verdade, ouvir com atenção, deixar o celular de lado, desligar a TV. Comprar menos, fazer mais. Perguntar como foi, como está, como vai ser. Conferir se foi mesmo. Entender por que não saiu como previsto. Estar disposto a esperar uma resposta, uma atitude, mas assumindo o papel de responsável. Saber sair de cena. Saber entrar em cena. Estar preparado para um improviso diante da plateia. E olhar no espelho, muito, sempre. Precisa força, precisa energia, precisa descanso. Precisamos nos cuidar para poder cuidar deles. É preciso estar atento e forte.
O Filho do Aralume é um espaço pequeno e acolhedor para falar, pensar e sentir a maternidade. Mas não pense que o papo é morno, ou cor de rosa, ou água com açúcar. É pra quem não compra pacote pronto, é pra quem leva a vida a sério!
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Comida industrializada para criança
Eu sou adepta do "faça em casa", sou adepta de alimentos com baixo teor de publicidade (Infância Livre de Consumismo!), mas também sou adepta da sanidade mental das mães e sei que tem hora em que tudo o que a gente quer/precisa é abrir um potinho e dar uma colherada pra criança. Principalmente viajando, se hospedando ou visitando casas de pessoas que não tem hábitos parecidos com os nossos. Ou naquele dia em que estamos absurdamente cansadas, não deu tempo de fazer compra, essas coisas. Você, mãe, sei que me entende.
Pois bem, mas nada disso é pretexto pra eu dar pro meu filho porcarias quaisquer. Ele ainda não tem 2 anos, então por enquanto é açúcar zero. Também não admito glutamato monossódico e outros pozinhos com nomes compostos e origens duvidosas (não me pergunte por que... estou sem tempo pra pesquisar decentemente e dar uma resposta com embasamento científico, rs...). Isso já restringe muito as possibilidades industrializadas, e é justamente por isso que resolvi compartilhar meus achados.
Não tenho nenhum vínculo com as empresas que citarei e não recebo pela propaganda (embora eu ache que deveria, rs...). Mas vamos ao que interessa:
Queensberry
Dei pulos de alegria quando descobri as geleias sem açúcar e os smoothies, também sem açúcar, da Queensberry. Sem falar nas garrafinhas de vidro que são as coisas mais fofas e que coleciono pra guardar temperos =D
Do Bem
Os sucos com embalagens bem humoradas já me ganharam pelo rótulo. Quando li a lista de ingredientes, quase chorei de emoção e enviei boas ondas de gratidão aos "jovens cansados da mesmice" que os produzem! Coisas como 'Laranja, laranja e mais nada' e 'Água, suco de abacaxi e hortelã. É possível!' você encontra na descrição dos produtos. Segue o site, muito bem feito, é lógico ;) Do Bem
Pesquisando a imagem pro post achei uma avaliação interessante do site Fechando o Zíper.
Mãe Terra
Bom, aqui tem muita, muita coisa pra mãe moderna e natureba cuidar de seus filhotes. Queria destacar alguns itens:
- Sopinha Madá: não é a oitava maravilha do mundo, mas é uma mão na roda pra uma papinha salgada express. O Fechando o Zíper alerta pra quantidade absurda de sódio :( e outros detalhes. Pra mim fica com o status de "use em caso de emergência". E quando preciso, uso mesmo, sem peso na consciência. Fazemos sempre o melhor que podemos, não é verdade?
- Salgadinhos Sabuguinho, Pitzo e Ceboloko: com ingredientes orgânicos e "sem pozinhos artificiais", segundo o fabricante. O Fechando o Zíper (eita povo cri cri, rs...) alerta pra alta quantidade de gordura e sódio. Eles também questionam a coisa dos pozinhos artificiais, mas pra mim tá ok. Um ótimo companheiro nas viagens, naquela hora em que a cadeirinha parece ter espinho e o destino final não chega nunca!
- Flocos de milho: a única marca que encontrei sem açúcar (tem o sem açúcar e o com açúcar mascavo, atenção! Inclusive a foto abaixo é da embalagem com açúcar, que não é a que eu uso, mas foi a que encontrei pra ilustrar). Na embalagem não fala, mas a empresa tem um compromisso de não utilizar ingredientes transgênicos, então estou confiando nisso. O Joaquim adora no mingau!
Da Mãe Terra eu gosto muito também do Trato Mix e Trato Trio, ficam ótimos no mingau (que faço com água, sem leite, diga-se de passagem). Só me decepcionei com a granola, pois todas tem açúcar :( ah, e o macarrão instantâneo eu não gosto... acho a massa integral muito fibrosa... mas aí já é de gosto.
Tem uma linha grande de produtos, vale dar uma olhada: Mãe Terra.
