sábado, 28 de dezembro de 2013

Os desafios do primeiro ano

É impressionante a quantidade de desafios que a maternidade traz. Muitos, grandes e que mudam muito rápido. Generalizações são complicadas, mas essa eu arrisco: os desafios existem, eles são muitos, grandes e mudam muito rápido (quando você acha que "ficou craque", aquela já não é mais a pauta e você se vê diante de algo inteiramente novo, apavorantemente novo e deliciosamente novo!).

Fora isso não dá pra generalizar muito, pois cada díade mãe-filho, cada tríade mãe-pai-filho, cada família terá seus desafios. Mas dia desses, sem querer, me vieram à mente os principais desafios desse primeiro ano, que ainda não acabou, mas me arrisco a prever. Foram/são os meus desafios. Você que é mãe, se identifica? Quais foram/são os seus? Vamos a eles:

Primeiro trimestre - Amamentação
Esse, a meu ver, é o grande desafio das primeiras horas. Se a equipe obtém sucesso, passa a ser o desafio da primeira semana. Se o sucesso continua, é o desafio do primeiro mês. Se conseguimos passar do primeiro mês, imagino que já esteja bem instalada e não traga mais desafios, aí é só curtir!

O que eu gostaria de ressaltar nesse desafio é que, ao contrário dos outros e ao contrário do que se fala por aí, o "sucesso" não depende só da mãe. É fundamental que o momento do nascimento seja amparado por uma equipe que garanta sossego e espaço para que a amamentação ocorra; é importantíssimo que o bebê consiga sugar direito (é muito raro os que não conseguem, mas existe, e nesse caso, uma equipe bem preparada torna-se ainda mais importante); é vital que o pai, avós e outras pessoas próximas estejam dispostas a fazer o que for preciso para que a amamentação se instale e flua, e isso significa cuidar da casa, cuidar das contas, cuidar da comida, cuidar dos filhos maiores, cuidar dos animais de estimação...

Do ponto de vista da mãe, o que mais pegou pra mim foi o cansaço. Um cansaço físico e principalmente emocional. Estar disponível O-TEMPO-TODO não é fácil e imagino que seja justamente nessa hora que muitas mães acabam cedendo à mamadeira, tanto de leite materno quanto de fórmula. Pra mim a amamentação exclusiva até os 6 meses sempre foi uma meta, então assumi alguns sacrifícios, mas tenho total consciência de que o sucesso só foi alcançado graças ao trabalho em equipe (meta, sucesso, equipe... que termos corporativos! Mas para por aí, viu? Amamentar em livre demanda é a melhor coisa que existe. Se a gente está longe da nossa natureza, fique tranquila que o bebê não está e ele sabe exatamente do que precisa!).

Ah, se você está grávida e também quer amamentar de forma exclusiva até os 6 meses, além de ter boas conversas com o marido, sugiro NÃO COMPRAR mamadeiras, chupetas, bombinhas de tirar leite e coisas do tipo. Se for realmente necessário complementar a amamentação, uma corridinha em qualquer farmácia resolve, não vai ser por isso que seu filho vai passar fome. Mas se, por outro lado, no momento de desespero você tem uma mamadeira à mão, isso pode representar um caminho sem volta (o desespero passa, a tentação da mamadeira não...).

Ter com quem conversar também ajuda. E olho aberto no pediatra e suas curvas de crescimento, que podem ser superestimadas e desrespeitam o ritmo natural de ganho de peso do bebê, o que acaba por prejudicar a amamentação de forma irreversível.

Sobre isso indico dois textos do Blog do Cacá:
http://vilamamifera.com/blogdocaca/curvas-do-crescimento/
http://vilamamifera.com/blogdocaca/bebes-estao-sendo-superalimentados-com-leite-em-po-diz-oms/


Segundo trimestre - Voltar pro mundo
Olha, sinceramente, tive que pensar muito pra estabelecer um "desafio do segundo trimestre". Pra mim foi o melhor, foi o que eu mais curti até agora! As mamadas diminuem um pouco, dando um "respiro" pra mãe. Depois da maratona do começo dá até pra ficar com um certo tédio, rs... foi aí que comecei a usar fraldas de pano (com dois meses, na verdade) e fiquei craque no sling (depois de amamentação em livre demanda, wrap sling é a melhor coisa do mundo pra recém-nascido! Comecei a usar com um mês, mas deveria ter começado antes!). E foi nessa fase que a shantala também fluiu melhor (comecei com um mês, mas no comecinho é difícil ter brechas entre as mamadas, mas não muito perto da última mamada).

E conforme as coisas foram se encaixando, eu fui tentando voltar pro mundo, fazer algumas coisas que tinha deixado de lado desde que o nenê nasceu, como simplesmente sair de casa sozinha (sozinha com o bebê, claro, afinal de contas sempre fui xiita com a amamentação em livre demanda).

Aí a gente começa a ver que tudo mudou. Uma outra mãe-Carolina-que-escreve definiu brilhantemente: "nada retoma seu lugar, porque nem os lugares são os mesmos". Constatar isso não é fácil, mas eu diria que é essencial. Porque se a gente fica tentando encaixar as coisas, achando que as coisas devem ser encaixadas como eram, não vai dar certo. A gente sofre mais, o bebê sofre mais, o marido sofre mais.

É preciso se refazer. É preciso se permitir novos olhares.


Terceiro trimestre - Introdução alimentar
Pronto, acabou a calmaria! Eu estava na lua-de-mel da maternagem e caí de para-quedas numa segunda-feira de escritório chato e estressante!

Eu tinha mil sonhos e expectativas com relação à introdução alimentar e isso só me atrapalhou. Li muito, li demais e fiquei maluca. Tem gente que fala pra começar com fruta, tem gente que fala pra começar com cereais, tem gente que fala pra passar na peneira, tem quem fale pra amassar com o garfo e tem ainda quem diga pra dar pedaços grandes que o nenê se vira (adorei esse, tentei, mas ele engasgou - algumas vezes - e eu quase morri).

É pra por sal, não é pra por sal. Pode isso, não pode aquilo. Eu queria dar só orgânicos, mas ao mesmo tempo queria variedade e não conseguia. Um saco.

Com o tempo fui relaxando, fui vendo o que ele gostava e fui desapegando das minhas expectativas. Vi que ele adora caldinho de feijão temperado com alho refogado e sal. Ok. Vi que ele adora uma papinha de liquidificador, daquelas bem pastosas, de mandioquinha "desorgânica", como diz um amigo. Ok. Já dei comida de restaurante porque no meio da correria não consegui levar a papinha dele, ele comeu e gostou. Ok. Nos dois eventos de febre que ele teve até agora ele ficou três dias sem querer comer NADA, só mamando. Ok (ok mais ou menos, porque eu fico sim preocupada e ansiosa quando ele não come!).

De forma geral, o que não abro mão: Joaquim não come nada de origem animal, ou seja, nenhum tipo de carne, nada de laticínio que não seja o da própria mãe, nada de ovo, nada de mel. Depois de um ano liberamos o ovo, em doses moderadas. O resto demora mais um pouquinho...

Nada também de coisas industrializadas que tenham corante, conservante, glutamato, éca! E açúcar, né?

Os episódios que alegraram o coração da mamãe natureba foi ver ele gostar de suco verde, de mingau de aveia, mingau de farinha de arroz integral, tapioca... e a coisa mais fofa do mundo é ele tomando chá :)

Mas de forma geral ele come muito pouco e gosta mesmo é de brincar com a colher! Oh céus, por que tudo vai pra boca, menos a comida?!?!


Quarto trimestre - Equilibrar segurança e liberdade

Um pouco antes de completar 9 meses o Joaquim começou a engatinhar. Aí começam os tombos, ai que dó! E tem a parte de catar tudo e colocar na boca, então fico doida pra não ficar nada pequeno pelo chão ou ao alcance, porque tenho pâ-ni-co de afogamento. Tem também as coisas que não oferecem risco pra ele, mas ele que oferece risco pra coisa (os discos de vinil do papai, por exemplo, rs...). Então a gente tem que rever a organização da casa, a gente tem que aprender a falar não, ou, mais importante, aprender como falar não.

Por outro lado, não tem coisa mais emocionante do que ver a admiração dele pelas coisas novas. Não dá pra ficar podando! Ele está descobrindo o mundo, que mundo eu quero que ele descubra? O do "não pode"? O do "é perigoso"? O do "não quebra"? O do "é sujo"?

Nessa etapa acho que o mais importante é adaptar a casa para o bebê. Tirar do alcance as coisas perigosas e/ou que podem ser estragadas e colocar no alcance coisas interessantes e seguras, que não sejam só os brinquedinhos.

Estou começando, qualquer hora eu volto aqui pra contar como estamos indo!

sábado, 14 de dezembro de 2013

Joaquim, você está engatinhando!!! Que alegria, que coisa mais fofa! Você vai ganhando cada vez mais espaço nessa casa, que vai se transformando pra te acomodar... desde a barriga e cada vez mais, cada vez mais rápido. E eu adoro essa constante mudança, essa renovação permanente que não deixa a poeira acumular e não dá sossego pras aranhas :)

Ao mesmo tempo, conforme você ganha o mundo, os perigos também se avolumam. Tem hora que eu acho o mundo extremamente hostil e perigoso, eu tenho medo que você se machuque. Você começou a comer e engasgou algumas vezes, meu coração quase parou! Aí começam os tombos, aquele seu chorinho rouco e sentido que me corta o coração.

Estou fazendo o máximo que posso pra te proporcionar segurança e liberdade. Às vezes me sinto sendo puxada pelos dois braços em direções opostas, parece que vou ser rasgada ao meio!

Mas você vale a pena! Seu sorriso vale a pena, sua gargalhada vale a pena e ver sua alegria diante das suas conquistas vale a pena!

Filho, obrigada por ser essa pessoa maravilhosa, esse companheiro tão gostoso.

