Certamente você já se viu nessa situação: por algum motivo ficou muito bravo, muito irritado, elevou o tom de voz, marinando isso tudo em lágrimas, enquanto o espectador da cena mantinha-se impassível, ousando até a pedir calma, coisa que agravava ainda mais o quadro e invariavelmente fazia o vulcão explodir de vez. Como assim pedir calma?!?! Ou a pessoa não entendeu a gravidade da situação, ou tá tirando com a minha cara!
Pois é exatamente isso o que acontece quando uma criança pequena faz birra e a gente tenta acalmá-la... a teoria não é minha, mas do Dr. Harvey Karp, autor dos livros/DVDs "O bebê mais feliz do pedaço" e "A criança mais feliz do pedaço", cujos quais recomendo fortemente!!!
Pra mim foi mais fácil aplicar as teorias relacionadas a bebês, especialmente recém nascidos. As teorias pra crianças pequenas me pareceram um tanto quanto teatrais e não me considero boa atriz... mas esses dias baixou uma Fernanda Torres aqui e consegui entrar na cena do Joaquim. Foi INACREDITÁVEL!!!
Cena 1: Joaquim assistindo videos de tratores no you tube, pelo tablet, amarradão (sim, de vez em quando ele assiste, também sou humana!)
Cena 2: acaba a bateria do tablet e a mamãe calmamente explica que precisa ficar na tomada carregando e consequentemente não dava mais pra assistir (fora isso ele já tinha ficado uns 20 minutos e foi minha deixa pra encerrar de vez a sessão junk do dia)
Cena 3: adivinha?! Berros, sapateados, criança deitada no chão batendo mãos e pés e gritando. Isso mesmo, um clássico!
Cena 4: mamãe tenta explicar que precisa carregar e não dá pra assistir, blablabla. Óbvio que só piora...
Cena 5: eis que entra a Fernanda Torres (adoro! e dizem que sou parecida com ela, rs...) e começa a falar um pouco alto, um pouco rápido, muito preocupada, com olhos arregalados. Repetindo o que tinha acontecido: ah não, acabou a bateriiiiiiiia!!! Poxa vida, agora precisa carregaaaaaaar!!! E agora, e agora?!
Cena 5: Joaquim soluçando, olhos arregalados, prestando total atenção no que eu estava falando e aos poucos se acalmando.
Cena 6: muda-se o cenário, apresenta-se um brinquedo esquecido e o tablet ficou pra trás... paz. Simples assim!
Dizem que funciona entre adultos também...
O Filho do Aralume é um espaço pequeno e acolhedor para falar, pensar e sentir a maternidade. Mas não pense que o papo é morno, ou cor de rosa, ou água com açúcar. É pra quem não compra pacote pronto, é pra quem leva a vida a sério!
quinta-feira, 13 de agosto de 2015
sexta-feira, 1 de maio de 2015
Brincadeira e trabalho
A reflexão da vez é sobre brincadeira. Sobre a qualidade do brincar que proporcionamos às nossas crianças, mas mais ainda sobre como lidamos com a brincadeira enquanto adultos.
Brincar é humano e enquanto formos humanos precisaremos brincar!
Na infância a brincadeira molda, desenvolve, dá asas e dá chão. No adulto a brincadeira vitaliza, limpa (adoro a expressão "de alma lavada" - brincadeira lava a alma!). A brincadeira surge da criatividade ao mesmo tempo que a alimenta. Isso é vitalidade, um crescente contínuo onde não há um final, tudo é transformação.
Brincadeira é criatividade e criatividade só aflora em liberdade.
Pra criança liberdade é simplesmente a não interferência do adulto. Longe de ser negligência ou abandono. É não interferir cuidando, protegendo (super proteção não existe... se perde a medida vira sufocamento, é preciso estar atento e forte...). Deixar rolar. Dar tempo. Ah, o tempo! Claro que em algum momento o adulto poderá/deverá intervir, justamente pra manter o cuidado e a proteção, mas tenha em mente que a limitação do tempo é sua, não da criança. Tempo: quanto mais, melhor. Pro adulto liberdade é fazer porque gosta e não porque "tem que entregar amanhã". Liberdade é fazer como gosta e não do jeito que leu no manual, que o chefe mandou, que apareceu na TV, que está na moda. Mas, antes disso, liberdade é escolher os combinados que vai assinar embaixo. O combinado não sai caro...
Criança brinca, adulto trabalha. E se fosse o contrário?
E se levássemos a brincadeira da criança tão a sério quanto levamos nossos compromissos profissionais?
E se levássemos nossos trabalhos com a leveza de uma brincadeira, com a criatividade de uma brincadeira, com o prazer de uma brincadeira?
Só que provavelmente fomos uma criança desrespeitada em seu brincar. Em maior ou menor grau certamente fomos (não culpe seus pais, por favor! Isso não vai ajudar em nada...). E agora, enquanto adultos, quando adquirimos independência sobre nossos atos, quando podemos exercitar o brincar da forma mais livre que existe, quando nós que fazemos todas as regras, quando finalmente podemos mandar e desmandar nos nossos horários e ritmos e idas-e-vindas, quando podemos brincar com fogo e com faca, aí nos deparamos com outras regras, com outras hierarquias, com novos horários e aquela criança que fomos, aquela criança desrespeitada em seu brincar, surge com acessos de birra e choradeira. Ou quem você acha que está se manifestando toda vez que você sofre ao olhar pro relógio na hora que ele desperta? Ou quem você acha que resmunga na hora que chega um e-mail do "chefe" cobrando o trabalho?
Enquanto essa criança estiver se sentindo lesada em seu direito de brincar o adulto não conseguirá brincar em paz.
E não tem blá-blá-blá que resolva. Haja terapia. Haja olhar pra dentro, haja olhar pra trás. Haja consciência. Haja perdão.
A magia é que as crianças são muito generosas, as crianças sabem retribuir. Basta um olhar atencioso e amoroso que a manha começa a se dissolver. Isso funciona com crianças em tamanho de criança e com crianças em corpos de adultos.
Mas por outro lado não é só culpa da criança carente o desconforto com o despertador. Existe sim uma questão biológica, uma questão de humanidade. Por que tivemos que nos organizar de uma forma completamente desumana?