Jasmine
A única granola "de marca" sem açúcar que eu achei! Tem vários tipos, tem que ler o rótulo. Mais uma vez o Fechando o Zíper ajuda a usar com moderação... Também coloco no mingau, pra dar uma variada (deu pra perceber que a gente gosta bastante de mingau por aqui, né? rs...).
No site da Jasmine vi que eles tem uma linha de produtos infantis, mas nunca vi nos mercados aqui da província... se alguém usa ou já usou, me conta!
Atenção sempre!
Não basta ler as "chamadas de capa", tem que correr pras letras miúdas e destrinchar a lista de ingredientes. Por enquanto ainda confio nos fabricantes... mas confio desconfiando, porque vira e mexe estoura uma fraude, então justamente por isso uso os industrializados com MUITA parcimônia.
Preços
O que é bom custa caro. Pelo menos em termos de produto. Mais um ponto a favor de usar de vez em quando.
E você, tem alguma dica de um grande achado nas prateleiras dos supermercados?!
Pois bem, mas nada disso é pretexto pra eu dar pro meu filho porcarias quaisquer. Ele ainda não tem 2 anos, então por enquanto é açúcar zero. Também não admito glutamato monossódico e outros pozinhos com nomes compostos e origens duvidosas (não me pergunte por que... estou sem tempo pra pesquisar decentemente e dar uma resposta com embasamento científico, rs...). Isso já restringe muito as possibilidades industrializadas, e é justamente por isso que resolvi compartilhar meus achados.
Não tenho nenhum vínculo com as empresas que citarei e não recebo pela propaganda (embora eu ache que deveria, rs...). Mas vamos ao que interessa:
Queensberry
Dei pulos de alegria quando descobri as geleias sem açúcar e os smoothies, também sem açúcar, da Queensberry. Sem falar nas garrafinhas de vidro que são as coisas mais fofas e que coleciono pra guardar temperos =D
- 100% Fruta: sem adição de açúcar
- 100% Natural: sem conservantes, corantes e aromatizantes
Do Bem
Os sucos com embalagens bem humoradas já me ganharam pelo rótulo. Quando li a lista de ingredientes, quase chorei de emoção e enviei boas ondas de gratidão aos "jovens cansados da mesmice" que os produzem! Coisas como 'Laranja, laranja e mais nada' e 'Água, suco de abacaxi e hortelã. É possível!' você encontra na descrição dos produtos. Segue o site, muito bem feito, é lógico ;) Do Bem
Pesquisando a imagem pro post achei uma avaliação interessante do site Fechando o Zíper.
Mãe Terra
Bom, aqui tem muita, muita coisa pra mãe moderna e natureba cuidar de seus filhotes. Queria destacar alguns itens:
- Sopinha Madá: não é a oitava maravilha do mundo, mas é uma mão na roda pra uma papinha salgada express. O Fechando o Zíper alerta pra quantidade absurda de sódio :( e outros detalhes. Pra mim fica com o status de "use em caso de emergência". E quando preciso, uso mesmo, sem peso na consciência. Fazemos sempre o melhor que podemos, não é verdade?
- Salgadinhos Sabuguinho, Pitzo e Ceboloko: com ingredientes orgânicos e "sem pozinhos artificiais", segundo o fabricante. O Fechando o Zíper (eita povo cri cri, rs...) alerta pra alta quantidade de gordura e sódio. Eles também questionam a coisa dos pozinhos artificiais, mas pra mim tá ok. Um ótimo companheiro nas viagens, naquela hora em que a cadeirinha parece ter espinho e o destino final não chega nunca!
- Flocos de milho: a única marca que encontrei sem açúcar (tem o sem açúcar e o com açúcar mascavo, atenção! Inclusive a foto abaixo é da embalagem com açúcar, que não é a que eu uso, mas foi a que encontrei pra ilustrar). Na embalagem não fala, mas a empresa tem um compromisso de não utilizar ingredientes transgênicos, então estou confiando nisso. O Joaquim adora no mingau!
Da Mãe Terra eu gosto muito também do Trato Mix e Trato Trio, ficam ótimos no mingau (que faço com água, sem leite, diga-se de passagem). Só me decepcionei com a granola, pois todas tem açúcar :( ah, e o macarrão instantâneo eu não gosto... acho a massa integral muito fibrosa... mas aí já é de gosto.
Tem uma linha grande de produtos, vale dar uma olhada: Mãe Terra.
Jasmine
A única granola "de marca" sem açúcar que eu achei! Tem vários tipos, tem que ler o rótulo. Mais uma vez o Fechando o Zíper ajuda a usar com moderação... Também coloco no mingau, pra dar uma variada (deu pra perceber que a gente gosta bastante de mingau por aqui, né? rs...).
No site da Jasmine vi que eles tem uma linha de produtos infantis, mas nunca vi nos mercados aqui da província... se alguém usa ou já usou, me conta!