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Comidinhas para depois do amor

Essa aqui é da série "conselhos de veterana para novatos".

Dia desses foi centenário de Vinícius de Morais e dei uma olhadinha no blog do Xico Sá, que jamais deixaria a data passar em branco. Ele fez uma lista de 10 lições de amor que o poeta nos deixou e uma delas me chamou a atenção:

Para viver um grande amor é bom compreender  que “conta ponto saber fazer coisinhas, ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, filés com fritas, comidinhas para depois do amor”.

Fiquei lembrando do começo do namoro, as comidinhas que o Paulo Cesar preparava. Dois miojos (envelopinho do tempero devidamente encaminhado para o lixo), uma cebola, algumas azeitonas, duas ou três folhas de manjericão, um pouquinho de queijo e dez minutos depois um macarrãozinho charmoso e apetitoso! Omeletes, sanduíches incrementados, risotos, macarrões "de verdade" com os mais variados acompanhamentos. Até a pizza congelada ganhava um toque personalizado com cebola, pimentão, azeitona, aquele restinho de gorgonzola.

Com o tempo e a "expansão da consciência" alguns ingredientes foram deixados de lado, como o miojo (que mesmo sem o tempero não é lá a coisa mais saudável do mundo) e a pizza congelada; as comidinhas viraram "comidonas", cada vez mais elaboradas e completas, para antes e depois do amor.

Aí chegou o Joaquim e agora eu vejo como é de fundamental importância saber fazer "comidinhas para depois do amor" para viver um grande amor! Enquanto eu amamento, o Paulo Cesar cozinha. E cozinha maravilhosamente, deliciosamente. Com alguma bagunça, é verdade, mas ele se encarrega inclusive de providenciar uma ajudante do lar pra dar conta da pia no dia seguinte.

Esse tipo de coisa, aparentemente banal, é a glória para uma recém-mãe. A gente está tão empenhada em cuidar, que é vital que alguém cuide da gente (e da casa).

Portanto, moças, fica a dica: ao traçar o perfil dos candidatos a pais dos seus filhos, incluam a habilidade de fazer comidinhas para depois do amor (e vão treinando desde já!). Se o rapaz não é lá muito habilidoso, tenha paciência e deixe-o à vontade, incentive-o.

E moços, claro: façam comidinhas para depois do amor para suas amadas! Deixem de lado essa de "ela cozinha, eu lavo a louça", ou então "um dia ela cozinha, outro eu pago o jantar".

Mão na massa, pessoal! Acreditem, o treino vale a pena!



terça-feira, 22 de outubro de 2013

Receita caseira para tratar assadura

O Joaquim nunca foi de ter assadura. Conheci a pomada de calêndula da Weleda com a minha cunhada e coloquei no enxoval. A pediatra A (não vou citar nomes, rs...) recomendou pra não usar em toda troca de fralda, pra não deixar a pele "mal acostumada" (?), então a gente só usava quando via algum vermelhinho suspeito e realmente não tivemos maiores problemas.

Outros fatores ajudaram a não ter assaduras: amamentação exclusiva até 6 meses; ausência de dentes (parece que quando os dentes começam a nascer muda a acidez de xixi e cocô); fraldas de pano desde os dois meses (dizem que o gel das fraldas descartáveis "chupa" a umidade natural da pele).

Até que surgiu uma assadura mais resistente, que não foi embora só com a pomada de calêndula. A pediatra B examinou, disse que era fúngica e recomendou a pomada Dermodex Tratamento. Usamos, deu uma melhorada, mas logo voltou e ainda apareceu em dois outros lugares.

Nesse meio tempo fomos no pediatra C (sim, sou meio maluca) e ele falou que não estava mais com cara de fungo e que provavelmente a Dermodex tinha resolvido essa parte, mas acabou desencadeando uma reação alérgica - coisa típica do "remédio do homem branco". Perguntei se seria o caso de ferver as fraldas de pano, mas ele disse que não, pois estava com cara de alergia mesmo. Disse ainda que era uma assadura típica de quando o bebê começa a sentar, pois tem mais atrito nessa região.

A recomendação foi trocar o sabão de lavar as fraldas (usava o Ola pra roupas delicadas, mas ele disse que esse sabão tem dado alergia e que o melhor seria usar aquelas bolas de lavar roupa - Eco bola, pra quem não conhece. Ainda não comprei e enquanto isso estou usando o sabão de coco Urca líquido). Recomendou também deixá-lo sem fralda sempre que possível.

Fiz isso, mas não adiantou muito (pelo menos não piorou). Aí lembramos de uma receitinha que uns amigos passaram. Eles tiveram bastante problema de assadura com o filhote, tentaram várias coisas e a única que resolveu foi Maizena. Dito e feito!

A receita deles foi misturar Maizena com um pouquinho de óleo de amêndoa. Fica uma pomadinha bem gostosa e é impressionante como resolve rápido! Em dois dias já tinha quase sumido e em quatro dias tem só um pequeno vestígio!

Vale lembrar que é bom ler o rótulo do óleo de amêndoa pra ver se não tem perfume ou outra porcaria. O que temos é daqueles baratinhos que tem em qualquer farmácia. Não sei se funciona com outro óleo, mas acho que o de calêndula deve ser bom também (o da Weleda é ótimo a caríssimo...).


Homem também chora

Eu sempre me vi como mãe de menino. Como nunca tive muita paciência pra fru-frus, ficava com receio de ter uma menina e não saber lidar com os rosas, babados, princesas e cia. Bobagem, eu sei, mas, enfim, cá estou como mãe de menino.

Eu só não pensava nos desafios que a criação de menino traz. São tão óbvios quanto menina brincar de Barbie, mas eu não tinha pensado sobre o assunto até me deparar com uma cena que me entristeceu bastante.

Um menino de seis anos choraminga porque não sabe onde está o seu brinquedo - um másculo bonequinho do homem-aranha - e a mãe desdenha "olha Carol, ele tá falando que nem menininha. Fala que nem homem!", engrossando a voz nessa última parte.

Se fosse uma menina choramingando porque não sabe onde está a Poly alguém mandaria ela "falar que nem mulher"? Duvido.

Criança choramingando enche o saco mesmo. Tem hora que tudo que eles pedem é resmungando, é fazendo drama. Concordo que o adulto deva investigar o motivo da manha, deva ensinar que não precisa pedir chorando; pode até mandar um "fala direito, menin@!", mas é injusto direcionar essa educação com base em gênero.

Criança é criança. Tem suas manhas, precisa de colo, de aconchego, de dengo (e, sejamos sinceros, que adulto não precisa?).

O menino vai aprender a ser homem de acordo com os exemplos que ele tiver. Vale a pena dar o exemplo de que "homem não chora"? De que "homem não demonstra sentimento"? De que "homem tem que ser sempre durão"? Lembrando que aprender a ser homem ou aprender a ser mulher não tem a ver com a orientação sexual. Não falta homem hétero bunda mole e tenho amigos gays que são muito machos.

Se o menino é gay (ou vai ser, não sei como isso funciona...), é outra história. Se os pais e demais familiares tem medo de ter um menino gay, é outríssima história. Mas tenho claro como as águas do Tapajós que esse direcionamento não tem nada a ver com choramingos de criança e com colinho de mamãe.

Além do que, menino não tem que falar que nem homem. Menino tem que falar que nem menino, oras bolas!

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Parece com quem?!

É inevitável. Sempre que conhecemos um bebê nos apressamos em definir com quem ele se parece. Pode ser a cara do pai, a cara da mãe, "uma misturinha dos dois", ou será que parece com o tio Fulano? Pensando bem, tem traços da vó Fulana...

Eu, na verdade, tenho dificuldade de achar bebês parecidos com adultos. Simplesmente porque, desculpem, mas eles não são. Além disso, bebês mudam muito. Um bebê de um mês pode não ser nem um pouco parecido com ele mesmo dali a um ano. Muda cor e quantidade de cabelo, cor de olho, volume de bochechas. Por que então essa pressa em catalogar o pequeno ser?

Aí nasce meu filho. É a cara do pai. Quase que unanimidade - mais um ponto a favor de não estabelecer rótulo, uma vez que nem o público se define! Enfim, eu aqui, morenona, sem fazer questão nenhuma de esconder minhas raízes mouras, índias e africanas, e meu filho lá, branco que só o pai, olhos claros que nem os do pai (que tem olhos verdes, mas nasceu de olhos azuis, igualzinho o bebê), cabelos clarinhos que nem o pai quando nasceu.

Até aí tudo bem, afinal, se eu escolhi esse pai é porque eu acho ele bonito - entre outras muitas qualidades, mas, sim poeta, beleza é fundamental. E acho mesmo meu marido bonito, muito, desde sempre e cada vez mais. Pra mim é um elogio dizer que meu filho é bonito que nem o pai. Não ligo pra essas coisas de "ai, carreguei nove meses, passei mal, sofri dores de parto, sofri dores de cirurgia, amamento que nem uma vaca, e o povo vem dizer que é a cara do pai".

Só que o que doi, e só hoje me dei conta que doi muito, é quando dizem que não parece meu filho. Veja bem, não é a mesma coisa. Ele pode ser parecido com o pai, pode ser a cara do pai, pode ser igualzinho o pai, clone do pai, mas não me digam que não parece que é meu filho!

Eu sei que as pessoas "não fazem por mal". Eu sei que eu também falo muitas coisas sem pensar, que acabam magoando as pessoas. Mas me esforço pra prestar atenção no que falo, aliás, me esforço pra prestar atenção no que penso, pra dar tempo de mudar antes de falar - imagina se não esforçasse, que catástrofe, rs...

E se você é desse time, dos que se esforçam pra prestar atenção no que pensam e falam, fica a dica: mãe nenhuma merece que digam que seu filho não parece seu filho. Seja biológica, seja adotiva. Porque essa coisa de "parecer filho" vai muito além da aparência, vai muito além do gene e do "gênio".