Por que aceitamos pagar esse preço? Em troca de uma segurança ilusória, de um conforto ilusório, de uma previsibilidade ilusória... não vou me atrever a responder essa questão. Não sei como isso começou, mas sei que não está dando certo.
Criança vai pra escola, adulto trabalha.
Não importa onde vive. Não importa em que fase da vida está, o adulto trabalha 8 ou 10 horas por dia, no mínimo. E pior: trabalho é trabalho, família é família e diversão é diversão. Isso não é biológico!
Mas o segredo "que eles não sabem" é que se conseguirmos voltar - na verdade não há volta, a questão não é linear - mas se conseguirmos retomar um ritmo humano, certamente seremos mais produtivos. Não produtivos no sentido de apertar mais parafusos para fabricar mais carros para dar mais dinheiro a uma ou duas pessoas enquanto continuamos a andar de ônibus lotado. Seremos mais criativos, seremos mais felizes, pelo simples fato de que "gente nasceu pra brilhar", a natureza é próspera, Vida quer Vida.
Viver de forma anti-humana não é viver, é sobreviver. Até quando?
Brincar é humano e enquanto formos humanos precisaremos brincar!
Na infância a brincadeira molda, desenvolve, dá asas e dá chão. No adulto a brincadeira vitaliza, limpa (adoro a expressão "de alma lavada" - brincadeira lava a alma!). A brincadeira surge da criatividade ao mesmo tempo que a alimenta. Isso é vitalidade, um crescente contínuo onde não há um final, tudo é transformação.
Brincadeira é criatividade e criatividade só aflora em liberdade.
Pra criança liberdade é simplesmente a não interferência do adulto. Longe de ser negligência ou abandono. É não interferir cuidando, protegendo (super proteção não existe... se perde a medida vira sufocamento, é preciso estar atento e forte...). Deixar rolar. Dar tempo. Ah, o tempo! Claro que em algum momento o adulto poderá/deverá intervir, justamente pra manter o cuidado e a proteção, mas tenha em mente que a limitação do tempo é sua, não da criança. Tempo: quanto mais, melhor. Pro adulto liberdade é fazer porque gosta e não porque "tem que entregar amanhã". Liberdade é fazer como gosta e não do jeito que leu no manual, que o chefe mandou, que apareceu na TV, que está na moda. Mas, antes disso, liberdade é escolher os combinados que vai assinar embaixo. O combinado não sai caro...
Criança brinca, adulto trabalha. E se fosse o contrário?
E se levássemos a brincadeira da criança tão a sério quanto levamos nossos compromissos profissionais?
E se levássemos nossos trabalhos com a leveza de uma brincadeira, com a criatividade de uma brincadeira, com o prazer de uma brincadeira?
Só que provavelmente fomos uma criança desrespeitada em seu brincar. Em maior ou menor grau certamente fomos (não culpe seus pais, por favor! Isso não vai ajudar em nada...). E agora, enquanto adultos, quando adquirimos independência sobre nossos atos, quando podemos exercitar o brincar da forma mais livre que existe, quando nós que fazemos todas as regras, quando finalmente podemos mandar e desmandar nos nossos horários e ritmos e idas-e-vindas, quando podemos brincar com fogo e com faca, aí nos deparamos com outras regras, com outras hierarquias, com novos horários e aquela criança que fomos, aquela criança desrespeitada em seu brincar, surge com acessos de birra e choradeira. Ou quem você acha que está se manifestando toda vez que você sofre ao olhar pro relógio na hora que ele desperta? Ou quem você acha que resmunga na hora que chega um e-mail do "chefe" cobrando o trabalho?
Enquanto essa criança estiver se sentindo lesada em seu direito de brincar o adulto não conseguirá brincar em paz.
E não tem blá-blá-blá que resolva. Haja terapia. Haja olhar pra dentro, haja olhar pra trás. Haja consciência. Haja perdão.
A magia é que as crianças são muito generosas, as crianças sabem retribuir. Basta um olhar atencioso e amoroso que a manha começa a se dissolver. Isso funciona com crianças em tamanho de criança e com crianças em corpos de adultos.
Mas por outro lado não é só culpa da criança carente o desconforto com o despertador. Existe sim uma questão biológica, uma questão de humanidade. Por que tivemos que nos organizar de uma forma completamente desumana?
Por que aceitamos pagar esse preço? Em troca de uma segurança ilusória, de um conforto ilusório, de uma previsibilidade ilusória... não vou me atrever a responder essa questão. Não sei como isso começou, mas sei que não está dando certo.
Criança vai pra escola, adulto trabalha.
Não importa onde vive. Não importa em que fase da vida está, o adulto trabalha 8 ou 10 horas por dia, no mínimo. E pior: trabalho é trabalho, família é família e diversão é diversão. Isso não é biológico!
Mas o segredo "que eles não sabem" é que se conseguirmos voltar - na verdade não há volta, a questão não é linear - mas se conseguirmos retomar um ritmo humano, certamente seremos mais produtivos. Não produtivos no sentido de apertar mais parafusos para fabricar mais carros para dar mais dinheiro a uma ou duas pessoas enquanto continuamos a andar de ônibus lotado. Seremos mais criativos, seremos mais felizes, pelo simples fato de que "gente nasceu pra brilhar", a natureza é próspera, Vida quer Vida.
Viver de forma anti-humana não é viver, é sobreviver. Até quando?
Criança - Adulto
Brincadeira - Trabalho
(brincadeira sem qualidade, brincadeira enlatada - trabalho sem prazer, trabalho por obrigação)
Escola - Trabalho
(preparação para o trabalho - constatação de que aquela preparação só atrapalhou)
.
.
.
V.I.D.A
S.E.R H.U.M.A.N.O
(sem dicotomia, sem regra fixa, respeito aos ritmos biológicos, valorização das relações)
sexta-feira, 3 de abril de 2015
Nossa primeira festa de aniversário!
Quando Joaquim fez um ano fizemos uma festa modesta. Um jantar no próprio dia, durante a semana, com poucas pessoas. Foi muito especial, foi bonito, foi suave. Acho que combinou com a comemoração de um ano.
