Ai filhote, e eu que tinha achado que já estávamos perfeitamente adaptados um ao outro e que os desconfortos gestacionais haviam passado... pura ilusão...
Tivemos sim uns dias, umas duas ou três semanas de "trégua", mas de uns dias pra cá parece que começou tudo de novo... toda aquela indisposição, enjoos, digestão ruim... fora ficar cuspindo que nem uma lhama!
Eu pensei que escaparia disso, pois minha mãe não foi lá das mais enjoadas... só que a mãe do seu pai foi, principalmente quando estava grávida dele e - como é que eu fui ignorar isso?! - você é um pedacinho considerável do seu pai dentro de mim!
E ainda tem o "pedacinho" que é só seu, que é totalmente novo. Do ponto de vista da genética não sei como isso se explica, mas a Maria - você já a conhece - me explicou que um novo ser não é simplesmente a soma de seu pai e sua mãe. Você sou eu; você é seu pai; e você é você! Não é lindo?
E é por isso que muitas mulheres passam mal durante a gravidez e das mais variadas formas... o corpo, ou melhor, os corpos da mãe precisam se adaptar a toda essa novidade, a toda essa bagagem externa que de repente se mistura à sua. E em muitos casos não é assim tão elementar... acho que somos um desses casos...
Mas, filho, você é muito bem vindo e muito amado. E tem um pai muito bacana que nos apoia e nos protege e que me deixa "passar mal sossegada", se é que isso é possível, rs... mas quero dizer que ele tem sido tão generoso e paciente conosco, que merece esse reconhecimento. Eu fico imaginando como vocês vão ser companheiros, tenho certeza!
O Filho do Aralume é um espaço pequeno e acolhedor para falar, pensar e sentir a maternidade. Mas não pense que o papo é morno, ou cor de rosa, ou água com açúcar. É pra quem não compra pacote pronto, é pra quem leva a vida a sério!
segunda-feira, 12 de novembro de 2012
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Eu quero ser uma mãe-macaca
Eu estava no freeshop do aeroporto de Istambul (gente fina é outra coisa, eu sei!), quando parei em frente a uma prateleira de bichos de pelúcia. Era uma linha do WWF com bichos e seus filhotes, a coisa mais fofa!
A essa altura eu já sabia que estava grávida, mesmo sem as comprovações laboratoriais, e esse apelo materno-faunístico me fisgou. Tinha leoas, ursas, tigresas, lobas, todos esses grandes mamíferos sedutores e apaixonantes, mas não teve jeito, quando eu vi essa macaca com esse macaquinho, eles pularam no meu colo! Sei que os primatas também são apaixonantes, mas frente aos grandes felinos, ursídeos e até canídeos, eles ficavam em segundo (ou quarto) plano.
Só que de repente eu queria ser aquela macaca, com aquele filhote agarradinho a ela. Olha só a cara dela de orgulho e satisfação! E o filhote? Um pouco assustado, mas enquanto ele estiver em contato com aquele pelo de mãe, tem a certeza de que nada pode lhe fazer mal. Viagem de grávida? Pode ser, mas essa leitura me foi automática quando vi esses simples bonecos.
E aí eu resolvi que quero ser uma mãe-macaca! (peço licença aos bichólogos de plantão, pois minhas impressões de uma macaca são totalmente leigas e posso falar alguma besteira do ponto de vista biológico... de qualquer forma, o arquétipo que formei é esse...)
Eu quero ter o humor de uma macaca. Não são bichos engraçados? E humor traz leveza... não há cara feia que um sorriso sincero não dissolva.
Eu quero ser acolhedora que nem uma macaca. Quero ficar com meu filhote agarrado a mim o tempo todo, no colo, nas costas, acordado, dormindo, mamando. Imagine que delícia ficar em um colo de macaca, macio, fofinho, cheiroso (do ponto de vista do filhote macaco, é claro, rs...).
Eu quero ser protetora que nem uma macaca. Ela é engraçada, ela é acolhedora, mas tente tirar seu filhote pra ver o que acontece! Existem dentes e músculos fortes prontos a proteger a cria, sem meias palavras e com a rapidez que a vida exige.