Atenção sempre!
Não basta ler as "chamadas de capa", tem que correr pras letras miúdas e destrinchar a lista de ingredientes. Por enquanto ainda confio nos fabricantes... mas confio desconfiando, porque vira e mexe estoura uma fraude, então justamente por isso uso os industrializados com MUITA parcimônia.
Preços
O que é bom custa caro. Pelo menos em termos de produto. Mais um ponto a favor de usar de vez em quando.
E você, tem alguma dica de um grande achado nas prateleiras dos supermercados?!
domingo, 28 de setembro de 2014
Joaquim, eu queria tanto conseguir anotar as coisas que você faz, registrar suas conquistas, mas sinceramente não consigo. Tenho tirado muitas fotos, feito alguns videos.
De qualquer forma, de vez em quando consigo parar pra escrever um pouco e contar algumas histórias. A de hoje é que você, com um ano e meio, quando chora, pede papel pra limpar o nariz!!! Você lá chorando e de repente fala "papéééééél". Eu dou um lenço de papel e você fica limpando o nariz. Pode uma coisa dessa?!?!
Você também está cada vez mais habilidoso com as bolas. A mais nova é uma de futebol, pequena, dourada, que você ganhou da Raquel. Ama de paixão essa bola, que eu acho que é na proporção ideal pra você. Você pega distância pra chutar, corre tocando bola. Meu moleque!
E por falar em proporção, uma das melhores ideias que seu pai teve na vida foi te dar o cavaquinho! Você ficava doido porque não conseguia pegar direito o violão, aí veio o cavaquinho, no tamanho do seu colo. Já faz uns meses (dois, três?). É puro charme quando você senta no colchão, no degrau ou numa caixa de papelão, pega o cavaquinho e começa a tocar e cantar. Por enquanto é canhoto, o que deixa ainda mais charmoso!
Por hoje é só. Vou dormir, senão não dou conta de te acompanhar.
Te amo, filho. Obrigada por ter me escolhido pra ser sua mãe. É uma grande honra cuidar de você!
De qualquer forma, de vez em quando consigo parar pra escrever um pouco e contar algumas histórias. A de hoje é que você, com um ano e meio, quando chora, pede papel pra limpar o nariz!!! Você lá chorando e de repente fala "papéééééél". Eu dou um lenço de papel e você fica limpando o nariz. Pode uma coisa dessa?!?!
Você também está cada vez mais habilidoso com as bolas. A mais nova é uma de futebol, pequena, dourada, que você ganhou da Raquel. Ama de paixão essa bola, que eu acho que é na proporção ideal pra você. Você pega distância pra chutar, corre tocando bola. Meu moleque!
E por falar em proporção, uma das melhores ideias que seu pai teve na vida foi te dar o cavaquinho! Você ficava doido porque não conseguia pegar direito o violão, aí veio o cavaquinho, no tamanho do seu colo. Já faz uns meses (dois, três?). É puro charme quando você senta no colchão, no degrau ou numa caixa de papelão, pega o cavaquinho e começa a tocar e cantar. Por enquanto é canhoto, o que deixa ainda mais charmoso!
Por hoje é só. Vou dormir, senão não dou conta de te acompanhar.
Te amo, filho. Obrigada por ter me escolhido pra ser sua mãe. É uma grande honra cuidar de você!
quinta-feira, 18 de setembro de 2014
O primeiro desenho
Ontem o Joaquim - que hoje completa um ano e meio - pegou uma caneta e saiu falando "desenhá, desenhá". Empolgada, corri buscar a caixinha de giz de cera, arrumei um sulfite e improvisei uma mesinha. Ele se interessou, mas logo vi que o giz era pequeno pra ele (aprendi com a minha mãe, que é arte-educadora, que quanto menores as mãos, maiores devem ser as ferramentas. Giz grande, papel grande). Mesmo assim deixei rolar e estava tão bonitinho que comecei a tirar fotos.
Percebi que ele estava super compenetrado e quando observei melhor vi que a brincadeira tinha virado outra: colocar o giz em pé! Depois de tentar bastante, sair andando com a folha de papel, voltar e continuar tentando, olha só o resultado:
Eu que sou besta, ou é a coisa mais fofa do mundo?! =D
Mas o episódio me fez providenciar um material mais adequado e à tarde fui na papelaria. Achei um giz interessante, grande, do jeito que eu queria e com uma novidade: cada giz tem uma embalagem de plástico, com um sistema retrátil, ou seja, não quebra. É bem caro, comparado a um giz comum, mas resolvi investir e foi o presente de "meio aniversário" que dei pro Joaquim! Ah, outro diferencial: o giz é mais macio, então o traço fica forte sem precisar apertar. Não sei o que os Waldorf e cia vão achar disso, mas eu achei bárbaro, rs...