Agora, com dois anos, deu vontade de fazer uma festa, de ver bastante criança, enfeitar a casa.
Escolhemos a casa da vovó Cris e do vovô Ed, que tem um quintal muito especial. Não deu pra escapar das águas de março e a castigada grama virou um woodstock infantil... um sucesso!
Teve até piscina de bolinhas! Teve até fotógrafo profissional!
Teve comidinhas simples: torta de liquidificador, milho cozido, salgadinhos encomendados pra facilitar a vida. Tudo vegetariano!
Os convidados levaram frutas e sucos, sem açúcar. Aliás, esse não foi convidado.
O docinho era de tapioca com leite de coco e geleia de morango sem açúcar (aquela da Queensberry, sabe?). Foi invenção minha, que depois o Paulo Cesar batizou: Nuvem de Tapioca com Lambidas de Geleia! Um toque gourmetizador, rs...
O bolo, ou melhor os bolos, eram de banana, com uva passa, aveia, linhaça, castanha do pará e avelã. Sim, vegano e sem açúcar. O convidado do mal continuou de fora (não tenho nada contra leite e ovo, mas gosto de maneirar. Do mal mesmo só o pó branco... mesmo quando vem disfarçado de marrom...).
Chegamos de viagem na segunda-feira pra fazer a festa acontecer no sábado, ou seja, corrido! Não tive tempo de ir atrás de grandes produções, mas pra deixar os bolos mais "apresentáveis" polvilhei cacau em pó e joguei umas bolinhas de flocos de arroz, ideia que tive no dia da festa, na hora de sair de casa com toda a tralha! Foi só pra enfeitar mesmo, afinal, festa precisa de enfeite! E enfeite não precisa ser de açúcar nem ter corante... e também não precisa dar muito trabalho.
Pra criançada se divertir, fora a piscina de bolinhas, tinha uma parede forrada com papel e caixinhas de giz de cera.
Tinha muita bola, carrinhos, caminhões.
As meninas levaram suas bonecas, como que se preparando pra vida de mãe que sai com o filho pendurado... mas teve muito pai disposto a ajudar!
Na decoração bolonas de papel de seda que a vovó Cris fez. Eu tinha planejado mais coisa, mas a chuva e o cronograma apertado não deixaram... fica pra próxima.
Agradeço demais a todos que foram! Agradeço à minha mãe e ao Edmilson por terem cedido a casa e o fim de semana, trabalhando com alegria antes, durante e depois da festa!
Peço desculpa aos amigos que não pudemos convidar, pois o espaço era limitado e tivemos que priorizar as famílias com crianças, afinal, foi uma festa de criança e pra criança, mas nisso um monte de amigo super querido acabou ficando de fora... a próxima festa será pra vocês!
De qualquer forma, aquele convite que fiz no começo do ano, para que os amigos nos visitem mais, continua de pé! Festa é muito bom, mas em festa a gente não fica junto de fato. Deu mais saudade de cada pessoa que foi, deu mais vontade de estar junto, de conversar, sem pressa. Como faz?
Precisa de atenção, precisa de energia, precisa romper a inércia, precisa até ser um pouco cara de pau. Parece que a gente anda com muito receio de incomodar o outro, quando na verdade seria um grande agrado. Pra fazer uma visita inventamos que tem que mandar uma mensagem, um email, fazer um telefonema, combinar com três meses de antecedência. Chega disso! Colaê!
Outra coisa que pensei, agora filosofando a festa: acho que festa dá tanto trabalho e é tão cansativa porque temos cada vez menos amigos "de casa". Aquele amigo que abre a geladeira e se vira, que sabe onde tem mais copo, que sabe onde fica o pano de chão. Juntando isso ao fato de que geralmente estamos já tão cansados da rotina normal da semana que quando tem uma festa queremos simplesmente usufruir, não queremos "compromisso" e achamos o máximo ter uma comidinha boa pronta e não ter que lavar a louça.
Pra primeira constatação, façamos mais amigos "de casa"; sejamos mais amigos "de casa". Vamos fazer com que as pessoas se sintam à vontade nas nossas casas! E pra exercitar isso basta ter mais amigos em casa ;)
Já pra segunda, talvez não seja tão fácil, mas precisamos de semanas menos cansativas. Precisamos nos doar menos pro trabalho e mais pras relações com as pessoas queridas. Que tal ao invés de trabalhar pra pagar o buffet, trabalhar menos durante a semana e ter disposição pra fazer uma festa? E ter disposição pra ajudar a amiga a fazer a festa?
Eu sonho com festas colaborativas, festas comunitárias, festas orgânicas, festas autogeridas!
Em tempo: isso aqui não é indireta nem direta pra ninguém! São reflexões pessoais que gosto de compartilhar. Sinto em mim a necessidade de sair um pouco do controle, de abrir mão de algumas expectativas, abrindo assim espaço para que a participação ocorra.
Nessa festa considero que dei um ou dois passos importantes e facilitou demais não ser na minha casa, rs... ah, apego! Mas quero abrir mais as portas da minha casa. Quero por em prática essas constatações, quero ter mais amigos "de casa". Vem?
Agora, com dois anos, deu vontade de fazer uma festa, de ver bastante criança, enfeitar a casa.
Escolhemos a casa da vovó Cris e do vovô Ed, que tem um quintal muito especial. Não deu pra escapar das águas de março e a castigada grama virou um woodstock infantil... um sucesso!
Teve até piscina de bolinhas! Teve até fotógrafo profissional!
(o Fábio, ou Fabinho, como sempre o chamei, é amigo de longa data. Nos conhecemos quando ele começou a namorar minha amiga Gisele, lá pelos idos do extinto "primeiro colegial". O namoro firmou, eles casaram e veio o Matheus, que nasceu no mesmo dia do Joaquim, ou melhor, o Joaquim nasceu no mesmo dia dele, mas três anos depois!)
E teve também descartáveis chiquérrimos que trouxemos da Holanda, garimpados pela tia Ana, que dá um jeito de se fazer presente, até quando está do outro lado do oceano! (sobre descartáveis podemos conversar outra hora, rs...)
Os convidados levaram frutas e sucos, sem açúcar. Aliás, esse não foi convidado.