Filho é filho, as aparências enganam e a verdadeira ligação entre essas pessoas é maior e mais forte do que tudo o que qualquer um que esteja fora possa imaginar.

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16 de outubro - a saga continua

Sabe aquela história, você tá lá no fundo do poço e te jogam uma pá? Pois é, jogaram! Eu achava que não poderia ficar pior, mas sempre pode ficar pior. Não basta falar que não parece meu filho, precisa olhar bem nos olhinhos da criança e perguntar: "onde foi que sua mãe te comprou?". Não, eu não estou inventando, é a mais pura e cruel verdade acontecida.

Ah, mas foi brincadeira! Não leve as coisas tão a sério...

Olha, eu tenho um ótimo senso de humor, mas não tenho a menor paciência pra esse tipo de brincadeira. Imagina que você é uma criança e te perguntam onde foi que sua mãe te comprou?!

E o pior é que eu fico sem reação... fico com medo de ser rude com a pessoa. E depois fico me sentindo culpada por não ter "protegido a cria". Então lá vai um aviso, em tom de ameaça, coisa que eu detesto: da próxima vez não vai ter tolerância. E tenho dó da coitada da pessoa que sonhar em falar algo do tipo, porque ela vai ouvir tudo o que os outros não ouviram.

E se o episódio abalar a amizade, dane-se a amizade. De amigo assim eu não preciso :(

Caso você tenha sido o autor de algum desses episódios, você tem duas opções:
a) vai se sentir chateado por ter me deixado chateada e não vai mais fazer esse tipo de comentário;
b) vai se sentir melindrado porque eu me melindrei com uma brincadeirinha a toa que você fez.

Se você escolheu a opção (a), ok, continuamos amigos e não se fala mais nisso. Se você escolheu a opção (b), sinta-se desobrigado de manter os parcos vínculos que nos unem.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Introdução alimentar

E já se passaram seis meses! Caramba, o começo parecia uma eternidade! Todo mundo falando "aproveita, porque passa muito rápido" e eu achando aquilo interminável.

Depois de seis meses de amamentação exclusiva, sem chupeta, sem mamadeira, sem nada entre eu e meu filho, chega a hora de fazer a introdução alimentar.

Confesso que eu tinha estudado pouco esse tema, pensando "ah, não preciso ler isso agora, tem tempo". Só que o dia chegou e levei um susto! Comecei então a correr atrás e em uma semana já consegui ler e conversar bastante coisa.

Fomos numa consulta com a pediatra de Bragança, que deu as orientações básicas, mas não me convenceu... nem tanto pela orientação em si, mas pela fórmula pronta e estabelecida. Gente, o mundo não é assim! Até quando vamos ficar nesse engodo? Sei que a maioria das mães quer sair do consultório com uma receita simples; imagino que a maioria das mães vá se indignar com o pediatra que proponha uma reflexão sobre o tema e não dê nenhuma receita de papinha; imagino também que o pediatra que for sincero e mostrar que não existem estudos conclusivos sobre o que introduzir primeiro (frutas ou cereais?!), possa passar por confuso e com pouca credibilidade.

Mas eu não sou "a maioria das mães", ok? Não me acho melhor nem pior. Na verdade, só me sinto um ET, mas a vida já me calejou pra isso...

Aí fui ler. Li uns textos no Blog do Cacá e, claro, adorei. Falando da importância de celebrar as refeições, de ser um momento de convívio prazeroso da família e que isso é muito mais importante do que o que está no prato.

Li também Carlos González, que mostra os tais estudos - e a ausência deles - e compara as recomendações dos principais órgãos oficiais de saúde e pediatria do mundo. Existem divergências (que o autor considera de pouca importância, como por exemplo, se começa com fruta ou com cereais) e existem pontos em comum, que o autor considera importantes e destaca, como por exemplo o papel fundamental do aleitamento materno, inclusive durante a introdução alimentar, sendo a ingestão do leite materno priorizada.

Pra quem se interessa pelo tema, recomendo fortemente a leitura dos livros dele. Tem três compilados em um que chama Comer, Amar, Mamar, que é o que estou lendo.

Fomos também num curso de alimentação vegetariana para bebês e crianças, ministrado pela Ana Ceregatti, nutricionista que me acompanha desde a gravidez. O que gostei no curso é que ela apresenta a dieta vegetariana de forma bastante simples e possível, ou seja, não precisa fazer nenhum malabarismo. Resumindo simplificadamente, basta comer muito feijão e diversificar ao máximo os alimentos. Claro que não foi só isso, afinal ficamos lá duas horas e tem uma apostila, mas é por aí.

Pra encerrar a semana de imersão, peguei o Consultório Pediátrico, livro básico da pediatria antroposófica. Nem vou comentar muito, mas transcrevo abaixo dois trechos que me fizeram vibrar. O primeiro já era meu argumento, mas nada como vê-lo escrito em um livro! E o segundo, também já fazia parte do meu entendimento, mas não tinha conseguido formular em palavras.

"Para a criança é mais conveniente receber a alimentação mais variada da mesa do almoço e do jantar, com exceção daquilo que ainda lhe é indigesto e da proteína animal. Neste contexto, pode-se questionar se para uma criança não é incompreensível o fato de crianças maiores receberem carne e ela não. Convém lembrar aqui que às crianças pequenas também não se oferece álcool, café e chá preto. Convém às crianças aprenderem desde cedo que existem coisas inadequadas a seu estado evolutivo, as quais ela pode aguardar ansiosamente até atingir a idade apropriada. Quando os pais tem certeza de suas decisões, estas são aceitas rapidamente pela criança. Os problemas surgem apenas quando os próprios adultos se sentem inseguros quanto ao fato de a privação de um determinado alimento ter sentido ou não, para a criança. Tal insegurança é imediatamente percebida por ela, que passa então a insistir até que o adulto "amoleça" e acabe cedendo"

Sobre suplementação de vitamina D, que não é exatamente ligada ao tema de introdução alimentar, mas também se refere a nutrição: "É fundamental que a mãe sempre possa ter tempo para "iluminar" seu filho, no verdadeiro sentido da palavra, e brincar com ele. Pois a dedicação carinhosa por parte das pessoas também fornece luz, embora interior, que alegra"

Meus estudos não acabaram - não acabam nunca - pois ainda falta falar com o Cacá e ler mais umas coisinhas, como a Sônia Hirsch (já dei uma boa folheada no Mamãe eu Quero).

Ah, sim, além da questão da idade para a introdução alimentar, tem também a questão do desenvolvimento, pois há recomendações de só oferecer alimentos quando a criança consegue se sustentar sentada. O Joaquim está quase lá! Ele fica sentadinho um bom tempo, mas ainda desequilibra um pouco, o que me dá mais um tempinho pra amadurecer a ideia.

E aí descubro que a questão é exatamente essa. Nem é tanto se vou dar fruta, cereal ou mandioca; quanto tempo vou evitar carne e cia.; se vai comer tudo orgânico; se vai tomar água com flúor.

A questão é que meu filho vai começar a interagir com o mundo. Não seremos mais só eu e ele.

Pra uma pessoa que, como eu, tem uma natureza controladora, isso não é um detalhe e nem uma festa. Me envergonho um pouco dessa natureza controladora, e me preocupo com ela também, mas não escondo. O Dr. Nilo me ensinou que precisamos conhecer e respeitar nossa natureza.

Eu já tinha pensado um pouco sobre o desmame, mas não imaginei que esse tipo de angústia fosse chegar tão cedo, afinal, não considero a introdução alimentar um desmame, mas estou vendo que é sim um grande passo nessa relação.

Fiquem tranquilos, logo o Joaquim estará comendo vorazmente e eu vou vibrar com isso! Vou adorar preparar as comidinhas dele, fico imaginando as carinhas, a lambança, a alegria!

Mas ainda precisamos de um tempinho. Não há a menor necessidade de apressar as coisas...


domingo, 22 de setembro de 2013

Aventura paulistana

Esses dias fizemos uma grande aventura: fomos à exposição do Sebastião Salgado, Genesis, no SESC Belenzinho.

O papai tinha um trabalho em São Bernardo e pegamos uma carona com ele até o metrô Tatuapé. Pra deixar a aventura mais emocionante, estava chovendo!


Mas a intempérie não nos abalou. Coloquei o nenê no sling (que já tinha sido devidamente amarrado em casa, pois eu amo esse panão, mas lidar com ele na rua é pedir pro bom humor ir embora, ainda mais com chuva!), mochilinha nas costas e lá fomos nós pro metrô. Uma estação e já estávamos no nosso destino.

Consegui comprar um guarda-chuva do camelô na saída da estação (que mãe que sai de casa com chuva e sem guarda-chuva?!) e pé na estrada. Joaquim observava tudo, muito atento e aconchegado no sling. Era difícil saber quem estava mais maravilhado e curioso, se ele, com tanta novidade, ou se os passantes, olhando praquele bebê amarrado na mãe num pano verde, com boné vermelho e olhos azuis. Páreo duro!

Chegamos no SESC ainda com garoa, então fui direto pra exposição "indoor", mas logo na entrada tem umas fotos maravilhosas ao ar livre, que deixamos pro final. Com um pouco de vergonha, pedi pra funcionária do SESC tirar uma foto nossa. Eu tinha que registrar aquele momento tão especial por tantos motivos: a exposição em si, nossa aventura e a véspera de seis meses do Joaquim.


Logo em seguida virei o Joaquim de frente, pra ele ver as fotos também :) Não resisti e tirei algumas fotos nossas, "lutando" com a câmera do celular, pois preciso de umas dez pra conseguir um ângulo razoável em uma. O resultado até que ficou bacana!

A exposição está dividida em três salas: Sul do Planeta, África e Santuários. O bom de visitar em plena terça-feira é que estava bem vazia, mas por outro lado tinha várias excursões de escolas, então de tempos em tempos entrava uma nuvem de adolescentes e dava uma atravancada. Nem preciso dizer que o Joaquim chamava mais atenção que as fotos...