Comprei também cartolina, que achei uma boa opção pelo tamanho e por ser mais resistente que o sulfite, pois até parece que o papel vai ficar quietinho em cima da mesa, né?
Foi um sucesso e compartilho orgulhosa o primeiro desenho do filhote. Mães e pais, me digam, eu que sou besta ou é muita emoção ver o primeiro desenho do filho?! =D
Na caixa de giz vem 6 cores, as primárias e as secundárias. Eu resolvi dar só as primárias pra começar. Sei lá, coisa da minha cabeça. Depois conversei com a minha mãe e ela falou que cor nessa fase não importa muito, mas ele amou o amarelo, hehe. Ah sim, depois que terminou de desenhar essa parte maior ele olhou o desenho, olhou pra mim e com uma exclamação falou "bólão!".
À noite a diversão continuou e foi a vez do azul. Encanou no azul. Aí ficou pra lá e pra cá com o giz e abrimos a temporada de riscos pela casa (se o giz é macio pro papel, imagina pra roupa, pra parede, etc).
Quando fui colocar ele pra dormir, vi que tinha um risco azul no lençol. Apontei e perguntei "o que é isso Joaquim?". Ele, sem titubear, respondeu: "desenho!".
AMOR.AMOR.AMOR.AMOOOOOOOOR
FELIZ MEIO ANIVERSÁRIOOOOOOOO!!!
Percebi que ele estava super compenetrado e quando observei melhor vi que a brincadeira tinha virado outra: colocar o giz em pé! Depois de tentar bastante, sair andando com a folha de papel, voltar e continuar tentando, olha só o resultado:
Eu que sou besta, ou é a coisa mais fofa do mundo?! =D
Mas o episódio me fez providenciar um material mais adequado e à tarde fui na papelaria. Achei um giz interessante, grande, do jeito que eu queria e com uma novidade: cada giz tem uma embalagem de plástico, com um sistema retrátil, ou seja, não quebra. É bem caro, comparado a um giz comum, mas resolvi investir e foi o presente de "meio aniversário" que dei pro Joaquim! Ah, outro diferencial: o giz é mais macio, então o traço fica forte sem precisar apertar. Não sei o que os Waldorf e cia vão achar disso, mas eu achei bárbaro, rs...
Comprei também cartolina, que achei uma boa opção pelo tamanho e por ser mais resistente que o sulfite, pois até parece que o papel vai ficar quietinho em cima da mesa, né?
Foi um sucesso e compartilho orgulhosa o primeiro desenho do filhote. Mães e pais, me digam, eu que sou besta ou é muita emoção ver o primeiro desenho do filho?! =D
À noite a diversão continuou e foi a vez do azul. Encanou no azul. Aí ficou pra lá e pra cá com o giz e abrimos a temporada de riscos pela casa (se o giz é macio pro papel, imagina pra roupa, pra parede, etc).
Quando fui colocar ele pra dormir, vi que tinha um risco azul no lençol. Apontei e perguntei "o que é isso Joaquim?". Ele, sem titubear, respondeu: "desenho!".
AMOR.AMOR.AMOR.AMOOOOOOOOR
FELIZ MEIO ANIVERSÁRIOOOOOOOO!!!
sábado, 13 de setembro de 2014
Amamentação em livre demanda: até quando?
Eu sempre achei amamentação em livre demanda a coisa mais óbvia do mundo. Se o nenê chorou, a primeira coisa a fazer é dar o peito. Se o nenê não chorou, não tem por que querer que ele mame (ok, em alguns casos precisa intervir, mas são situações especiais, que devem ser avaliadas em conjunto com a equipe que cuida da saúde do bebê).
Pra mim, fluiu muito bem. É certo que no começo o Joaquim ficava muuuuuuuuuuuito tempo grudado e isso me cansava demais. Mas passou, sobrevivemos e o stress não foi maior do que minha determinação de amamentá-lo de forma exclusiva, sem bicos, sem chupeta.
Aí começa a introdução alimentar, que interfere um pouco na coisa da livre demanda, mas eu continuei dando preferência à amamentação. Até que a pediatra começou a achar que o Joaquim estava ganhando pouco peso. Nisso ele tinha por volta de um ano. Ela receitou umas vitaminas, deu umas dicas, falou pra evitar mamadas antes das refeições, mas na prática não consegui mudar minha rotina.
Só que na próxima consulta, ele com 1 ano e 4 meses, continuava com o mesmo peso. Ela falou que não era grave, pois ele estava crescendo bem em tamanho e isso é o mais importante, mas disse que seria bom dar uma atenção ao aspecto do peso também. Conversamos melhor, eu falei da minha dificuldade em dar comida pra ele (tanto pra mim quanto pra ele é muito mais prático que ele mame!), da minha dificuldade em identificar a fome dele antes que ele fique resmungando, porque aí só mamando pra resolver, falei que sozinha eu não conseguiria que ele comesse mais, justamente porque quando ele está só comigo ele acha que "não precisa" comer, já que "pode" mamar.
