quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Eu vi Mamãe Oxum na cachoeira



Eis aqui mais um relato das adoráveis coincidências da vida. "Coincidência" é um termo até superficial para os agrupamentos de sinais e interpretações que vão enfeitando nossa existência, mas, enfim...

Esses dias foi Dia de Iemanjá, o famoso 2 de fevereiro, com festividades por todo o litoral, uma vez que trata-se da Rainha das Águas. Eu achava, com meu vasto conhecimento acerca dos Orixás, que Iemanjá tinha como domínio apenas as águas salgadas, a "Rainha do Mar". E foi por isso que quando o Paulo Cesar, que é louco pelo mar, quis fazer uma oferenda pra Iemanjá nas águas de algum rio interiorano, tratei logo de tirar essa ideia da sua cabeça! Lembrei da música (a do título da postagem) e deduzi que Oxum deveria ser a Orixá das águas doces, sendo assim, seria no mínimo uma tremenda gafe fazer oferenda pra Iemanjá em águas doces. Sem falar na possibilidade de despertar a ira de Oxum, já que esse pessoal costuma ser vaidoso e ciumento.

Aí ontem, passeando por uma livraria, dei de cara com um livro chamado "Orixás - Forças Sagradas da Natureza". Um livro pequeno, de um artista plástico (João Makray), com gravuras lindas e pequenas descrições de 16 divindades, representantes dos quatro elementos: terra, fogo, água e ar. Fui correndo pra parte das águas e confirmei minha suposição de que Oxum governa as águas doces! Ela é a rainha de todos os rios e cachoeiras e é também a padroeira da gestação e da fecundidade :)

Chegando em casa continuei a pesquisa e descobri que Iemanjá não é apenas a Rainha do Mar, mas de todas as águas, inclusive as doces (não sei como elas dividem as jurisdições, não fui tão a fundo na pesquisa... de qualquer forma, pelo sim, pelo não, eu não faria oferenda pra ela em água doce...).

Crenças e religiões à parte, eu sempre gostei muito de mitologia, sempre gostei dos símbolos, dos arquétipos, essa coisa Junguiana, esses mistérios da psique. E foi então um imenso prazer ser apresentada a Oxum, que protege as mulheres durante a gravidez e protege também as crianças pequenas, até que comecem a falar.

Iemanjá, por sua vez, é a Grande Mãe e as outras Orixás do elemento água e, portanto, que tem ligação estreita com o feminino e a maternidade são Nanã e Ewá. Nanã é a deusa dos mistérios, sintetizando em si morte, fecundidade e riqueza. E Ewá tem por domínio a vidência (sensibilidade, sexto sentido) e a criatividade.

Essas informações são do site ocandomble.wordpress.com, que achei bem interessante, com informações objetivas e bem organizado, mas não me foi recomendado por ninguém, a não ser nosso amigo Google.

Não precisa nem dizer que fiquei com uma baita vontade de conhecer melhor o Candomblé e toda essa riqueza de símbolos e rituais (ah, sim, também adoro um ritual!). Mas por enquanto me contento em sintonizar com essas forças, que, através desses e de muitos outros símbolos, nos ajudam a fazer um caminho de volta aos nossos instintos e valores mais profundos, muitas vezes adormecidos no lodo do rio, nos abismos do mar.



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