Eu quero ser irracional que nem uma macaca. Quero seguir meus instintos sem pensar, sem racionalizar, sem ser razoável, sem querer agradar aos outros, sem fazer firulas, sem abrir concessões.
E eu quero ter a mesma certeza de estar fazendo tudo certo que tem uma macaca.
Esse desejo, o de ser uma mãe-macaca, é o meu primeiro desejo de mãe. Porque eu sei que meu filhote será um macaquinho e merecerá ter uma mãe-macaca!
E por falar em querer e desejos, a trilha sonora que embalou esse texto foi a seguinte, na voz do Milton, lindo, lindo, lindo!
Mistérios
Um fogo queimou dentro de mim
Que não tem mais jeito de se apagar
Nem mesmo com toda água do mar
Preciso aprender os mistérios do fogo pra te incendiar
Um rio passou dentro de mim
Que eu não tive jeito de atravessar
Preciso um navio prá me levar
Preciso aprender os mistérios do rio pra te navegar
Vida breve, natureza, quem mandou, coração
Um vento bateu dentro de mim
Que eu não tive jeito de segurar
A vida passou pra me carregar
Preciso aprender os mistérios do mundo pra te ensinar
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Vou sentindo cada vez mais seus movimentos. É estranho, mas a sensação mudou. No primeiro dia era um movimento sinuoso, depois venho sentindo movimentos mais diretos, não sei explicar.
Mas é muito bom, nos aproxima, torna sua existência menos etérea, mais terrena.
Comecei a ler um livro que a "tia" Marina nos emprestou, chama A vida secreta da criança antes de nascer. O autor fala da importância de se comunicar com o bebê ainda dentro da barriga. Ele fala que a vida no útero é muito solitária, porque muitas vezes não existe essa comunicação, uma vez que a mãe está preocupada com os assuntos "de fora" e por mais que esses assuntos tenham a ver com a chegada do bebê - preparação para o parto, enxoval, quarto, chá de bebê - a comunicação direta é muito importante.
Filho, confesso que pra mim ainda é estranho "conversar com uma barriga". Eu faço isso, venho fazendo cada vez mais, mas ainda requer certa concentração e esforço. Obrigada por ter me ajudado nessa aproximação... cada vez que você se mexe forte o suficiente pra eu sentir, fica mais fácil conversar com você.
Mas é muito bom, nos aproxima, torna sua existência menos etérea, mais terrena.
Comecei a ler um livro que a "tia" Marina nos emprestou, chama A vida secreta da criança antes de nascer. O autor fala da importância de se comunicar com o bebê ainda dentro da barriga. Ele fala que a vida no útero é muito solitária, porque muitas vezes não existe essa comunicação, uma vez que a mãe está preocupada com os assuntos "de fora" e por mais que esses assuntos tenham a ver com a chegada do bebê - preparação para o parto, enxoval, quarto, chá de bebê - a comunicação direta é muito importante.
Filho, confesso que pra mim ainda é estranho "conversar com uma barriga". Eu faço isso, venho fazendo cada vez mais, mas ainda requer certa concentração e esforço. Obrigada por ter me ajudado nessa aproximação... cada vez que você se mexe forte o suficiente pra eu sentir, fica mais fácil conversar com você.
domingo, 4 de novembro de 2012
Vida, Morte e Destino
O encontro com a Vida nos lembra da existência da Morte.
Provavelmente por isso a gravidez e principalmente o parto tragam consigo tanto medo. Se em nossa cultura a relação com a morte não é das mais bem resolvidas, nesse momento de celebração da vida a possibilidade da morte torna-se ainda mais pavorosa.
E tal como personagens das tragédias gregas, podemos correr em direção ao nosso destino ao tentar fugir dele... o ensinamento é claro: não há como fugir. Dessa forma, o que nos resta é encará-lo e vivê-lo. "Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo".