Olha que foca divertida! Feliz moradora de alguma ilha gelada da Antártica.

Mulher africana carregando seu bebê às costas e mulher americana carregando seu bebê à barriga!

Essa simpática onça pantaneira está nas fotos "outdoor", que são uns paineis lindos, contemplando imagens das Américas.

Consegui ver as fotos com calma e muita emoção. Na verdade, acabei não me demorando muito, porque senão corria o risco de entrar em colapso, tamanha era a beleza e a fragilidade retratadas naquelas cenas em preto e branco. Mistura de uma alegria imensa por saber que esses povos, bichos e lugares existem. Mas também uma agonia por incluir quase que automaticamente o "ainda" na frase anterior.

Quero comprar o livro - R$ 150,00 em 5x no cartão ;) - e só não o fiz porque não daria conta de carregar bebê, mochila e aquele livrão, tão lindo quanto pesado.

Mesmo sem me demorar muito, lá pelas tantas o bebê quis mamar e botei o peito de fora por ali mesmo, com ele preso ao sling, enquanto eu acabava de ver as fotos. Ao terminar, saí e sentei num confortável banco de madeira com vista pra piscina, enquanto o Joaquim continuava mamando. Uma funcionária nos viu e veio num tom muito afetuoso dizer que havia uma sala de amamentação, com um sofá. Eu disse que ali estava bom e ela disse que tudo bem. Fiquei pensando um pouco nessa coisa de amamentar em público e no quanto eu sou desencanada com isso... e o Joaquim também, pois ele não precisa de um lugar tranquilo pra mamar... quando gruda no peito parece que o resto do mundo some!

Logo em seguida fiquei pensando também na maravilha que é o SESC! A estrutura é funcional, espaçosa, linda. E o mais importante: popular e acessível. Dá gosto de ver e de estar e de poder usufruir de um lugar desse.

Sem nem precisar trocar a fralda (nessas horas a fralda descartável é uma mão na roda!), rumamos de volta ao metrô, que já não estava tão vazio. Baldeação na Sé e mais umas estações até a Santa Cruz, onde pegamos um táxi até a casa da tia Carol.

Delícia de aventura, com o melhor companheiro que pode existir! Faltou o papai, é claro, mas a gente vai fazendo o que dá.


A exposição fica até o dia 1 de dezembro e abre de terça a domingo, das 10h às 21h (domingo fecha às 19h30). A entrada é gratuita.
SESC Belenzinho.
Rua Padre Adelino, 1000. Perto da estação Belém do metrô.


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Receita de bolo

Cada vez mais eu vejo que a vida não tem receita. É engraçado, pois vira e mexe eu descubro uma receita ótima, e acho que é A receita, que todo mundo deve usar e que estou diante da fórmula do sucesso e da felicidade. Mas as pessoas são tão diferentes, cada fase é tão diferente... não dá pra estabelecer fórmula.

Nada mais eficiente pra mostrar isso do que a maternagem. Existem infinitas formas de maternar e essa descoberta é um alívio, pois cada configuração familiar precisa de uma forma própria. Simplesmente não dá pra dizer que tem-que-ser assim ou assado. Desde a gravidez: o que come, que exercício faz, se é que faz, se trabalha, se estuda, se borda. Também vale pro parto: se sai por cima ou por baixo, com anestesia ou sem, no hospital, em casa ou no mar (alguém aí viu as fotos da pessoa que pariu os QUATRO filhos no mar?! Adianta ficar com inveja ou achar o fim da picada?).

Aí começa a brincadeira, porque até então era só ensaio. Como mama, como dorme, o que veste, onde anda, como dá banho, como come, com o que brinca, com quem fica, o que estuda, onde estuda e por aí vai.

A maternagem tem sido pra mim um constante estudo e um importantíssimo exercício de tolerância. Um exercício de entender que cada um tem a sua história.

Só que não é por isso que eu vou calar, inclusive porque falar - ou escrever - me ajuda a entender melhor. Aqui nesse espaço você conhece a forma como eu materno, a forma como eu gostaria de maternar. Ficarei feliz se servir de inspiração, mas ficarei mais feliz ainda se servir pra mostrar que existem infinitas formas e que só você é capaz de definir a sua.

E pra quem ficou com água na boca ao ler o título, segue minha receita favorita, que é muito especial porque foi desenvolvida por mim! Juntei umas três receitas, tirei isso, coloquei aquilo, mexi com carinho e levei ao forno. Contempla variações, lembrando que nem pra bolo existe receita fixa ;)

Bolo de aveia

- 1/2 xícara de uva passa (ou outra fruta seca)
- 2 copinhos de iogurte natural (comprado ou feito em casa)
- 1 xícara de açúcar (pode ser mascavo)
- 1 xícara de aveia em flocos finos (ou inteiros, mas se der uma batida no liquidificador antes é capaz que fique melhor)
- 1 e 1/2 xícara de farinha de trigo integral (ou da branca)
- 1/2 xícara de óleo vegetal (uso de girassol, mas pode ser qualquer outro)
- 1/2 colher de sopa de bicarbonato de sódio (pode ser 1 colher de fermento em pó)
- 1 pitada de sal (dizem que realça o sabor...)
- especiarias a gosto: noz moscada, canela, cardamomo, gengibre em pó
- fica uma delícia se acrescentar 1/2 xícara de alguma castanha picada (avelã, castanha do pará ou de caju)

Bater tudo na batedeira (ou à mão), colocar em uma forma de bolo inglês (ou outra que prefira) e assar em forno médio (ou alto, ou baixo, depende do seu fogão). Por quanto tempo? Sinta o cheiro, cutuque, perceba a cor e resolva!

domingo, 8 de setembro de 2013

Joaquim, se eu soubesse que era você que estava lá dentro, teria sido tudo tão diferente...

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Sei que nada será como antes

Eu já estou com o pé nessa estrada
Qualquer dia a gente se vê
Sei que nada será como antes, amanhã

Imagino que seja comum entre as mães uma vontade de conseguir voltar a fazer - ou ser - algumas coisas que fazia - ou era - antes da chegada do filho.

Começa pelo corpo. Já voltou ao peso? A roupa já serve? Quando essa pança vai embora? O peito doi? Menstrua? Cai cabelo?

Mas o principal ponto acho que é a autonomia (inclusive pra poder cuidar do corpo!). Quando terei o livre arbítrio (ou a ilusão de) sobre a minha rotina?! Quando poderei novamente colocar as minhas vontades em primeiro lugar?

Sinceramente, aqui do alto dos meus cinco meses de atividade materna, desconfio que a resposta seja NUNCA. Ou, num horizonte mais otimista: quando os filhos forem pra faculdade, rs... ou saírem da faculdade... ou arrumarem o primeiro emprego... até começar tudo de novo quando chegarem os netos!

Mas nessa dicotomia entre ser uma nova pessoa e querer voltar a ser quem se era vejo dois extremos igualmente nocivos: as mães que forçam uma volta da autonomia, criando carências nos filhos, e as mães que se doam exageradamente ao ofício materno, sufocando necessidades pessoais que, mais cedo ou mais tarde, explodirão.

Que notícias me dão dos amigos?
Que notícias me dão de você?
Alvoroço em meu coração
Amanhã ou depois de amanhã
Resistindo na boca da noite um gosto de sol

A meu ver, a forma de evitar qualquer um desses extremos é o autoconhecimento, a auto-observação. É trazendo consciência para cada gesto, ainda mais quando a decisão de ter um filho foi feita de forma planejada, mas mesmo que não tenha sido, nunca é tarde pra tomar uma atitude consciente.

Antes de querer forçar a volta de uma autonomia, é bom refletir sobre o que essas pequenas vidas, que dependem de cada uma de nós, representam. Vale a pena considerar que alguns sacrifícios nos primeiros meses podem representar um aporte de segurança e autoconfiança para toda uma vida (que podem inclusive te dar mais autonomia, por ter um filho seguro e autoconfiante).

Eu diria que até os seis meses não há motivo pra pressa. É pra isso que existe licença maternidade. Nada melhor do que ficar lambendo a cria. Todo o resto pode esperar!

Eu digo seis meses porque é o tempo recomendado para amamentação exclusiva, mas claro que outros fatores podem e devem ser levados em consideração, inclusive se você não tem licença maternidade, ou ela é menor.

Por outro lado, mesmo nessa fase de doação completa, onde todo o resto pode esperar, não quer dizer que a mãe vá esquecer de si mesma, muito pelo contrário. Estar bem é condição fundamental para cuidar de alguém. Faz parte dos desafios maternos incluir pequenos cuidados para si na rotina diária. Um banho mais demorado, um creme, uma ida ao cabeleireiro, comprar uma roupa, cuidar da casa (enquanto parte legal de "arrumar o ninho", não como escravidão doméstica de lava-limpa-arruma).

A importância desses cuidados está também no exemplo que é dado ao filho. Um filho (ou filha) que cresce vendo a mãe se anular, vai aprender a ignorar suas próprias vontades, vai aprender que cuidar de si "não é importante". E pode ainda ser vítima de um certo amargor que acaba ficando por trás da entrega exagerada da mãe, o que a longo prazo pode se transformar nos mais diversos desequilíbrios e patologias - para ambos.

Resumindo: tudo bem querer voltar ao que era, tudo bem querer cuidar plenamente do filho, desde que as vontades e seus reflexos sejam conscientes. O problema não é expressar o cansaço, mas não se dar conta dele. E assim ele vai crescendo, crescendo, até que seja impossível não notá-lo, mas quando chegar nesse ponto, é possível que nem se lembre mais por que ele começou...


Nossa primeira aventura solo com mamãe motorista! Ter quatro rodas é uma baita de uma autonomia ;)

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

O cachorro e o bebê

Eu sempre fui tão apaixonada pelo meu cachorro, sempre achei ele tão, mas TÃO lindo e fofo e cheiroso e charmoso, que chegava a me questionar se quando eu tivesse um filho acharia ele também lindo, fofo, cheiroso e charmoso. Sério!