Eu consegui me abrir e me expor de uma forma que eu não imaginava que conseguiria. Ela simplesmente me respondeu que eu precisava resolver em que que eu acreditava, porque a partir do momento que eu acreditasse, eu conseguiria. A conversa foi boa, não saí de lá com nenhuma receita, com nenhuma determinação, mas com várias interrogações e exclamações, ou seja, do jeito que eu gosto!
Foi preciso digerir por alguns dias, até que a ficha me caiu: uma coisa é respeitar os instintos de um bebê que acabou de chegar ao mundo, que estava habituado com um ambiente completamente diferente, que precisa do máximo de amparo, aconchego, conforto; outra coisa é deixar com que uma criança de um ano delibere sobre a própria vida, sobre a rotina da casa, sobre a rotina da sua mãe.
Resolvi então substituir a "livre demanda" por "quem é que manda". Não gosto da coisa de "impor limites", mas concordo que as crianças precisam de contorno, senão elas ficam perdidas, desamparadas, boiando em um mar de emoções desconhecidas e assustadoras.
E quando que um bebê passa a ser criança? Só você, mãe, pode responder e essa resposta só vai valer para o seu filho. Se precisar de uma definição mais genérica, desconfio que tenha a ver com o desenvolvimento do caminhar e da fala.
Pois bem, expliquei pro Joaquim que nosso esquema ia mudar (eu sempre explico as coisas pra ele). Disse que ele precisava comer mais e que pra isso ele iria mamar menos e em horários que eu determinasse. Deixei claro que não estávamos desmamando, mas apenas organizando. Logo de cara já combinei que seria uma vez de manhã, uma vez à tarde, uma vez à noite e uma de madrugada (ui!).
Paralelamente implementamos coisas que já tínhamos identificado que faziam diferença na rotina com a comida, como dar comida pra ele separado da gente (a mesa cheia de coisas vira um mundo de atrativos e pretextos pra não querer colocar a colher na boca). Sem falar na coisa de horários e rotinas, que é um desafio constante na minha vida.
A presença e ajuda do pai foi fundamental. Minha mãe também ajudou e ajuda bastante. E minha cabeça caraminholando foi caminhando nos insights. Lembrei que a Laura Gutman fala que o bebê é um fiel companheiro e que ele nunca vai deixar sua mãe em apuros. O bebê que não dorme e/ou que solicita demais o peito é porque provavelmente sente sua mãe só, desamparada, e faz questão de ficar com ela, como que dizendo "você não está sozinha, eu estou aqui!".
Laura, minha guru na maternagem, também fala que não é necessário resolver a questão, mas simplesmente olhar pra ela e isso vai liberar o bebê.
Então tratei de explicar mais isso pro Joaquim: que se eu me sinto sozinha, não é responsabilidade dele me fazer companhia; que quando eu fico triste ele não precisa se preocupar, porque eu sei me cuidar, porque eu tenho quem cuide de mim e porque sou eu que cuido dele e não o contrário.
Mesmo com essa clareza toda, de olhar para questões mais profundas, de confiar na capacidade dele de entender, ainda me espantei com a rapidez que a mudança aconteceu!
Durante o dia foi tranquilo, no primeiro dia já conseguimos e já vi o reflexo no volume de comida. Na madrugada não foi tão simples, custou muito choro, muito cansaço, muita conversa (nem sempre amena, é verdade, mas também acho que uma fala mais enérgica bem colocada é fundamental).
Por outro lado, qualquer alteração na rotina, como uma viagem, por exemplo, abala tudo. Aí é preciso fazer concessões, ceder, retomar. Quando eu estou sozinha com ele o dia todo e fico muito cansada, também abro minhas exceções, de forma clara e consciente.
Ainda assim, temos feito grandes progressos.
Pra mim, fluiu muito bem. É certo que no começo o Joaquim ficava muuuuuuuuuuuito tempo grudado e isso me cansava demais. Mas passou, sobrevivemos e o stress não foi maior do que minha determinação de amamentá-lo de forma exclusiva, sem bicos, sem chupeta.
Aí começa a introdução alimentar, que interfere um pouco na coisa da livre demanda, mas eu continuei dando preferência à amamentação. Até que a pediatra começou a achar que o Joaquim estava ganhando pouco peso. Nisso ele tinha por volta de um ano. Ela receitou umas vitaminas, deu umas dicas, falou pra evitar mamadas antes das refeições, mas na prática não consegui mudar minha rotina.