Por outro lado, não podemos fazer como o fiel que em meio à enchente aguarda a salvação do Todo Poderoso. Se você não conhece a história, ela é mais ou menos assim: um homem muito crente, de fé fervorosa, está ilhado em meio a uma grande enchente; ele começa a rezar e pedir a Deus que o salve; não demora e aparece uma pessoa agarrada a uma boia dizendo pra ele se agarrar também; ele recusa e diz que Deus o salvará; ele continua rezando e dali a pouco surge alguém num barquinho, oferecendo ajuda; mais uma vez ele recusa e diz que Deus o salvará; a enchente piora, as águas sobem rápido, mas ele continua com rezando com fé, até que surge um helicóptero oferecendo uma corda e mais uma vez ele recusa, confiando na salvação divina; pouco tempo depois ele é levado pela enxurrada e morre; chegando no céu ele encontra com Deus e o questiona, dizendo que foi fiel à sua fé durante toda sua vida e que estava muito decepcionado com Deus, que o tinha abandonado, ao que Deus, pacientemente, responde: "mas eu atendi aos seus pedidos! Enviei uma boia, depois um barco e por fim até mesmo um helicóptero! O que mais você queria?!".
Não acredito que o destino seja algo determinado e imutável. Estudei um pouco sobre a Lei do Karma, o suficiente para saber que nosso destino molda-se constantemente, de acordo com nossas atitudes, de acordo com nossas escolhas.
É difícil saber de antemão em que cada atitude e cada escolha resultará e ninguém está livre de equívocos... por isso que é tão importante conhecer-se, estudar-se e confiar nos próprios sentidos e na própria intuição.
Provavelmente por isso a gravidez e principalmente o parto tragam consigo tanto medo. Se em nossa cultura a relação com a morte não é das mais bem resolvidas, nesse momento de celebração da vida a possibilidade da morte torna-se ainda mais pavorosa.
E tal como personagens das tragédias gregas, podemos correr em direção ao nosso destino ao tentar fugir dele... o ensinamento é claro: não há como fugir. Dessa forma, o que nos resta é encará-lo e vivê-lo. "Tudo é uma questão de manter a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo".
Por outro lado, não podemos fazer como o fiel que em meio à enchente aguarda a salvação do Todo Poderoso. Se você não conhece a história, ela é mais ou menos assim: um homem muito crente, de fé fervorosa, está ilhado em meio a uma grande enchente; ele começa a rezar e pedir a Deus que o salve; não demora e aparece uma pessoa agarrada a uma boia dizendo pra ele se agarrar também; ele recusa e diz que Deus o salvará; ele continua rezando e dali a pouco surge alguém num barquinho, oferecendo ajuda; mais uma vez ele recusa e diz que Deus o salvará; a enchente piora, as águas sobem rápido, mas ele continua com rezando com fé, até que surge um helicóptero oferecendo uma corda e mais uma vez ele recusa, confiando na salvação divina; pouco tempo depois ele é levado pela enxurrada e morre; chegando no céu ele encontra com Deus e o questiona, dizendo que foi fiel à sua fé durante toda sua vida e que estava muito decepcionado com Deus, que o tinha abandonado, ao que Deus, pacientemente, responde: "mas eu atendi aos seus pedidos! Enviei uma boia, depois um barco e por fim até mesmo um helicóptero! O que mais você queria?!".
Não acredito que o destino seja algo determinado e imutável. Estudei um pouco sobre a Lei do Karma, o suficiente para saber que nosso destino molda-se constantemente, de acordo com nossas atitudes, de acordo com nossas escolhas.
É difícil saber de antemão em que cada atitude e cada escolha resultará e ninguém está livre de equívocos... por isso que é tão importante conhecer-se, estudar-se e confiar nos próprios sentidos e na própria intuição.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
Escolha ou beco sem saída?
Depois que conheci a possibilidade de um parto em casa um novo mundo de luz e esperança se abriu em minha vida. Não é exagero! Antes disso eu não queria ter filhos e muito desse pânico se devia às intempéries hospitalares, que eu nem conhecia em detalhes, mas que já eram suficientes para me manter afastada desse cenário.