Durante a gravidez essa era inclusive uma das minhas preocupações. Juro!

Aí o Joaquim nasceu. Eu já achava ele bonitinho desde o começo, mas o Pajé ainda ganhava, e com folga. Levou uns dois meses pro Joaquim ficar tão bonito quanto o Pajé.

Só que depois disso a evolução foi muito rápida e em menos de um mês o Joaquim já estava mais bonito do que ele!

Agora então, no esplendor do charme de um bebê de cinco meses, tadinho do Preto...

Mas outro dia, num carinho mais demorado, senti o cheirinho dele de novo e me deu uma saudade... saudade do tempo em que aquele bicho representava meus máximos ideais de beleza, charme e gostosura (ao lado do Paulo Cesar, meu amado, e do Chico Buarque, Chico Lindo forever, que não por coincidência nasceram todos - os três - no abençoado dezenove de junho).


E no meio disso tudo eu percebi que não preciso ter saudade, simplesmente porque estão todos aqui!



segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Algumas saudades

Com cinco meses de cama compartilhada e amamentação exclusiva eu sinto falta:

- do meu criado mudo;
- de dormir sem sutiã;
- de dormir no escuro;

Não to reclamando não... é só pra caso um dia eu volte a ter essas coisas, eu me lembrar da falta que elas já me fizeram :)

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Joaquim, o pediatra explicou que aquelas "crostinhas" que crescem na sua cabeça e na de todo recém nascido servem pra lembrar a mãe de que o filho não é perfeito.

Só que no nosso caso eu tive pessoas mais do que suficientes pra me lembrarem da sua imperfeição, tanto que não me importei muito com as tais cracas e só depois que uma médica disse que TINHA que tirar, que aquilo era sujeira, tal e coisa, comecei a empreender uma verdadeira batalha pra te ver "limpinho".

Mas sabe de uma coisa, o que eu gosto mesmo é de reparar no tanto que você é perfeito e pra isso eu tenho o seu sorriso! Tenho também seus olhos, não por serem azuis, mas por transparecerem sua alma, limpa e cristalina, de pura bondade e alegria.

Sei que somos todos perfeitos em nossas imperfeições...

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O macho evoluído

Seu sonho é ser mãe? Invista num pai!

Seu sonho não é ser mãe? Invista num pai mesmo assim... vai que...

Você quer ser mãe e o mancebo ao seu lado não compartilha da mesma aspiração? Ou troca de reprodutor ou se prepara pra seguir essa dura jornada sozinha (coisa que, sinceramente, não sei se vale a pena).

Você quer ser mãe e o príncipe também sonha com um herdeiro? Meio caminho andado, mas comece já a trilhar a segunda metade, que não se resume à "parte boa", se é que me entende...

E é aí que entra o meu conceito de "macho evoluído". Enquanto os machos primitivos ficam com ciúme da cria, disputando com ela a atenção da mãe (acredite, isso existe e mais do que você imagina!), o macho evoluído sabe que quanto melhor você cuidar da cria - que é de ambos - maior a chance dos genes dele se propagarem com sucesso. Porque no fim das contas o objetivo evolutivo é perpetuar os genes...

Se você quer ajudar seu macho a evoluir, vou dar algumas pistas. E se você é macho e está lendo esse texto, já é um bom indício de que está avançado no processo de evolução!

O macho evoluído sabe que pra cuidar bem da cria a fêmea precisa ser bem cuidada. Ela precisa se sentir segura, sem cobranças financeiras, profissionais e domésticas. Ela precisa ser amparada em suas decisões com relação à cria, sem necessidade de justificar ou racionalizar, simplesmente porque intuição não se explica e quando a gente tenta explicar fica parecendo louca, o que faz com que nos deem menos crédito ainda!

O macho evoluído protege sua fêmea das cobranças alheias.

O macho evoluído compreende a sexualidade feminina e sabe cortejar sem ser invasivo.

O macho evoluído ouve e sabe oferecer o ombro e enxugar lágrimas.

O macho evoluído está em constante evolução.

O macho evoluído sabe cozinhar :)


domingo, 21 de julho de 2013

O mundo que eu quero

Como mãe de um bebê de quatro meses eu quero um mundo...

... com menos carrinho e mais bebês pendurados em slings
... com menos bebê conforto e mais bebês pendurados em slings
... com menos chupeta e mais mão na boca
... com menos plástico e mais mão na boca
... com menos super gel e mais fralda de pano
... com menos poliéster e mais algodão
... com menos acrílico e mais lã
... com menos parabeno e mais ingredientes vegetais
... com menos mamadeira e mais peito de fora
... com menos suquinho e mais peito de fora
... com menos berço e mais balaio de gato
... com menos berço e mais colo de vó
... com menos berço e mais colo de tia

... com menos consumo e com mais contato
... com menos tecnologia e com mais natureza.


Joaquim e o peito

Desde que nasceu o melhor adjetivo pra descrever Joaquim mamando é VORAZ. É uma delícia como ele gruda no peito e mama com vontade.

Mas o que tem mudado é a forma como ele para de mamar.

No comecinho, até mais ou menos um mês ele largava o peito com dificuldade, fazendo força pra puxar a boca e com uma caretinha. Era como se ele falasse "ai, esse peito que não me larga!!!".

Depois veio uma fase em que ele parava de mamar, soltava devagar e ficava dando umas lambidinhas no peito, como que dizendo "ai, esse peito que eu amo tanto".

Agora ele está na fase peito-caixa-de-bis! Só larga se tirar de perto, rs... ele para de mamar, olha pra mim e mama de novo, mas sem muita vontade. Isso se repete muitas vezes, até que eu o "salve" e tire de vez o peito da frente.

sábado, 20 de julho de 2013

Cama compartilhada

Foi, mais uma vez, com a Carol que conheci esse termo e foi com a observação dessa família que resolvi não gastar dinheiro com berço.

A prática da cama compartilhada significa a família compartilhando a mesma cama, ou seja, papai, mamãe e bebê no mesmo colchão. Pra mim é tão óbvio e natural que depois que comecei a prestar atenção no assunto não consigo entender o uso de berço! Mas o fato é que cada família sabe de si e deve encontrar a melhor forma de se organizar. Eu só gostaria de dar esse relato porque acho que na maioria dos casos o pacote é comprado pronto, sem nenhuma reflexão e sem margem pra testar formas diferentes.

Existe muito preconceito e muitos medos acerca da cama compartilhada, fato que também me leva a dar pitaco sobre o assunto.

Aqui em casa, por enquanto, tem se mostrado perfeita, confortável e segura. Um dos fatores do sucesso é o tamanho da cama. Assim que fiquei grávida compramos uma cama king size! Acho isso fundamental para que todo mundo durma bem. Mas calma! Se você não tem espaço ou não quer investir em uma cama king size, existem formas de improvisar. Você pode baixar a guarda do berço, deixando-o contíguo à cama, por exemplo. Já soube de uma mãe que colocava a filhinha pra dormir dentro de uma gaveta (aberta, é claro!), pois o guarda roupa ficava quase colado na cama e não tinha espaço pra mais nada. Era bom pra família, funcionava pra eles e é isso que importa!

Agora vamos aos principais questionamentos...

Mas alguém pode rolar por cima do bebê!
Já li e já ouvi de pediatra que mãe não esmaga bebê. A mãe estará sempre alerta à posição do bebê, a não ser que tenha usado droga! (o que inclui álcool e remédios fortes, mas geralmente quem amamenta não faz isso). Já o pai não tem essa consciência toda, então é recomendado que a ordem seja: parede, bebê, mamãe e papai.

O bebê pode cair da cama!
Enquanto for pequenininho, não cai, simplesmente porque mal consegue sair do lugar, mas mesmo assim é bom dormir do lado da parede e com alguma coisa protegendo o vão que fica entre a cama e a parede. Conforme for crescendo é preciso prestar atenção nisso, montando grades de segurança ou colocando o colchão no chão.

Mas e a intimidade do casal?!
Olha, não sei quanto às outras mortais, mas a intimidade do casal já foi virado do avesso, independente de onde o bebê dorme! Cansaço, mudanças no corpo, roupas e lingeries NADA sexy e o principal: o foco é o bebê. Tudo isso já faz com que a vida sexual dê uma minguada e, sinceramente, acho que deva ser assim mesmo, pelo menos no começo (estamos entrando no quinto mês). O pai carentão que não entender isso precisa ser informado nos mínimos detalhes que tchã-rã: a vida MU-DOU. Por isso que eu acho tão importante que o projeto de ter filhos seja de ambos... De qualquer forma, com o tempo a vida sexual vai voltando e se a opção pela cama compartilhada continuar é um bom pretexto pra descobrir outros locais da casa para a "intimidade do casal" ;)

Mas até quando você vai dormir com criança na cama?!
Até quando estiver sendo bom pra todo mundo. E geralmente a própria criança pede pra ir pro quarto dela, começa a ter vontade de dormir na cama dela, etc. Não precisa ter medo de que ela não vá querer sair dali nunca mais! Afinal, as crianças crescem.

Ai, mas eu acho esquisito...
Esquisito é deixar um bebezinho recém-nascido dormindo sozinho! Esquisito é eu ficar lá abraçadinha com meu marido enquanto nosso filhote fica sozinho no berço! Esquisito é a mãe, invariavelmente cansada, ter que levantar da cama N vezes de madrugada pra amamentar! Esquisito é a mãe, invariavelmente preocupada com a cria, ter que levantar da cama N vezes de madrugada pra ver se o bebê está bem!

Ah, mas o pediatra disse que não é bom...
E ele está lá na sua casa, pra saber qual é a sua dinâmica com o bebê, o que funciona e o que não funciona? Desculpem, mas pra mim isso não é escopo de pediatra (nem de psicólogo, nem de vó, nem de vizinha).