Só que na próxima consulta, ele com 1 ano e 4 meses, continuava com o mesmo peso. Ela falou que não era grave, pois ele estava crescendo bem em tamanho e isso é o mais importante, mas disse que seria bom dar uma atenção ao aspecto do peso também. Conversamos melhor, eu falei da minha dificuldade em dar comida pra ele (tanto pra mim quanto pra ele é muito mais prático que ele mame!), da minha dificuldade em identificar a fome dele antes que ele fique resmungando, porque aí só mamando pra resolver, falei que sozinha eu não conseguiria que ele comesse mais, justamente porque quando ele está só comigo ele acha que "não precisa" comer, já que "pode" mamar.
Eu consegui me abrir e me expor de uma forma que eu não imaginava que conseguiria. Ela simplesmente me respondeu que eu precisava resolver em que que eu acreditava, porque a partir do momento que eu acreditasse, eu conseguiria. A conversa foi boa, não saí de lá com nenhuma receita, com nenhuma determinação, mas com várias interrogações e exclamações, ou seja, do jeito que eu gosto!
Foi preciso digerir por alguns dias, até que a ficha me caiu: uma coisa é respeitar os instintos de um bebê que acabou de chegar ao mundo, que estava habituado com um ambiente completamente diferente, que precisa do máximo de amparo, aconchego, conforto; outra coisa é deixar com que uma criança de um ano delibere sobre a própria vida, sobre a rotina da casa, sobre a rotina da sua mãe.
Resolvi então substituir a "livre demanda" por "quem é que manda". Não gosto da coisa de "impor limites", mas concordo que as crianças precisam de contorno, senão elas ficam perdidas, desamparadas, boiando em um mar de emoções desconhecidas e assustadoras.
E quando que um bebê passa a ser criança? Só você, mãe, pode responder e essa resposta só vai valer para o seu filho. Se precisar de uma definição mais genérica, desconfio que tenha a ver com o desenvolvimento do caminhar e da fala.
Pois bem, expliquei pro Joaquim que nosso esquema ia mudar (eu sempre explico as coisas pra ele). Disse que ele precisava comer mais e que pra isso ele iria mamar menos e em horários que eu determinasse. Deixei claro que não estávamos desmamando, mas apenas organizando. Logo de cara já combinei que seria uma vez de manhã, uma vez à tarde, uma vez à noite e uma de madrugada (ui!).
Paralelamente implementamos coisas que já tínhamos identificado que faziam diferença na rotina com a comida, como dar comida pra ele separado da gente (a mesa cheia de coisas vira um mundo de atrativos e pretextos pra não querer colocar a colher na boca). Sem falar na coisa de horários e rotinas, que é um desafio constante na minha vida.
A presença e ajuda do pai foi fundamental. Minha mãe também ajudou e ajuda bastante. E minha cabeça caraminholando foi caminhando nos insights. Lembrei que a Laura Gutman fala que o bebê é um fiel companheiro e que ele nunca vai deixar sua mãe em apuros. O bebê que não dorme e/ou que solicita demais o peito é porque provavelmente sente sua mãe só, desamparada, e faz questão de ficar com ela, como que dizendo "você não está sozinha, eu estou aqui!".
Laura, minha guru na maternagem, também fala que não é necessário resolver a questão, mas simplesmente olhar pra ela e isso vai liberar o bebê.
Então tratei de explicar mais isso pro Joaquim: que se eu me sinto sozinha, não é responsabilidade dele me fazer companhia; que quando eu fico triste ele não precisa se preocupar, porque eu sei me cuidar, porque eu tenho quem cuide de mim e porque sou eu que cuido dele e não o contrário.
Mesmo com essa clareza toda, de olhar para questões mais profundas, de confiar na capacidade dele de entender, ainda me espantei com a rapidez que a mudança aconteceu!
Durante o dia foi tranquilo, no primeiro dia já conseguimos e já vi o reflexo no volume de comida. Na madrugada não foi tão simples, custou muito choro, muito cansaço, muita conversa (nem sempre amena, é verdade, mas também acho que uma fala mais enérgica bem colocada é fundamental).
Por outro lado, qualquer alteração na rotina, como uma viagem, por exemplo, abala tudo. Aí é preciso fazer concessões, ceder, retomar. Quando eu estou sozinha com ele o dia todo e fico muito cansada, também abro minhas exceções, de forma clara e consciente.
Ainda assim, temos feito grandes progressos.
sábado, 9 de agosto de 2014
Mudar de ideia
Já li em vários "manuais" de como educar bem uma criança que uma das coisas mais importantes é a firmeza da palavra dos pais, dos adultos em geral. O "não" tem que significar "não" e o "sim" tem que significar "sim". Quem estabelece uma regra, mas não se manifesta no caso de descumprimento, perde a força da palavra e vai perdendo a confiança da criança. Cumprir o combinado ajuda a "situar" a criança. Não gosto da história de colocar "limite", mas entendo que as crianças precisam de "contornos". Acordos claros dão contorno.