O docinho era de tapioca com leite de coco e geleia de morango sem açúcar (aquela da Queensberry, sabe?). Foi invenção minha, que depois o Paulo Cesar batizou: Nuvem de Tapioca com Lambidas de Geleia! Um toque gourmetizador, rs...
O bolo, ou melhor os bolos, eram de banana, com uva passa, aveia, linhaça, castanha do pará e avelã. Sim, vegano e sem açúcar. O convidado do mal continuou de fora (não tenho nada contra leite e ovo, mas gosto de maneirar. Do mal mesmo só o pó branco... mesmo quando vem disfarçado de marrom...).
Chegamos de viagem na segunda-feira pra fazer a festa acontecer no sábado, ou seja, corrido! Não tive tempo de ir atrás de grandes produções, mas pra deixar os bolos mais "apresentáveis" polvilhei cacau em pó e joguei umas bolinhas de flocos de arroz, ideia que tive no dia da festa, na hora de sair de casa com toda a tralha! Foi só pra enfeitar mesmo, afinal, festa precisa de enfeite! E enfeite não precisa ser de açúcar nem ter corante... e também não precisa dar muito trabalho.
Dois anos, dois bolos! Não foi de caso pensado, é que eu só tinha essas duas formas mesmo, rs... as velas também apareceram literalmente na última hora, reaproveitadas do aniversário do vovô Ed. Eu não queria o número 2, encanei que queria as duas unidades.
Pra criançada se divertir, fora a piscina de bolinhas, tinha uma parede forrada com papel e caixinhas de giz de cera.
Tinha muita bola, carrinhos, caminhões.
As meninas levaram suas bonecas, como que se preparando pra vida de mãe que sai com o filho pendurado... mas teve muito pai disposto a ajudar!
Na decoração bolonas de papel de seda que a vovó Cris fez. Eu tinha planejado mais coisa, mas a chuva e o cronograma apertado não deixaram... fica pra próxima.
Agradeço demais a todos que foram! Agradeço à minha mãe e ao Edmilson por terem cedido a casa e o fim de semana, trabalhando com alegria antes, durante e depois da festa!
Peço desculpa aos amigos que não pudemos convidar, pois o espaço era limitado e tivemos que priorizar as famílias com crianças, afinal, foi uma festa de criança e pra criança, mas nisso um monte de amigo super querido acabou ficando de fora... a próxima festa será pra vocês!
De qualquer forma, aquele convite que fiz no começo do ano, para que os amigos nos visitem mais, continua de pé! Festa é muito bom, mas em festa a gente não fica junto de fato. Deu mais saudade de cada pessoa que foi, deu mais vontade de estar junto, de conversar, sem pressa. Como faz?
Precisa de atenção, precisa de energia, precisa romper a inércia, precisa até ser um pouco cara de pau. Parece que a gente anda com muito receio de incomodar o outro, quando na verdade seria um grande agrado. Pra fazer uma visita inventamos que tem que mandar uma mensagem, um email, fazer um telefonema, combinar com três meses de antecedência. Chega disso! Colaê!
Outra coisa que pensei, agora filosofando a festa: acho que festa dá tanto trabalho e é tão cansativa porque temos cada vez menos amigos "de casa". Aquele amigo que abre a geladeira e se vira, que sabe onde tem mais copo, que sabe onde fica o pano de chão. Juntando isso ao fato de que geralmente estamos já tão cansados da rotina normal da semana que quando tem uma festa queremos simplesmente usufruir, não queremos "compromisso" e achamos o máximo ter uma comidinha boa pronta e não ter que lavar a louça.
Pra primeira constatação, façamos mais amigos "de casa"; sejamos mais amigos "de casa". Vamos fazer com que as pessoas se sintam à vontade nas nossas casas! E pra exercitar isso basta ter mais amigos em casa ;)
Já pra segunda, talvez não seja tão fácil, mas precisamos de semanas menos cansativas. Precisamos nos doar menos pro trabalho e mais pras relações com as pessoas queridas. Que tal ao invés de trabalhar pra pagar o buffet, trabalhar menos durante a semana e ter disposição pra fazer uma festa? E ter disposição pra ajudar a amiga a fazer a festa?
Eu sonho com festas colaborativas, festas comunitárias, festas orgânicas, festas autogeridas!
Em tempo: isso aqui não é indireta nem direta pra ninguém! São reflexões pessoais que gosto de compartilhar. Sinto em mim a necessidade de sair um pouco do controle, de abrir mão de algumas expectativas, abrindo assim espaço para que a participação ocorra.
Nessa festa considero que dei um ou dois passos importantes e facilitou demais não ser na minha casa, rs... ah, apego! Mas quero abrir mais as portas da minha casa. Quero por em prática essas constatações, quero ter mais amigos "de casa". Vem?
quinta-feira, 19 de março de 2015
Pode ou não pode?!
Foi numa dinâmica de um grupo muito querido e ainda anônimo que me deparei com uma amarra bastante incômoda: pode ou não pode?
A atividade foi claramente explicada. Os combinados eram simples. No entanto, em diversos momentos a pergunta "isso pode?" vinha à minha mente. Na dúvida, eu não agia. Na dúvida, eu julgava (Fulano tá fazendo isso. Será que pode?).
Percebi então o número de vezes que meu filho de 2 anos me pergunta se pode. O engraçado é que ele fica perguntando até eu falar que pode, rs...
Mas fiquei preocupada, incomodada, envergonhada, culpada - essas coisas todas que as mães ficam - ao constatar a presença constante do "pode ou não pode" na nossa vida.
Motivada também por outras conversas e acontecimentos recentes, comecei a matutar sobre a educação, as regras, as exceções... e, por enquanto, começo a desconfiar que uma educação baseada em respeito e presença não tem regras nem exceções, tem situações.
Não é fácil, mas quem disse que seria?!
Ao desenvolver esse pensamento logo me veio a imagem da Justiça, vendada, coitada. Coitada dela, que tem que resolver tudo com os olhos fechados, e coitados de nós, que ficamos à mercê de regras únicas aplicadas a situações absolutamente diversas.