Ah não, eu não quero.
Ok, você pensou no assunto, conheceu outras possibilidades e resolveu o que é melhor pra você e sua família. Você não deve satisfação a ninguém!

Agora dá uma olhada no nosso ninho:

Essa foi a nossa primeira versão de organização da cama. Veja que o cantinho do Juca era um colchãozinho de bordas altas. É bom pra não dar aquela aflição por estar do lado de um bebê muito pequeno e também fica mais quentinho.

Agora estamos com essa configuração, sem o colchãozinho, porque o bebê cresceu e ficou apertado.

Destaque para a manta de lã 100% natural, tricotada pela mamãe e pela vovó! Tem também um travesseirinho de painço que a vovó fez e uma almofada com a oração do Anjo da Guarda que ganhamos de uma de nossas "bruxas" ;)

Pra ler um pouco mais sobre o assunto recomendo esse texto, publicado no Blog do Cacá. É um relato de uma mãe que achava a coisa mais absurda, mas acabou testando e aprovando. Ela também cita alguns embasamentos e vantagens "formais" da prática.

domingo, 7 de julho de 2013

Fraldas


É pessoal, a vida com bebê é mesmo um mar de fralda! Quando me disseram que seriam em média 8 trocas por dia eu achei um exagero, mas o fato é que o montante gira por aí mesmo...

Como eu gosto de me planejar e ter tudo organizadinho (pobre de mim), pensei em usar fraldas descartáveis nos três primeiros meses e depois aderir às fraldas de pano. Essa coisa de esperar três meses foi um conselho da Carol, mas depois fui descobrir que era por causa do tamanho, pois as fraldas ficavam grandes na Clara. Como o Joaquim sempre foi GG, consegui começar a usar as fraldas de pano antes dos dois meses. Mas também já vi relatos de mães que usaram desde a maternidade, pois existem uns modelos próprios pra recém-nascido (a desvantagem é que perde logo e talvez o investimento fique muito alto, uma vez que a maioria dos modelos é tamanho único e dá pra usar desde bebê até o desfralde).

De qualquer forma, as fraldas descartáveis dessa primeira fase foram biodegradáveis. A marca alemã Wiona tem revenda no Brasil e foi o principal presente que pedi no chá de bebê. Felizmente muitos convidados aderiram e consegui fazer uma boa compra, com um estoque que está durando até hoje!

Claro que ela é bem mais cara que a convencional (quase o dobro se comparada com as melhores marcas), mas foi um investimento já pensando que depois economizaríamos usando fraldas de pano. E, sinceramente, eu não ficaria em paz com a minha consciência ecológica jogando toneladas de fraldas descartáveis convencionais no lixo diariamente...

E por falar em lixo, mesmo que biodegradável, ele já estava me incomodando. Passada a "quarentena" (eu já escrevi aqui que não tinha visto grandes mudanças, mas vi sim... talvez tenha demorado uns 43 dias, hehe), enfim, passado o "susto inicial" da demanda extra plus que é um recém nascido, comecei a ficar entediada! Resolvi então abrir a gaveta das fraldas de pano que a Carol me emprestou.

O legal é que ela tem vários modelos, então pude ver com qual eu me adapto melhor e só então fazer o meu investimento. Paralelo a isso fui pesquisando uns blogs pra ver melhor como usar, qual o melhor jeito de lavar, etc...

Ah, sim, estou falando das fraldas de pano modernas, aquelas que usam tecidos impermeáveis, absorventes de microfibra, botões de pressão ou velcro pra fechar, enfim, tecnologia a serviço das mães, bebês e meio ambiente ;)

Acontece que no meio dos blogs sobre fralda de pano tomei conhecimento do método Evacuation Communication, que consiste em "intuir" quando o bebê vai fazer xixi ou cocô e levá-lo para a privada ou penico, reduzindo drasticamente o uso de fraldas.

É pessoal, eu já disse que estava entediada e lá fui eu testar o método. Durou exatos três dias, rs... me empolguei com o sucesso inicial, pois logo no primeiro dia "peguei" três cocôs. Mas logo vi que tenho mais o que fazer da vida (é memo?!). Além disso, no frio é mais difícil, pois tem mais roupa pra tirar e por. E pra completar, o principal motivo é que o Joaquim cansou da brincadeira... no começo ele se divertiu, mas depois não viu mais conforto em ficar pendurado na privada, tadinho! De qualquer forma, pra quem consegue deve ser uma maravilha. Tem coragem?!


Então me contentei em me divertir apenas com as fraldas de pano! Pois bem, as marcas que experimentei foram as importadas FuzziBunz, BumGenius, gDiapers e Flip. Todas vazam :(  Mas quer saber? Fralda vaza! Descartável, convencional, biodegradável, de pano... umas mais, outras menos, mas acaba vazando. É um saco porque tem que trocar toda a roupinha, mas conforme você vai pegando a prática vaza bem menos. Um fato das fraldas de pano é que tem que trocar mais vezes do que a descartável.


Aos cri-cris de plantão, que vão dizer "grande ecologia ficar gastando água e sabão pra lavar mais fralda e roupinha que vazou", digo que mesmo que tivesse que lavar toda a roupa em toda troca - o que não é verdade - o gasto de água, sabão e energia não ficaria aos pés de processos industriais de fabricação de qualquer coisa. Financeiramente também não tem comparação. Vou chegar nos cálculos, já já.

Mas o meu lance maior continua sendo com o lixo e aí não tem o que dizer mesmo. A fralda de pano vai embalar muitos bebês antes de virar lixo e mesmo depois que virar, vai se desfazer muito antes do que uma descartável, mesmo que seja de material sintético.

Agora com relação à minha avaliação das marcas que testei:
- a FuzziBunz é a que mais vaza;
- a gDiapers tem uma anatomia péssima, deixando a pele toda marcada;
- a BumGenius é menos pior que a FuzziBun;
- a Flip eu AMEI, tanto que investimos nessa!


Tanto a Flip quanto a gDiapers são do sistema capa e as outras são "pocket". A diferença é que a capa não precisa lavar se não vazou e as outras tem que lavar o conjunto inteiro toda vez, aumentando consideravelmente o volume da lavanderia.

A Flip que a Carol emprestou vem com um recheio que um lado é microfibra e do outro é soft, deixando a sensação de sempre seco, o que a princípio eu achava o máximo. Aí compramos mais três conjuntos e escolhi, pelo site, o recheio de algodão orgânico (imagina se eu ia deixar passar essa!). Quando chegou fui ver que é simplesmente uma malha, sem tecnologia nenhuma. Fiquei um pouco decepcionada, mas depois passei a gostar ainda mais, pois é a que deixa o bumbum mais feliz :) (pense aí com seus botões o que é um bumbum feliz, rs...).

E nessa onda de bumbum feliz, experimentei as tradicionais fraldas Cremer como recheio e, pasme: ótimas! Super absorventes, secam rápido (no varal) e não ficam manchadas. Um passo atrás na tecnologia e viva a tradição!

Ah, e por falar em manchas, segue minha rotina de lavagem, a que deu mais certo depois de várias configurações:
- fralda de cocô: passo uma água, passo um sabão de coco, esfrego um pouquinho, torço e coloco num balde sem enxaguar. Chamo isso de "molho seco", pois o sabão fica, mas acho melhor deixar sem água;
- fralda de xixi: passo na água, torço e coloco em outro balde;
- a cada três dias junto tudo pra lavar na máquina (como as fraldas da Carol ainda estão comigo, tenho um bom estoque e faço uma lavagem no nível alto);
- ah, nas fraldas de cocô que ficaram com sabão passo uma água antes de por na máquina;
- na mesma maquinada vão as roupinhas do Joaquim e uso sabão Ola (não é orgânico, mas é o que tem pra hoje...);
- se está sol, vão pro varal, senão vão pra secadora (sem peso na consciência, vamo que vamo!).

Essa rotina não é nenhum peso pra mim, muito pelo contrário, adoro. Como tenho uma faxineira duas vezes por semana, ela cuida da casa e eu mesma cuido das fraldas. Às vezes eu só peço pra ela por e tirar do varal.

Quanto ao uso das descartáveis, depois de algumas madrugadas molhadas, estamos usando a fralda descartável à noite. Não temos fralda de pano noturna e se colocar dois recheios acho que não fica confortável. Ainda temos as biodegradáveis (penúltimo pacote e está em falta no site, socorro!), então não é "tão grave".

Pra finalizar, as contas:

- fralda descartável convencional = R$ 0,70 por fralda, aproximadamente
- estima-se que o bebê use 3.500 fraldas até o desfralde = R$ 2.450,00

- fralda Flip (se tiver como trazer dos States) = R$ 35,00 cada capa
- 6 capas são suficientes = R$ 210,00
- como recheio dá pra usar só fralda Cremer = R$ 20,00 o pacote com 5
- 4 pacotes são suficientes pra lavar a cada três dias = R$ 80,00
- kit de fraldas de pano + capas = R$ 290,00
- consumo de fraldas descartáveis pro período da noite e eventuais saídas mais longas: consideremos 40 fraldas/mês = R$ 28,00
- considerando o desfralde por volta dos dois anos = R$ 672,00 em fraldas descartáveis
- fraldas de pano + capas + fraldas descartáveis = R$ 962,00

- não coloquei na ponta do lápis o gasto com água, sabão e energia elétrica, mas não é nada que se compare a gastar R$ 146,00 por mês com fralda descartável.
- reconheço que é uma conta superficial e levando em conta fralda importada, mas dá pra ter ideia da diferença, mesmo usando fralda descartável pra dormir e quando vai ficar o dia todo na rua.