Mas também é importante ensinar para as crianças que é possível mudar de ideia. É importante ensinar para as crianças que cometemos enganos e que a melhor coisa a fazer é corrigir um engano assim que o detectamos - por isso a importância de se permitir mudar de ideia. É importante ensinar às crianças que devemos estar abertos a novos pontos de vista - e em face de um novo ponto de vista, talvez queiramos mudar de ideia. É importante ensinar às crianças que imprevistos acontecem - e que diante de um imprevisto talvez aquele plano inicial não funcione e seja preciso mudar de ideia.
Antroposóficos e montessorianos dizem que no caso de crianças pequenas, quanto mais estável for a vida, melhor. A mudança de ideia seria um tempero e, alem disso, deveria ser usada com consciência, deixando claro por que foi preciso alterar o rumo inicial.
Mas não misturemos a mudança de ideia com falta de planejamento. Quando assumimos a posição de ser a referência de uma criança, seja como pais, professores, cuidadores, devemos nos esforçar ao máximo para manter a lucidez, para fazer a rotina funcionar, para prever o imprevisto. E se, com todo esse esforço, ainda for preciso mudar de ideia - e será - a criança saberá que comprometimento e dedicação não são garantia para que as coisas saiam como o planejado, mas que com flexibilidade e criatividade tudo se ajeita e boas surpresas acontecem.
Mas também é importante ensinar para as crianças que é possível mudar de ideia. É importante ensinar para as crianças que cometemos enganos e que a melhor coisa a fazer é corrigir um engano assim que o detectamos - por isso a importância de se permitir mudar de ideia. É importante ensinar às crianças que devemos estar abertos a novos pontos de vista - e em face de um novo ponto de vista, talvez queiramos mudar de ideia. É importante ensinar às crianças que imprevistos acontecem - e que diante de um imprevisto talvez aquele plano inicial não funcione e seja preciso mudar de ideia.
Antroposóficos e montessorianos dizem que no caso de crianças pequenas, quanto mais estável for a vida, melhor. A mudança de ideia seria um tempero e, alem disso, deveria ser usada com consciência, deixando claro por que foi preciso alterar o rumo inicial.
Mas não misturemos a mudança de ideia com falta de planejamento. Quando assumimos a posição de ser a referência de uma criança, seja como pais, professores, cuidadores, devemos nos esforçar ao máximo para manter a lucidez, para fazer a rotina funcionar, para prever o imprevisto. E se, com todo esse esforço, ainda for preciso mudar de ideia - e será - a criança saberá que comprometimento e dedicação não são garantia para que as coisas saiam como o planejado, mas que com flexibilidade e criatividade tudo se ajeita e boas surpresas acontecem.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Mãe de si mesma
Dizem os psicólogos que todos nós carregamos a criança que fomos. É a tal da criança interior. É um dos aspectos da nossa mente e do nosso emocional (ah, aviso que não sou profissional de área, então já peço desculpa por alguma confusão nos termos. Falo, portanto, de leiga para leigos, mas aceito ajudas e correções dos estudiosos e estudados).
Como criança que é, a criança interior é um poço sem fundo de necessidades, quereres e solicitações. Geralmente é um tanto birrenta e escandalosa, mas tem também a alegria e o encantamento inerentes a esses pequenos seres. É criativa e ativa. Tem muita energia e se entrega completamente aos seus afazeres. Não desiste fácil. Não entende direito responsabilidades, horários e compromissos. Quer fazer o que quer. Mas vive em um corpo de adulto, com agenda de adulto.
Esse adulto, por sua vez, não entende certos rompantes e não gosta quando ouve "para com isso, você tá agindo como criança!". E está mesmo. É a criança interior esperneando porque queria fazer uma coisa e a forçaram a fazer outra.
Essa criança nunca cresce? Me disseram que não... e é melhor que seja assim, porque é ela que nos abastece de criatividade e alegria; é através dos olhos dela que nos encantamos com uma flor; é ela que nos faz parar por uma fração de segundo pra olhar o céu. E são essas pequenas coisas que deixam a gente mais leve, que enchem nossos pulmões com um suspiro profundo, que chega até o coração e dá ânimo pra seguir em frente.
Vale então olhar pra essa criança de vez em quando. Como ela está? Do que ela precisa?
Quando estamos cuidando de uma criança - a de fato, em corpo de criança - fica mais fácil olhar pra nossa criança interior, fica mais fácil entender suas necessidades e seus mecanismos. Às vezes o cuidar de uma criança nutre a criança interior e tenho visto que é possível ser mãe - ou pai - de si mesma/o, mãe da minha criança interior. Mais do que possível, é necessário.