Certamente que a vida em sociedade, ou mesmo a vida em comunidade, precisa de acordos, precisa de combinados. A diferença entre um combinado e uma regra é que o combinado é negociável. Ou melhor: o combinado é negociado.
- Vamos fazer assim?
- Hum, assim não dá, que tal assado?
- Legal, pode ser!
... passam-se dias...
- Oi, vamos fazer assado?
- Ah, hoje não dá, é melhor fazer assim
- Beleza!
... ou ainda...
- Vamos fazer assim?
- Não quero, que tal assado?
- Ah, não gosto... que tal assim-assado?
- Ok!
Como saber quando é assim ou assado ou assim-assado? Con-ver-san-do. Como explicar que um dia precisa ser assim e outro dia precisa ser assado? Não precisa! Não precisa explicar! Se a decisão é pautada em respeito e presença não há com que se preocupar, a situação explica por si!
Chegamos então ao ponto chave: manter a presença, agir com respeito.
Tirar a venda dos olhos. É preciso estar atento e forte!
Num primeiro momento pode parecer mais difícil, inseguro, subjetivo. Mas difícil e desgastante é sustentar uma situação que não contempla o respeito. Inseguro e subjetivo é deixar a presença de lado e delegar a responsabilidade às regras, manuais e todo tipo de pode, não pode, tem que.
Lembrete para quem for aplicar essa teoria mágica e transformadora no trato com crianças:
A criança é mais frágil que o adulto, a criança é mais sensível que o adulto, a criança é um ser em formação, a criança tem menor poder de abstração, pra criança não existe o que foi e o que será, PORTANTO, Dona Justiça, além de tirar a venda dos olhos, peço gentilmente que solte também essa balança! Os pesos e medidas SÃO diferentes quando lidamos com adultos e crianças. A criança precisa de mais respeito, mais atenção, mais cuidado, do que o adulto. Isso não é mimo, isso é ter consciência das premissas básicas citadas acima. Quando digo "mais respeito" entenda o seguinte: se alguém precisa abrir mão de alguma coisa, esse alguém deve ser o adulto.
"Ah, então tem que fazer TUDO-O-QUE a criança quiser?!"
Não! Enquanto adultos temos a grande responsabilidade de sermos cuidadores, guardiões. Por exemplo, Joaquim pede pra comer doces e eu não deixo. A-há, então não pode?! Não... não é adequado. Comer açúcar não é bom pra ele (um dia ele vai comer, tenho certeza, mas o que importa é o agora e agora não é hora...).
E aqui o que faz diferença não é tanto o fato em si, mas o como. Como contornar um doce? Com aspereza e repreensão? Não, com doçura!!! Se a criança pede doce, ela quer doçura...
Pronto, Dona Justiça, deixe cair também essa espada... ou você nunca viu ninguém compartilhar no Facebook que Gentileza gera Gentileza?!
Vamos parar de associar força a arma. Força a símbolo fálico.
A força da Justiça não está na espada. A força da Justiça está no olhar.
(tentei milhares de vezes incluir aqui uma imagem da Justiça, mas o Blogger não colaborou!!! Faça um favor: digite "justiça" no Google Imagens, rs... eu sei que você a conhece, mas vê-la agora terá outra força...)
__________________________________________________
Dias se passaram, mais um encontro do grupo citado acima aconteceu e nele veio um complemento importante pra essa ideia. Se, por um lado, a Presença e o Respeito resolvem muito do "pode/não pode", por outro, avaliar e decidir tudo em tempo real acaba se tornando cansativo e pode ainda trazer uma atmosfera de insegurança - "fiz isso, o que será que vai acontecer agora?". Dessa forma, alguns acordos e combinados básicos precisam ser estabelecidos para que não fiquemos perdendo tempo - e energia!!! - com detalhes operacionais, por assim dizer.
Exemplo: a clássica, famosa, indefectível disputa de brinquedos entre crianças. Me diga você, mãe que frequenta parquinhos e afins, qual a cena infalível? Duas crianças começam a disputar, correm as duas mães e cada uma fala pro seu filho: "solta o brinquedo! Deixa ele brincar". O dono do brinquedo ouve que precisa emprestar, dividir como amiguinho; o não-dono do brinquedo ouve que aquele brinquedo não é dele e não deve pegar do outro. Agora imagine do ponto de vista da criança. Você é a criança dona do brinquedo: ouviu da mamãe que precisa emprestar pro amiguinho. Agora você foi lá ver o brinquedo do amiguinho, a mesma cena se repete, só que aí você ouve da mamãe que não pode pegar o brinquedo que não é seu. Peraí mano, tem alguma coisa errada!!!
Pra evitar essa confusão existe uma regra básica de convivência que é: quem pegou o brinquedo primeiro fica com o brinquedo. Se isso for explicado de maneira clara pras crianças e se todos os adultos estiverem atentos pra ver quem pegou primeiro e aplicarem o mesmo combinado, existe grandes chances de que a paz acene.
Na prática pode não ser tão simples, porque existe um apego com os brinquedos próprios. Isso funciona muito bem quando ninguém é "dono" do brinquedo.
Mas eu não falei que a regra iria resolver sua vida! A regra facilita em alguns momentos, mas não podemos abrir mão do respeito e da presença.
De qualquer forma, não sou a favor de forçar ninguém a emprestar nada. Não é assim que se aprende a dividir, não é assim que se aprende desapego.
Também não sou a favor de formar seres "bonzinhos". Não tem nada de errado com a criança que não quer emprestar! Ela não está sendo egoísta, não está querendo magoar o outro, está apenas sendo sincera com os sentimentos e desejos dela.
Também não vejo nada de errado com a criança que se encanta com o brinquedo do outro. Quem não gosta de novidade?
A questão é: como vamos proporcionar a essas crianças um ambiente seguro e confortável para que elas descubram como funciona a vida em sociedade? Como vamos ensinar a essas crianças como lidar com frustração, apego, inveja, raiva?
Sugiro que antes examinemos em nós como lidamos com essas emoções. Sugiro que examinemos em nós como lidamos com a vida em sociedade, seus acordos, seus compromissos.
E mais: não dá pra pedir pausa, refletir, chegar a uma conclusão e só então agir. É tudo ao mesmo tempo agora. Haja Presença!