Eu já perdi o medo de sair com fralda de pano e só uso a descartável quando sei que não vou conseguir trocar com a frequência que estou acostumada. Já testei o sistema em viagem e foi tranquilo, mesmo tendo que lavar as fraldas na mão! Nesse caso, é bem melhor usar as fraldas Cremer, porque os recheios de microfibra não secariam jamais sem centrifugar e em dias nublados (o recheio de algodão orgânico também seca rápido).

Enfim, acho que pra usar fralda de pano basta querer e não precisa de nenhum sacrifício.

Quanto ao conforto do bebê, principal preocupação, pode apostar que com as fraldas de pano é bem melhor!

Deus

Uma amiga me disse, em tom solene e emocionado, que a chegada da filha mostrou a ela que Deus existe;
Uma outra amiga, em tom brincalhão mas não menos sincero, disse que é só ter filho pra passar a acreditar em Deus e "aprender rapidinho a rezar!";
Vira e mexe ouço alguém dizer que "os filhos são presentes de Deus".

Pois bem, apesar do pouco tempo de experiência materna já passei algumas angústias dignas de aprender a rezar e no entanto continuo com meu ateísmo. É curioso, mas não encaixa. Numa dessas situações de fazer aprender a rezar saiu um "Meu Deus, por favor,...", mas num atropelo de pensamentos ouço "Meu Quem?!" e me vi diante do vazio. Ou seria Vazio?

O caso é que um ateu  não tem pra quem pedir. Tem que se virar sozinho. E se virar sozinho às vezes cansa. Mas caçar com gato não dá, então... a gente caça sozinho mesmo.

Gerar e criar um filho é sim surpreendente. É ver a (im)perfeição da natureza tão de perto, mas tão de perto, que chega a ofuscar. Ou deveria escrever Natureza? Sim, ela é minha Deusa, perfeita em sua imperfeição, mas que não atende a pedidos.

Os crentes que me desculpem, mas existe comodismo maior do que pedir a Deus?!

Como diz a sabedoria popular: quem quer faz, quem não quer manda. Ou pede... e lembre-se: a voz do povo é a voz de Deus ;)


SE EU QUISER FALAR COM DEUS
Gilberto Gil
1980

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar



sábado, 6 de julho de 2013

O mundo é bão, Sebastião!

A antroposofia divide nossa vida em setênios e assim vai explicando o desenvolvimento do ser humano, os principais aprendizados e desafios de cada fase. Os três primeiros são o tempo que a gente precisa pra "estar pronto". Sim, 21 anos! Não consigo explicar em detalhes, mas é o tempo que não apenas o corpo físico leva pra terminar de se formar, mas também o intelecto, as emoções e corpos mais sutis.

Os três primeiros setênios são, portanto, uma fase delicada e merecedora de toda atenção e cuidados. As crianças e adolescentes deveriam andar com uma plaquinha assim: Atenção - ser humano em formação!

Deveríamos ter com eles o mesmo cuidado que uma cozinheira zelosa tem com o bolo que está no forno. Não pode abrir a porta antes do tempo! E tem que ficar de olho no relógio pra não queimar. Ou então o mesmo cuidado que o artista esmerado tem com sua tela. Não vai deixar ninguém encostar até que a tinta esteja bem seca. E por aí vai, faça as analogias com as quais se identifique, o que importa é que tudo que "não está pronto" precisa de cuidado.

E pra saber o rumo do cuidado a antroposofia nos dá pistas preciosas. Cada setênio tem seu grande aprendizado, que pode ser resumido em uma frase, simples e objetiva. Veja:

Primeiro setênio - 0 a 7 anos: O mundo é bom
Segundo setênio - 7 a 14 anos: O mundo é belo
Terceiro setênio - 14 a 21 anos: O mundo é justo

Isso quer dizer que o grande objetivo dos adultos ao lidar com crianças e adolescentes é passar pra eles a mensagem de cada setênio. Em cada atitude, em cada gesto, em cada presente, em cada palavra, pergunte-se "quando faço isso, essa pessoa em formação entende que o mundo é bom/belo/justo?". Se a resposta for não, pare tudo e recomece.

Evidentemente, pra passar uma mensagem você precisa acreditar nela! Se você mesmo não acredita que o mundo seja bom, belo ou justo, então afaste-se desses seres em formação. Eles não precisam de você. Se não tem como se afastar, se você é pai ou mãe, trate então de fazer com que o mundo seja bom, belo e justo!

Como mãe de um recém-chegado, eu fiz dessa frase um mantra, que repito e indago a todo momento. O mundo é bom! O mundo é bom? O que eu preciso fazer para deixá-lo bom?

Tudo que faço pro Joaquim vem com essa análise: será que com isso ele vai achar que o mundo é bom? Desde a qualidade das roupinhas até o tempo que dedico a ele. A temperatura da água do banho e o nível de ruído do ambiente. Os olhares que trocamos e as coisas que eu digo. Tudo pra mostrar pro meu filho que a vida vale a pena, que viver é gostoso.

Os "realistas" de plantão podem querer argumentar que o mundo nem sempre é bom, nem belo e muito menos justo. A primeira coisa que me vem à cabeça é a necessidade de separar o "ser" do "estar". Depois, é preciso assumir que o mundo começa em casa e o responsável pelo exemplo é você.

Um mundo bom não é o que não tenha desentendimentos, mas onde cada um está disposto a se entender; um mundo belo não é feito só de paisagens arrebatadoras, mas de pequenas belezas nos detalhes cotidianos; a justiça se faz em cada acordo, desde seu estabelecimento até seu cumprimento.

Felizmente ainda tenho um tempo pra meditar sobre o belo e o justo...

Por enquanto minha missão é mostrar pro Joaquim o tanto que o mundo é bom!

quinta-feira, 20 de junho de 2013

A liberdade de escolher ser mãe

Antes do meu filho nascer eu achava que o aborto era uma coisa muito ruim e só ruim (não conseguia enxergar seu "lado bom"). Claro que tentava não julgar as mulheres que optaram por um aborto e também não concordava com as proibições e punições impostas pelo Estado.

Agora, com meu filhote prestes a completar 3 meses, minha visão já mudou bastante. Não tenho do que reclamar, pois tenho um marido companheiro, uma mãe que me ajuda, não tenho preocupações financeiras e o Joaquim é um sosseguinho de bebê. Esse filho foi mais do que planejado e desejado, mas mesmo assim tenho momentos de profundo cansaço, tenho momentos de crise, de dúvidas, de "socorro, cadê eu?".

E quem não planejou? E quem não tem apoio? Como encara essa? Sei que muitas conseguem, mas não confio mais no "tudo se ajeita". No fim até ajeita, mas a que preço?

Tenho lido sobre o desenvolvimento do ser humano e os primeiros meses de vida tem uma importância crucial. É preciso muita disponibilidade, muita paciência, muita disposição, muita compreensão, muita entrega, muita atenção. Se o bebê não encontra esse ambiente, tem seu desenvolvimento seriamente comprometido, muitas vezes com sinais pouco visíveis, que vão se manifestar lá na frente, na forma de dependências, obsessões e distúrbios dos mais diversos.

Mesmo quem quer ter filhos corre o risco de não dar conta do recado, imagine quem não quer. Vale a pena forçar essa pessoa a arcar com a responsabilidade de formar um ser humano?

Aí me vem essa agora de "Estatuto do Nascituro", que quer obrigar inclusive vítimas de estupro a levar uma gravidez até o fim. Pra completar ainda propõe que o Estado arque com as despesas dessa criança, no lugar do pai. E não pára por aí, vale a pena se informar e se posicionar.

Eu acredito que educação é muito melhor que proibição e se o Estado está tão disposto assim a cuidar de seus nascituros, deve começar cuidando de suas potenciais mães e pais. Sentindo na pele o tamanho da missão que é criar um filho, ando cada vez mais adepta de esclarecimentos gerais sobre o que isso representa.

E mais do que nunca respeito quem escolhe não ir por esse caminho, da mesma forma que admiro quem o escolhe, com clareza e comprometimento.


Esse texto foi publicado originalmente no blog do site Minha mãe Que Disse.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Joaquim, ontem saímos para o nosso primeiro passeio solo! Quer dizer, semi-solo... o papai precisava ir ao centro e nos deu uma carona. Arrumei sua mochila, amarrei o sling e lá fomos nós.

Primeiro passamos visitar o Digão, amigo antigo da mamãe, que trabalha num estacionamento ali perto do clube. Depois fomos na banca de revista e comprei uma Tpm que fala sobre a nova mulher prendada. A essa altura você já estava dormindo e partimos pra padaria, pois a mamãe estava louca por um doce.

Não tinha quem não reparasse e não desse um sorriso ao te ver ali aninhado na minha barriga, só que agora ao alcance da vista de todos. Comi uma torta de limão enquanto folheava a revista, que parece estar realmente boa. Você acordou e continuamos o passeio, indo em direção ao clube, pra checar a fralda e achar um bom lugar pra mamada, mas encontramos com o papai (se combinássemos não teria dado tão certo) e fomos com ele no Marcão, o cabeleireiro.

Marcão é um figura bragantino que parece um pirata do caribe, rs... ao te ver ele falou "creeedo, que nenê grande!!!", com aquele sotaque bragantino bem carregado! Lá no salão tinha o cartaz da Festa de Santo Antonio, que será semana que vem e chamou sua atenção, o que chamou a minha e me deu vontade de ir na quermesse :)

Voltamos pra casa felizes com tanta novidade. Pelo jeito você gostou bastante, pois olhava tudo com aquele olhar curioso e interessado que me encanta!


quinta-feira, 30 de maio de 2013

Vida de vaca leiteira


Eu nunca duvidei que amamentaria meu filho. Do mesmo jeito que nunca duvidei que ele nasceria de parto normal... até alguém me falar que nossas chances de cesariana eram grandes e o medo dominar o cenário, que acabou se convertendo numa sala de cirurgia, com o desfecho que eu abominava... mas não é sobre isso que quero falar.