Conforme fui conhecendo o parto em casa e todo o movimento em torno dessa prática, as tais intempéries hospitalares foram ficando mais definidas, concretas, informadas e cada vez mais cinzentas e assustadoras. Se antes eu já queria ficar longe de hospitais, depois dessas informações eu vi que realmente não teria a menor condição de eu ir, feliz e de livre e espontânea vontade, entregar a esse ambiente um dos momentos mais preciosos da minha vida e da vida de uma das pessoas mais preciosas da minha vida.
Mas tudo seria perfeito se não tivesse os "e se". E se acontece alguma coisa? (com aquela entonação de Harry Potter e seus companheiros falando de "Você-sabe-quem"). Claro que não vou falar dos "e se" porque estou grávida e isso não é assunto pra grávida, mas a partir do momento em que uma gestante resolve parir no aconchego do lar, por mais bem preparada e bem acompanhada que esteja, precisa ouvir que está tomando uma atitude irresponsável, que não sabe dos riscos que está correndo, que está colocando seu filho em risco, etc, etc, etc...
As subversivas que pregam o parto em casa (existem homens também, mas prefiro usar o plural no feminino aqui... sorry rapazes...) esforçam-se em divulgar informações, estatísticas, dados, relatos de que não há nada mais seguro do que parir em casa (para uma gravidez que transcorre normalmente, é claro).
Então o jeito é manter a escolha em certo sigilo e não dar ouvidos aos "e se" que a turma do ai-que-medo insiste em apurrinhar.
Mas, vem cá, você que é adepta do parto em casa, me diga (e que "os outros" não nos ouçam): parir em casa é escolha ou beco sem saída?!
Pois eu, por mais segura e satisfeita que esteja com a minha escolha (ou "escolha"), de repente me sinto em um beco sem saída, me sinto na verdade excluída e marginalizada. Sinto-me, sinceramente, excluída dos avanços da medicina, de um aparelho ou dois, de uma droga ou outra que poderia evitar complicações e até mesmo salvar uma ou duas vidas. Não chega a me deprimir nem revoltar, pois, sinceramente, acredito menos nos avanços da medicina, seus aparelhos e drogas, do que na sabedoria da natureza...
Mas, enfim, sobre as escolhas, Escolha (sem aspas e com E maiúsculo) seria se tivéssemos hospitais com ambientes respeitadores, tanto da mãe, quanto da família, quanto - e principalmente - do nascente. Sei que existem hospitais que pregam um atendimento humanizado e blá, blá, blá, mas esse discurso ainda não me convence, principalmente com relação às rotinas aplicadas ao recém-nascido (quem conhecer algum hospital realmente humanizado - ou o termo que for - , aqui no Brasil, por favor, me conte).
E eu acho que por mais "legal" que seja o hospital, sempre terão aquelas regras que todo mundo tem que cumprir, como se todo mundo fosse igual. E regras pra quê? Pra facilitar a vida deles, é claro! Pra poupar a equipe, pra facilitar o preenchimento das fichas, pra pegar bem nas estatísticas.
Estou dizendo tudo isso não pra expor minhas escolhas, mas pra cutucar um pouco a militância em defesa do direito de escolha da mulher quanto ao local do parto, pois é fato que existe uma "caça às bruxas" pra quem ousa desafiar as verdades médicas (aliás, Bruxas, parabéns pelo seu dia! Sigam, sigamos, usando nossos dons, apesar das fogueiras). Digo, então, que não basta que consigamos o direito de parir onde julgarmos conveniente (dá até vergonha de escrever isso... que absurdo), mas precisamos ter direito a um acompanhamento profissional especializado (é aí que o movimento levanta sua bandeira, para que médicos e enfermeiras possam atender sem perseguição fora do ambiente formal hospitalar), mas precisamos ter direito também a um ambiente hospitalar respeitoso, que enxergue pessoas e não números, que respeite escolhas e que deixe um pouco com que os indivíduos assumam alguns riscos, de forma consciente e verdadeira, sem manipulações (isso sim é escolha! Se eu não quero dar a vacina X ou o colírio Y, tenho direito a ter essa escolha respeitada! Por que tenho que ser tratada como uma criança que não sabe das coisas ou uma adolescente rebelde?!)... ah, deixa pra lá, isso me parece tão utópico que nem caiba em uma bandeira...