A atividade foi claramente explicada. Os combinados eram simples. No entanto, em diversos momentos a pergunta "isso pode?" vinha à minha mente. Na dúvida, eu não agia. Na dúvida, eu julgava (Fulano tá fazendo isso. Será que pode?).
Percebi então o número de vezes que meu filho de 2 anos me pergunta se pode. O engraçado é que ele fica perguntando até eu falar que pode, rs...
Mas fiquei preocupada, incomodada, envergonhada, culpada - essas coisas todas que as mães ficam - ao constatar a presença constante do "pode ou não pode" na nossa vida.
Motivada também por outras conversas e acontecimentos recentes, comecei a matutar sobre a educação, as regras, as exceções... e, por enquanto, começo a desconfiar que uma educação baseada em respeito e presença não tem regras nem exceções, tem situações.
Não é fácil, mas quem disse que seria?!
Ao desenvolver esse pensamento logo me veio a imagem da Justiça, vendada, coitada. Coitada dela, que tem que resolver tudo com os olhos fechados, e coitados de nós, que ficamos à mercê de regras únicas aplicadas a situações absolutamente diversas.
Certamente que a vida em sociedade, ou mesmo a vida em comunidade, precisa de acordos, precisa de combinados. A diferença entre um combinado e uma regra é que o combinado é negociável. Ou melhor: o combinado é negociado.
- Vamos fazer assim?
- Hum, assim não dá, que tal assado?
- Legal, pode ser!
... passam-se dias...
- Oi, vamos fazer assado?
- Ah, hoje não dá, é melhor fazer assim
- Beleza!
... ou ainda...
- Vamos fazer assim?
- Não quero, que tal assado?
- Ah, não gosto... que tal assim-assado?
- Ok!
Como saber quando é assim ou assado ou assim-assado? Con-ver-san-do. Como explicar que um dia precisa ser assim e outro dia precisa ser assado? Não precisa! Não precisa explicar! Se a decisão é pautada em respeito e presença não há com que se preocupar, a situação explica por si!
Chegamos então ao ponto chave: manter a presença, agir com respeito.
Tirar a venda dos olhos. É preciso estar atento e forte!
Num primeiro momento pode parecer mais difícil, inseguro, subjetivo. Mas difícil e desgastante é sustentar uma situação que não contempla o respeito. Inseguro e subjetivo é deixar a presença de lado e delegar a responsabilidade às regras, manuais e todo tipo de pode, não pode, tem que.
Lembrete para quem for aplicar essa teoria mágica e transformadora no trato com crianças:
A criança é mais frágil que o adulto, a criança é mais sensível que o adulto, a criança é um ser em formação, a criança tem menor poder de abstração, pra criança não existe o que foi e o que será, PORTANTO, Dona Justiça, além de tirar a venda dos olhos, peço gentilmente que solte também essa balança! Os pesos e medidas SÃO diferentes quando lidamos com adultos e crianças. A criança precisa de mais respeito, mais atenção, mais cuidado, do que o adulto. Isso não é mimo, isso é ter consciência das premissas básicas citadas acima. Quando digo "mais respeito" entenda o seguinte: se alguém precisa abrir mão de alguma coisa, esse alguém deve ser o adulto.
"Ah, então tem que fazer TUDO-O-QUE a criança quiser?!"
Não! Enquanto adultos temos a grande responsabilidade de sermos cuidadores, guardiões. Por exemplo, Joaquim pede pra comer doces e eu não deixo. A-há, então não pode?! Não... não é adequado. Comer açúcar não é bom pra ele (um dia ele vai comer, tenho certeza, mas o que importa é o agora e agora não é hora...).
E aqui o que faz diferença não é tanto o fato em si, mas o como. Como contornar um doce? Com aspereza e repreensão? Não, com doçura!!! Se a criança pede doce, ela quer doçura...
Pronto, Dona Justiça, deixe cair também essa espada... ou você nunca viu ninguém compartilhar no Facebook que Gentileza gera Gentileza?!
Vamos parar de associar força a arma. Força a símbolo fálico.
A força da Justiça não está na espada. A força da Justiça está no olhar.
(tentei milhares de vezes incluir aqui uma imagem da Justiça, mas o Blogger não colaborou!!! Faça um favor: digite "justiça" no Google Imagens, rs... eu sei que você a conhece, mas vê-la agora terá outra força...)
__________________________________________________
Dias se passaram, mais um encontro do grupo citado acima aconteceu e nele veio um complemento importante pra essa ideia. Se, por um lado, a Presença e o Respeito resolvem muito do "pode/não pode", por outro, avaliar e decidir tudo em tempo real acaba se tornando cansativo e pode ainda trazer uma atmosfera de insegurança - "fiz isso, o que será que vai acontecer agora?". Dessa forma, alguns acordos e combinados básicos precisam ser estabelecidos para que não fiquemos perdendo tempo - e energia!!! - com detalhes operacionais, por assim dizer.
Exemplo: a clássica, famosa, indefectível disputa de brinquedos entre crianças. Me diga você, mãe que frequenta parquinhos e afins, qual a cena infalível? Duas crianças começam a disputar, correm as duas mães e cada uma fala pro seu filho: "solta o brinquedo! Deixa ele brincar". O dono do brinquedo ouve que precisa emprestar, dividir como amiguinho; o não-dono do brinquedo ouve que aquele brinquedo não é dele e não deve pegar do outro. Agora imagine do ponto de vista da criança. Você é a criança dona do brinquedo: ouviu da mamãe que precisa emprestar pro amiguinho. Agora você foi lá ver o brinquedo do amiguinho, a mesma cena se repete, só que aí você ouve da mamãe que não pode pegar o brinquedo que não é seu. Peraí mano, tem alguma coisa errada!!!
Pra evitar essa confusão existe uma regra básica de convivência que é: quem pegou o brinquedo primeiro fica com o brinquedo. Se isso for explicado de maneira clara pras crianças e se todos os adultos estiverem atentos pra ver quem pegou primeiro e aplicarem o mesmo combinado, existe grandes chances de que a paz acene.
Na prática pode não ser tão simples, porque existe um apego com os brinquedos próprios. Isso funciona muito bem quando ninguém é "dono" do brinquedo.