É, na verdade, o eterno e constante trabalho de auto observação, auto estudo, mas com uma ajudinha de imagens e arquétipos. Negociar com a criança interior pode ser mais fácil do que tentar entender e transformar sentimentos abstratos. Basta imaginar aquela criança e conversar com ela. Ela vai te responder, pode ter certeza. Mas lembre-se: criança não esquece! Promessa é dívida. Por outro lado, criança se contenta com tão pouco... geralmente o principal ingrediente é a atenção, e o que vem depois é só alegoria. Você não precisa prometer um tablet. O que a criança quer é que você brinque com ela, nem que seja de jogo da velha. Isso vale pras crianças interiores e exteriores...
Passeie de mãos dadas com sua criança. Vá aonde ela pedir. Fique o tempo que ela quiser. Providencie um bom lanche. E na volta, você verá que não terão problemas para encarar o banho, a lição de casa, o jantar e a hora de ir pra cama. No final, esteja preparado para os mais lindos e inspiradores sonhos.
Trazendo esse exemplo pra nossa relação com a criança interior, a parte do passeio pode durar poucos minutos (e não precisa ser um passeio de fato... pode ser um instante de rabiscar livremente com lápis de cor, ou brincar com um cachorro. Só a sua criança pode te dizer o que será), enquanto que a "lição de casa" dura o dia todo. A escala é outra, mas a inspiração do sonho não tem medida e pode se revelar em um breve lampejo - o famoso insight - ou naquele pique que faz trabalhar e produzir o dia todo e ainda praticar um esporte ou hobby antes de dar o expediente por encerrado.
Onde está sua criança? Do que ela precisa? Onde ela quer passear?
Como criança que é, a criança interior é um poço sem fundo de necessidades, quereres e solicitações. Geralmente é um tanto birrenta e escandalosa, mas tem também a alegria e o encantamento inerentes a esses pequenos seres. É criativa e ativa. Tem muita energia e se entrega completamente aos seus afazeres. Não desiste fácil. Não entende direito responsabilidades, horários e compromissos. Quer fazer o que quer. Mas vive em um corpo de adulto, com agenda de adulto.
Esse adulto, por sua vez, não entende certos rompantes e não gosta quando ouve "para com isso, você tá agindo como criança!". E está mesmo. É a criança interior esperneando porque queria fazer uma coisa e a forçaram a fazer outra.
Essa criança nunca cresce? Me disseram que não... e é melhor que seja assim, porque é ela que nos abastece de criatividade e alegria; é através dos olhos dela que nos encantamos com uma flor; é ela que nos faz parar por uma fração de segundo pra olhar o céu. E são essas pequenas coisas que deixam a gente mais leve, que enchem nossos pulmões com um suspiro profundo, que chega até o coração e dá ânimo pra seguir em frente.
Vale então olhar pra essa criança de vez em quando. Como ela está? Do que ela precisa?
Quando estamos cuidando de uma criança - a de fato, em corpo de criança - fica mais fácil olhar pra nossa criança interior, fica mais fácil entender suas necessidades e seus mecanismos. Às vezes o cuidar de uma criança nutre a criança interior e tenho visto que é possível ser mãe - ou pai - de si mesma/o, mãe da minha criança interior. Mais do que possível, é necessário.
É, na verdade, o eterno e constante trabalho de auto observação, auto estudo, mas com uma ajudinha de imagens e arquétipos. Negociar com a criança interior pode ser mais fácil do que tentar entender e transformar sentimentos abstratos. Basta imaginar aquela criança e conversar com ela. Ela vai te responder, pode ter certeza. Mas lembre-se: criança não esquece! Promessa é dívida. Por outro lado, criança se contenta com tão pouco... geralmente o principal ingrediente é a atenção, e o que vem depois é só alegoria. Você não precisa prometer um tablet. O que a criança quer é que você brinque com ela, nem que seja de jogo da velha. Isso vale pras crianças interiores e exteriores...
Passeie de mãos dadas com sua criança. Vá aonde ela pedir. Fique o tempo que ela quiser. Providencie um bom lanche. E na volta, você verá que não terão problemas para encarar o banho, a lição de casa, o jantar e a hora de ir pra cama. No final, esteja preparado para os mais lindos e inspiradores sonhos.
Trazendo esse exemplo pra nossa relação com a criança interior, a parte do passeio pode durar poucos minutos (e não precisa ser um passeio de fato... pode ser um instante de rabiscar livremente com lápis de cor, ou brincar com um cachorro. Só a sua criança pode te dizer o que será), enquanto que a "lição de casa" dura o dia todo. A escala é outra, mas a inspiração do sonho não tem medida e pode se revelar em um breve lampejo - o famoso insight - ou naquele pique que faz trabalhar e produzir o dia todo e ainda praticar um esporte ou hobby antes de dar o expediente por encerrado.
Onde está sua criança? Do que ela precisa? Onde ela quer passear?
Assinar:
Comentários (Atom)