É, bruxas, o preço que pagamos é alto, mas quem conhece a liberdade sabe que esse é o único caminho viável.
PS - deixo aqui uma ressalva quanto ao movimento pelo parto em casa, pois não conheço detalhes e tenho praticamente certeza de que existam reivindicações com relação às rotinas hospitalares, mas é que daqui, do fim da linha, do ângulo de quem não está no centro das discussões, me pareceu que a questão seria lutar pelo direito de parir em casa e só, e isso pode excluir muitas mulheres que querem a segurança hospitalar, mas que tem igualmente o direito à informação e ao respeito às suas decisões.
Conforme fui conhecendo o parto em casa e todo o movimento em torno dessa prática, as tais intempéries hospitalares foram ficando mais definidas, concretas, informadas e cada vez mais cinzentas e assustadoras. Se antes eu já queria ficar longe de hospitais, depois dessas informações eu vi que realmente não teria a menor condição de eu ir, feliz e de livre e espontânea vontade, entregar a esse ambiente um dos momentos mais preciosos da minha vida e da vida de uma das pessoas mais preciosas da minha vida.
Mas tudo seria perfeito se não tivesse os "e se". E se acontece alguma coisa? (com aquela entonação de Harry Potter e seus companheiros falando de "Você-sabe-quem"). Claro que não vou falar dos "e se" porque estou grávida e isso não é assunto pra grávida, mas a partir do momento em que uma gestante resolve parir no aconchego do lar, por mais bem preparada e bem acompanhada que esteja, precisa ouvir que está tomando uma atitude irresponsável, que não sabe dos riscos que está correndo, que está colocando seu filho em risco, etc, etc, etc...
As subversivas que pregam o parto em casa (existem homens também, mas prefiro usar o plural no feminino aqui... sorry rapazes...) esforçam-se em divulgar informações, estatísticas, dados, relatos de que não há nada mais seguro do que parir em casa (para uma gravidez que transcorre normalmente, é claro).
Então o jeito é manter a escolha em certo sigilo e não dar ouvidos aos "e se" que a turma do ai-que-medo insiste em apurrinhar.
Mas, vem cá, você que é adepta do parto em casa, me diga (e que "os outros" não nos ouçam): parir em casa é escolha ou beco sem saída?!
Pois eu, por mais segura e satisfeita que esteja com a minha escolha (ou "escolha"), de repente me sinto em um beco sem saída, me sinto na verdade excluída e marginalizada. Sinto-me, sinceramente, excluída dos avanços da medicina, de um aparelho ou dois, de uma droga ou outra que poderia evitar complicações e até mesmo salvar uma ou duas vidas. Não chega a me deprimir nem revoltar, pois, sinceramente, acredito menos nos avanços da medicina, seus aparelhos e drogas, do que na sabedoria da natureza...
Mas, enfim, sobre as escolhas, Escolha (sem aspas e com E maiúsculo) seria se tivéssemos hospitais com ambientes respeitadores, tanto da mãe, quanto da família, quanto - e principalmente - do nascente. Sei que existem hospitais que pregam um atendimento humanizado e blá, blá, blá, mas esse discurso ainda não me convence, principalmente com relação às rotinas aplicadas ao recém-nascido (quem conhecer algum hospital realmente humanizado - ou o termo que for - , aqui no Brasil, por favor, me conte).
E eu acho que por mais "legal" que seja o hospital, sempre terão aquelas regras que todo mundo tem que cumprir, como se todo mundo fosse igual. E regras pra quê? Pra facilitar a vida deles, é claro! Pra poupar a equipe, pra facilitar o preenchimento das fichas, pra pegar bem nas estatísticas.