Mas eu não falei que a regra iria resolver sua vida! A regra facilita em alguns momentos, mas não podemos abrir mão do respeito e da presença.
De qualquer forma, não sou a favor de forçar ninguém a emprestar nada. Não é assim que se aprende a dividir, não é assim que se aprende desapego.
Também não sou a favor de formar seres "bonzinhos". Não tem nada de errado com a criança que não quer emprestar! Ela não está sendo egoísta, não está querendo magoar o outro, está apenas sendo sincera com os sentimentos e desejos dela.
Também não vejo nada de errado com a criança que se encanta com o brinquedo do outro. Quem não gosta de novidade?
A questão é: como vamos proporcionar a essas crianças um ambiente seguro e confortável para que elas descubram como funciona a vida em sociedade? Como vamos ensinar a essas crianças como lidar com frustração, apego, inveja, raiva?
Sugiro que antes examinemos em nós como lidamos com essas emoções. Sugiro que examinemos em nós como lidamos com a vida em sociedade, seus acordos, seus compromissos.
E mais: não dá pra pedir pausa, refletir, chegar a uma conclusão e só então agir. É tudo ao mesmo tempo agora. Haja Presença!
sexta-feira, 13 de março de 2015
Escola: a volta dos que não foram
Não, eu não consegui. Depois de muita crise, muitos questionamentos, muito choro (de ambas as partes, registre-se), decidimos que não é hora do Joaquim ir pra escola. Decidimos que não é hora de voltar a trabalhar.
Apesar da intensidade da crise, a questão é muito simples:
- POR QUE o Joaquim precisaria ir pra escola?
- Pra mamãe voltar a trabalhar. (ponto - nunca teve nada a ver com "conviver com amiguinhos" ou "exercitar as habilidades motoras e cognitivas" - isso jamais me convenceria...)
- E POR QUE a mamãe precisaria voltar a trabalhar?
- Pra ganhar mais dinheiro. (no meu caso não estaria relacionado a "voltar à minha vida", porque minha vida profissional já estava uma bagunça antes do Joaquim nascer. Também não estaria relacionado a uma necessidade de realização pessoal através do trabalho, simplesmente porque esse não é o meu caso... minha relação com trabalho e com realização pessoal é muito mais complexa e cada vez mais eu tenho certeza de que esse não é o momento de resolvê-la. Esse é o momento do Joaquim! O problema é que de seis em seis meses eu acho que "acabou o momento do Joaquim" e que chegou o "meu momento". Mas logo em seguida eu percebo que não...)
Bom, se o sofrimento todo era "só" pra ganhar mais dinheiro, foi só fazer algumas contas pra ver que não precisava de sofrimento. Simples assim.
Claro que na prática não foi simples. Demorei pra formular a equação.
Depois que ela estava clara a solução não foi difícil. E não consigo não me culpar por não enxergar as coisas antes. Mesmo sabendo que a culpa não ajuda em nada... mesmo sabendo que tudo faz parte do processo...
A primeira semana sem escola foi pura celebração! Tudo fluía, tudo era leve. A sensação era que eu estava vivendo plenamente de acordo com a minha Verdade.
Na segunda semana não foi bem assim... caí novamente numa armadilha de achar que "tenho que trabalhar". Percebi um pouco tarde, mas não muito. Esse tema vai voltar. Essa questão é forte: trabalho - dinheiro - quem paga as contas - o que vale mais - quem vale mais - como as coisas são valoradas - quais os pesos e as medidas.
Sim, eu ia falar de escola...
O fato é que nada me convence que escola, em se tratando de primeira infância, pelo menos, é uma simples necessidade da família de "deixar as crianças em algum lugar". PRA QUÊ?! Tem que ser assim?! Quais as prioridades? Quem é o ser mais importante da sua vida e que lugar ele ocupa nessa lista?
Se a essa altura você está revoltado pode ser por dois motivos:
1. não compartilhamos da mesma premissa. É capaz que você ache que a escola tem outras (nobres) funções que não só a de "depósito de criança". Podemos conversar sobre isso...
2. você realmente concorda com o que eu disse, mas se vê numa teia, num beco, numa equação enigmática. Podemos conversar sobre isso também... não vou resolver seus problemas, cada um tem seu caminho, mas não é a toa que vivemos em sociedade. Podemos nos ajudar. Devemos nos ajudar...
E se você não está revoltado, se você já vive - ou está disposto a viver - esse novo paradigma, vamos conversar sobre isso!!! Ainda estou engatinhando, também preciso de ajuda!
Apesar da intensidade da crise, a questão é muito simples:
- POR QUE o Joaquim precisaria ir pra escola?
- Pra mamãe voltar a trabalhar. (ponto - nunca teve nada a ver com "conviver com amiguinhos" ou "exercitar as habilidades motoras e cognitivas" - isso jamais me convenceria...)
- E POR QUE a mamãe precisaria voltar a trabalhar?
- Pra ganhar mais dinheiro. (no meu caso não estaria relacionado a "voltar à minha vida", porque minha vida profissional já estava uma bagunça antes do Joaquim nascer. Também não estaria relacionado a uma necessidade de realização pessoal através do trabalho, simplesmente porque esse não é o meu caso... minha relação com trabalho e com realização pessoal é muito mais complexa e cada vez mais eu tenho certeza de que esse não é o momento de resolvê-la. Esse é o momento do Joaquim! O problema é que de seis em seis meses eu acho que "acabou o momento do Joaquim" e que chegou o "meu momento". Mas logo em seguida eu percebo que não...)
Bom, se o sofrimento todo era "só" pra ganhar mais dinheiro, foi só fazer algumas contas pra ver que não precisava de sofrimento. Simples assim.
Claro que na prática não foi simples. Demorei pra formular a equação.
Depois que ela estava clara a solução não foi difícil. E não consigo não me culpar por não enxergar as coisas antes. Mesmo sabendo que a culpa não ajuda em nada... mesmo sabendo que tudo faz parte do processo...
A primeira semana sem escola foi pura celebração! Tudo fluía, tudo era leve. A sensação era que eu estava vivendo plenamente de acordo com a minha Verdade.