Estou dizendo tudo isso não pra expor minhas escolhas, mas pra cutucar um pouco a militância em defesa do direito de escolha da mulher quanto ao local do parto, pois é fato que existe uma "caça às bruxas" pra quem ousa desafiar as verdades médicas (aliás, Bruxas, parabéns pelo seu dia! Sigam, sigamos, usando nossos dons, apesar das fogueiras). Digo, então, que não basta que consigamos o direito de parir onde julgarmos conveniente (dá até vergonha de escrever isso... que absurdo), mas precisamos ter direito a um acompanhamento profissional especializado (é aí que o movimento levanta sua bandeira, para que médicos e enfermeiras possam atender sem perseguição fora do ambiente formal hospitalar), mas precisamos ter direito também a um ambiente hospitalar respeitoso, que enxergue pessoas e não números, que respeite escolhas e que deixe um pouco com que os indivíduos assumam alguns riscos, de forma consciente e verdadeira, sem manipulações (isso sim é escolha! Se eu não quero dar a vacina X ou o colírio Y, tenho direito a ter essa escolha respeitada! Por que tenho que ser tratada como uma criança que não sabe das coisas ou uma adolescente rebelde?!)... ah, deixa pra lá, isso me parece tão utópico que nem caiba em uma bandeira...
É, bruxas, o preço que pagamos é alto, mas quem conhece a liberdade sabe que esse é o único caminho viável.
PS - deixo aqui uma ressalva quanto ao movimento pelo parto em casa, pois não conheço detalhes e tenho praticamente certeza de que existam reivindicações com relação às rotinas hospitalares, mas é que daqui, do fim da linha, do ângulo de quem não está no centro das discussões, me pareceu que a questão seria lutar pelo direito de parir em casa e só, e isso pode excluir muitas mulheres que querem a segurança hospitalar, mas que tem igualmente o direito à informação e ao respeito às suas decisões.
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
Esses dias eu percebi que você não é um nenê. Eu percebi que você é um ser, um ser completo.
Foi ao mesmo tempo muito clara e muito surpreendente essa constatação.
Eu estava pensando em você, conversando com você e eu conversava de igual pra igual, com alguém que tinha total capacidade de me entender. Nesse momento eu percebi como os adultos subestimam as crianças! E se com as crianças já é assim, com nenês é muito mais... e progressivamente com os fetos e embriões. Não se tratam de folhas em branco... essas almas carregam uma história... que deve ser considerada e respeitada.
Foi ao mesmo tempo muito clara e muito surpreendente essa constatação.
Eu estava pensando em você, conversando com você e eu conversava de igual pra igual, com alguém que tinha total capacidade de me entender. Nesse momento eu percebi como os adultos subestimam as crianças! E se com as crianças já é assim, com nenês é muito mais... e progressivamente com os fetos e embriões. Não se tratam de folhas em branco... essas almas carregam uma história... que deve ser considerada e respeitada.
quarta-feira, 17 de outubro de 2012
Leitura pra esfriar a cabeça
A minha parteira =D falou que eu estava de cabeça quente e pés gelados e mandou inverter essa história... até aí, nenhuma novidade: pé quente, cabeça fria! Ela perguntou o que eu andava lendo e eu, com cara de paisagem, respondi: "ãhn? não, nada em especial..." Mentira, mentira, mentira deslavada, que feio! O fato é que eu acabara de comprar dois livros da Laura Gutman e estava a um quinto de terminar o segundo e mais casca grossa, desses de deixar a cabeça bem quente mesmo... é claro que eu não ia contar isso pra ela! =D
Pois bem, mas ela é dessas bruxas para as quais não adianta mentir... fez uma cara de "ãhã, vou fingir que acredito" e me mandou ler Turma da Mônica. Mentirosa, mas obediente, saí do consultório e comprei uma revistinha do Chico Bento - ah, que doces lembranças as leituras do Chico Bento, tão remetentes à minha infância na roça... e lá fui eu, feliz da vida, esfriar a cabeça!
Má quê? Pra começar já fiquei chocada ao saber que a Mônica vai casar com o Cebolinha (que agora chama Cebola!), num anúncio da revista especial da Turma da Mônica Jovem. Chocada mesmo! Ok, vamos em frente... vamos entrar na roça, nadar em rio e roubar goiaba do Nhô Lau!
Só que comecei a achar aquelas historinhas meio estranhas... sei lá, umas atitudes esquisitas, umas condutas questionáveis... será que sempre foi assim e eu achava normal ou é o fim do mundo se aproximando mesmo?! A gota d´água foi uma historinha na qual a Rosinha dá sucessivos ataques de ciúme e o Chico vai se explicando, até que ele fica com ciúme de um rapaz e a Rosinha acha o máximo - ?!?!?!. Se fossem adultos já seria muito triste, mas, hello!, são crianças! Personagens crianças falando para leitores crianças!
Logo vi que não seria por ali que iria esfriar a cabeça... e então lembrei da minha querida, amada, adorada, salve, salve Mafalda!!!
Corri pra estante e comecei a me deliciar com as histórias dessa turminha do barulho, que já trata de fazer as análises críticas, deixando pra gente as risadas de um humor inteligente e agudo.
E qual não foi minha surpresa ao descobrir que o Quino, o feliz autor, chama-se Joaquín! Com todo respeito ao pai de Maria, avô de Jesus (todo respeito mesmo, é sério), mas agora o nome do filhote ganhou um brilho todo mais especial :)
Seguem então algumas tirinhas que separei para ilustrar O Filho do Aralume. Por incrível que pareça, ando me identificando muito com a Susanita, rs...
Essa última eu atualizaria dizendo que não estou nem aí pra superpopulação e que eu quero é ser mãe! Durmam com um barulho desse...
E pra Mafalda não ficar se sentindo rejeitada, segue uma dela genial (genial dentro desse tema, pois tem váááááárias geniais!).
Pois bem, mas ela é dessas bruxas para as quais não adianta mentir... fez uma cara de "ãhã, vou fingir que acredito" e me mandou ler Turma da Mônica. Mentirosa, mas obediente, saí do consultório e comprei uma revistinha do Chico Bento - ah, que doces lembranças as leituras do Chico Bento, tão remetentes à minha infância na roça... e lá fui eu, feliz da vida, esfriar a cabeça!
Má quê? Pra começar já fiquei chocada ao saber que a Mônica vai casar com o Cebolinha (que agora chama Cebola!), num anúncio da revista especial da Turma da Mônica Jovem. Chocada mesmo! Ok, vamos em frente... vamos entrar na roça, nadar em rio e roubar goiaba do Nhô Lau!
Só que comecei a achar aquelas historinhas meio estranhas... sei lá, umas atitudes esquisitas, umas condutas questionáveis... será que sempre foi assim e eu achava normal ou é o fim do mundo se aproximando mesmo?! A gota d´água foi uma historinha na qual a Rosinha dá sucessivos ataques de ciúme e o Chico vai se explicando, até que ele fica com ciúme de um rapaz e a Rosinha acha o máximo - ?!?!?!. Se fossem adultos já seria muito triste, mas, hello!, são crianças! Personagens crianças falando para leitores crianças!
Logo vi que não seria por ali que iria esfriar a cabeça... e então lembrei da minha querida, amada, adorada, salve, salve Mafalda!!!
Corri pra estante e comecei a me deliciar com as histórias dessa turminha do barulho, que já trata de fazer as análises críticas, deixando pra gente as risadas de um humor inteligente e agudo.
E qual não foi minha surpresa ao descobrir que o Quino, o feliz autor, chama-se Joaquín! Com todo respeito ao pai de Maria, avô de Jesus (todo respeito mesmo, é sério), mas agora o nome do filhote ganhou um brilho todo mais especial :)
Seguem então algumas tirinhas que separei para ilustrar O Filho do Aralume. Por incrível que pareça, ando me identificando muito com a Susanita, rs...
Essa última eu atualizaria dizendo que não estou nem aí pra superpopulação e que eu quero é ser mãe! Durmam com um barulho desse...
E pra Mafalda não ficar se sentindo rejeitada, segue uma dela genial (genial dentro desse tema, pois tem váááááárias geniais!).
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