Na segunda semana não foi bem assim... caí novamente numa armadilha de achar que "tenho que trabalhar". Percebi um pouco tarde, mas não muito. Esse tema vai voltar. Essa questão é forte: trabalho - dinheiro - quem paga as contas - o que vale mais - quem vale mais - como as coisas são valoradas - quais os pesos e as medidas.
Sim, eu ia falar de escola...
O fato é que nada me convence que escola, em se tratando de primeira infância, pelo menos, é uma simples necessidade da família de "deixar as crianças em algum lugar". PRA QUÊ?! Tem que ser assim?! Quais as prioridades? Quem é o ser mais importante da sua vida e que lugar ele ocupa nessa lista?
Se a essa altura você está revoltado pode ser por dois motivos:
1. não compartilhamos da mesma premissa. É capaz que você ache que a escola tem outras (nobres) funções que não só a de "depósito de criança". Podemos conversar sobre isso...
2. você realmente concorda com o que eu disse, mas se vê numa teia, num beco, numa equação enigmática. Podemos conversar sobre isso também... não vou resolver seus problemas, cada um tem seu caminho, mas não é a toa que vivemos em sociedade. Podemos nos ajudar. Devemos nos ajudar...
E se você não está revoltado, se você já vive - ou está disposto a viver - esse novo paradigma, vamos conversar sobre isso!!! Ainda estou engatinhando, também preciso de ajuda!
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
Começamos na escola... muita, muita coisa pra falar sobre isso. Mas agora não dá, mamãe precisa trabalhar.
Na semana passada, a primeira, você chorou um pouco. Sexta-feira ficou bem e fui comprar o resto do seu material. Saí da escola ouvindo no carro "O último por do sol". ´No dia em que você foi embora eu fiquei sozinho no mundo sem ter ninguém...´ desabando de chorar, sentindo na pele o rasgo da separação.
Ontem não quis saber de ficar sem a mamãe. Hoje ficou. Mas não disse tchau. Entendi que é demais: "ok, eu fico, mas não me pede pra falar tchau".
Dessa vez vim embora ouvindo "Tem mais samba". Vem que passa teu sofrer, se todo mundo sambasse seria tão fácil viver...
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Hoje foi o primeiro dia da sua vida que você passou sem mamar. Resolvemos isso ontem. Você disse até tchau. Eu chorei. Chorei que nem besta. Chorei porque me dei conta que meu bebê foi embora. Acabou. Ficou pra trás. Chorei porque saudade é uma coisa que me corroi e saudade do que não volta é cruel demais. Chorei porque fiquei lembrando da sua carinha mamando. Olhões abertos pra lá e pra cá. Olhos revirando de prazer, sono e relaxamento. Olhos fechados no mundo dos sonhos. E as bochechas?! E a boca?! O cabelo molhado de suor.
Ah filho, que bons momentos passamos! É verdade que ultimamente andava um pouco sofrido. Sei lá, me dava uma coisa estranha, um incômodo, uma vontade de ter meu corpo de volta. Nessas horas você não mamava. Eu preferia te ver chorando e lidar com isso do que amamentar com sentimentos ruins.
Sinto que você também estava precisando soltar as amarras, viver novas aventuras, mergulhar de cabeça num pratão de comida, largar a muleta e cair de sono.
E a sensação mais doida foi de que agora você não é mais meu. Vai saber se onde dia foi; vai saber se um dia deixará de ser. Mas nesse momento algo mudou nessa configuração.
Hoje foi só o primeiro dia. Não sei como vai ser amanhã. Não sei como meus peitos vão se comportar, já conversei com eles, expliquei o que estamos resolvendo e agradeci muito, muito, muito pela dádiva que eles nos proporcionaram. Mas talvez eu ainda precise de você. E preciso mesmo, até te contei isso hoje enquanto fazia você dormir. Faz uns dias já que você dorme sem mamar. Nos primeiros dias dormia no colo, mas logo passou a ir direto pra cama, às vezes me chamando pra deitar ao seu lado. Hoje eu perguntei: colinho ou cama? Você respondeu colinho, me estendendo os braços. Eu te abracei e agradeci, porque eu também preciso do seu colo.
O Joaquim tem que desmamar da mamãe e a mamãe tem que desmamar do Joaquim. Eu te ajudo, você me ajuda. Mas nos momentos em que "alguém tem que ser forte", fique tranquilo. Esse alguém sou eu.
Ah filho, que bons momentos passamos! É verdade que ultimamente andava um pouco sofrido. Sei lá, me dava uma coisa estranha, um incômodo, uma vontade de ter meu corpo de volta. Nessas horas você não mamava. Eu preferia te ver chorando e lidar com isso do que amamentar com sentimentos ruins.
Sinto que você também estava precisando soltar as amarras, viver novas aventuras, mergulhar de cabeça num pratão de comida, largar a muleta e cair de sono.
E a sensação mais doida foi de que agora você não é mais meu. Vai saber se onde dia foi; vai saber se um dia deixará de ser. Mas nesse momento algo mudou nessa configuração.
Hoje foi só o primeiro dia. Não sei como vai ser amanhã. Não sei como meus peitos vão se comportar, já conversei com eles, expliquei o que estamos resolvendo e agradeci muito, muito, muito pela dádiva que eles nos proporcionaram. Mas talvez eu ainda precise de você. E preciso mesmo, até te contei isso hoje enquanto fazia você dormir. Faz uns dias já que você dorme sem mamar. Nos primeiros dias dormia no colo, mas logo passou a ir direto pra cama, às vezes me chamando pra deitar ao seu lado. Hoje eu perguntei: colinho ou cama? Você respondeu colinho, me estendendo os braços. Eu te abracei e agradeci, porque eu também preciso do seu colo.
O Joaquim tem que desmamar da mamãe e a mamãe tem que desmamar do Joaquim. Eu te ajudo, você me ajuda. Mas nos momentos em que "alguém tem que ser forte", fique tranquilo. Esse alguém sou eu.
3 semanas de vida
Pirenópolis, GO
Primeiro acampamento, Praia da Fazenda, Ubatuba, SP
NYC
Sim, é ele mesmo, o Grand Canyon!
Anteontem, acampamento em Itamambuca, Ubatuba, SP
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