O que importa é que tenho amamentado deliciosamente, o Joaquim está grande e saudável e eu feliz e satisfeita. Ao contrário do prognóstico pro parto, ninguém nunca me disse que eu não poderia amamentar, ou que meu leite não seria suficiente; o ganho de peso do Joaquim também nunca me disse isso, muito pelo contrário. Não sei o que seria de mim se tivesse que enfrentar crescimento abaixo da média ou qualquer problema de saúde dele, por isso não julgo mães que tem que ir pros leites artificiais.

Nós, mães, por incrível que pareça, somos o elo mais frágil dessa corrente. Se não temos um bom médico, uma boa consultora em amamentação, um bom marido, uma boa mãe, uma boa sogra, umas boas cunhadas, não dá pra segurar a onda sozinha. É muita pressão! Pelo menos quem detém o conhecimento formal (médico) e quem está junto cotidianamente (marido), tem que estar muito a favor da amamentação, senão não rola mesmo. E se mesmo assim não rolar, pelo menos sabemos que não foi porque estávamos sozinhas e desamparadas, mas porque nem tudo na vida é do jeito que a gente sonha...

Embora eu ache que parir naturalmente e amamentar não caibam no escopo de sonho. É natural, poxa vida! É pedir muito que as coisas aconteçam como a natureza manda?! Por isso o parto que acaba tendo que virar cirurgia e a amamentação que acaba tendo que virar mamadeira me entristecem muito. E me entristecem mais os números alarmantes, pois esses casos deveriam ser exceção e não regra.

Só que nessa sociedade de cabeça pra baixo que a gente vive, tem mesmo que se esforçar para que as coisas aconteçam de forma simples e natural. Por isso quero contar a minha experiência com a amamentação, pensando que talvez seja útil a alguma mãe, pois tenho lido muitas coisas que me ajudam.

Pra começo de conversa, o Joaquim nasceu sugando loucamente e o formato do meu bico do seio foi elogiado pela pediatra :) Pontos pra natureza!

Fora isso, a única orientação que tive foi pra amamentar em livre demanda. Felizmente NINGUÉM falou aquelas bobagens de amamentar de X em X horas por Y tempo, etc. Ah sim, teve outra orientação, que foi pra alternar os peitos por mamada, ou seja, não importa quanto tempo ele fique num peito, deixa ele lá, aí na próxima mamada ele vai pro outro peito. No comecinho, como ele mamava MUITO era fácil lembrar qual era o lado da vez. Agora já preciso fazer algum esforço pra lembrar, mas também é só prestar um pouco de atenção pra ver qual lado está mais cheio.

A única e grande dificuldade que tive foi que lá pelo quarto dia os bicos pediram arrego! Pequenas rachaduras, dor, um pouco de sangue. Pouco, quase nada, mas suficiente pra me deixar em pânico! Lembre-se, quarto dia, a cabeça num turbilhão, o corte da cesariana doendo, o medo ainda presente e o pavor de um novo "fracasso".

Nesse momento a presença lúcida do marido foi crucial. Ao ver a minha cara de desespero (eu nem precisei, nem consegui falar nada), o Paulo Cesar começou a buscar informações na internet, achou uns vídeos, uns blogs, umas dicas e em uma madrugada grande parte do problema já tinha sido solucionada: a parte do medo do fracasso, a parte de se sentir sozinha e incapaz. Eu não estava sozinha, eu tinha um companheiro!

No nosso caso foi assim mesmo, em uma madrugada. Nem precisei ligar pra ninguém, mas sugiro que se tenha para quem ligar. E tem que ser rápido, muito rápido, porque mesmo que a dorzinha seja suportável e dê pra amamentar, em questão de horas ela pode ficar insuportável, aumentando o risco de ter que oferecer alimento de outra forma ao bebê, o que prejudica a amamentação.

No meu caso, do ponto de vista prático, prestei mais atenção na "pega", inclinando um pouco o bico do seio pra cima ao colocar na boca do bebê e trazendo a cabeça dele pra bem perto, afundando no peito sem dó, rs... ah, e antes do bebê mamar é bom fazer uma massagem no seio e na auréola, a fim de deixar o leite mais líquido e diminuir a força que o bebê faz pra sugar, porque quanto mais forte ele suga, mais dói se o bico está machucado.

Outra coisa que ajudou muito foi passar o próprio leite no bico e deixá-lo arejado, de preferência tomando um solzinho da manhã. Por essas e outras que é bom evitar visitas nos primeiros dias, assim a mãe pode fazer top less sossegada! A famosa pomada Lansinoh eu já estava usando desde o último mês de gravidez (1x/dia) e depois passei a usar depois de cada mamada e antes do banho. Acho que ajudou muito. Depois de três ou quatro semanas passei a usar só antes do banho ou quando surge alguma sensibilidade, mas é raro.

Com esses cuidados a integridade dos mamilos fica preservada e do ponto de vista físico não é pra ter maiores dificuldades, mas insisto: não espere para pedir ajuda no caso de qualquer desconforto.

Aí vem a parte mais difícil e é onde sei que muitas sucumbem: a disponibilidade. Para amamentar de forma exclusiva, o que é consenso quanto aos inúmeros benefícios para o desenvolvimento do bebê, é preciso esquecer todo o resto e estabelecer que a única prioridade é amamentar. Fora isso, o que vier é lucro! E até vem, viu? Pois quanto melhor o bebê mama, mais tranquilo ele fica e assim consegue conceder momentos de descanso para a mãe.

No primeiro mês o Joaquim mamou absurdamente, quase que full time! E o esperado é que seja assim mesmo, pois no útero os bebês tem oferta constante de alimento, portanto não sabem o que é fome e ao nascer esse é um dos piores sentimentos que eles experimentam, é o que mais os apavora, então eles requisitam o peito o tempo todo. Além disso, mamar é a melhor forma de pedir colo e tudo o que eles querem é ficar no colo, no aconchego, sentindo o calor e a pulsação do corpo da mãe, que aliviam a estranheza desse mundo hostil onde acabaram de chegar. Por isso digo que "mamar" é um verbo muito mais amplo do que "ingerir leite". Se o bebê está grudado no peito, é lá que ele quer estar, mesmo que não esteja mexendo a boquinha, mesmo que não esteja sugando, mesmo que esteja "fazendo a mãe de chupeta" (o que é um absurdo e não se diz a uma mãe! Experimente inverter, pensando que o bebê "faz a chupeta de mãe"... triste, né? Substituir o calor e aconchego materno por um objeto de borracha. Dar ou não chupeta é uma decisão pessoal, mas tenhamos em conta a escala de valores: primeiro mãe, depois chupeta!).

E se o bebê quer estar no peito, qual o motivo para não deixá-lo ali? Pra mim é totalmente inconcebível querer "educar" um bebê, para que ele saiba que existe hora pra comer, hora pra dormir e pra não sei mais o que. Pros bebês não existe hora, existem só seus impulsos vitais, que não tem outra pretensão senão a da sobrevivência, então negar qualquer coisa a um bebê significa ir contra seu instinto de sobrevivência. Comer quando se tem fome, dormir quando se tem sono. Aprendi isso nas lições zen budistas da minha mãe e ninguém melhor do que um bebê para nos lembrar desse caminho simples para a felicidade.

É fato que é preciso estar disposta a abrir mão da própria felicidade para garantir a do filho. E me desculpe quem pensa o contrário, mas tenho cá pra mim que quem não está disposta a fazer essa concessão, não está preparada para ser mãe. Nem sempre eu consigo comer quando tenho fome, nem dormir quando tenho sono... também não sou eu quem determina quando vou tomar banho. Mas ter um filho foi uma escolha que eu fiz, sabendo que teria que me doar por completo por algum tempo. Não sei por quanto tempo, mas sei que ficarei surpresa quando tiver minha liberdade de volta.

Além do mais, quem aí come quando tem fome e dorme quando tem sono? Frequentemente abrimos mão dos nossos quereres por motivos bem menos nobres, aí quando chega um filho, essa obra prima da natureza, esse pequeno ser que nos é tão caro, inventamos de achar que "precisamos impor limites", que "precisamos lembrar de nós mesmas". Alto lá! Vai impor limites pro seu chefe, não pro seu filho! Ainda mais se for um bebê de colo...

Sei que os buracos são muito mais embaixo, não quero ser preconceituosa, nem fazer julgamentos. Cada um sabe de si e o objetivo dos meus cutucões é apenas instigar que cada um possa procurar saber um pouquinho mais de si!


A imagem é do Blog do Cacá, que tem artigos ótimos sobre amamentação.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Os médicos e a verdade absoluta

Eita pessoal pra acreditar em verdade absoluta que são esses médicos! Principalmente, é claro, quando eles vem nos dizer o que fazer.

Desculpe se você é médico e não se identifica com isso... sei que não dá pra generalizar e tenho inclusive um exemplo de um médico que foge à regra. Esse médico é o Dr. Cacá, pediatra. Ele tem um blog bem bacana e nesse texto ele fala sobre a forma que ele trabalha, usando a ferramenta do aconselhamento, que é exatamente o contrário dos médicos que conheço, que já vem com verdades prontas e absolutas. Bem, infelizmente o Cacá não é o nosso médico... ele atende em São Paulo e nós moramos em Bragança...

Sendo assim, sou obrigada a desenvolver e aplicar sozinha meus instintos e sextos, sétimos e oitavos sentidos. Que bom, né? Se eu simplesmente acatasse tudo que os médicos falam, não teria essa oportunidade de crescimento!

E algo muito importante que me veio à mente esses dias é que quem conhece o bebê é quem passa mais tempo com ele. Esse ser que não fala se expressa de inúmeras formas, mas só quem está colado com ele consegue captar e decodificar esses sinais. Tenho ficado bem feliz com a minha interação com o Joaquim. Consigo diferenciar um choro de sono do choro de fome do choro de frio, percebo se ele está incomodado ou apenas entediado, identifico suas inseguranças, sei quando ele está se divertindo, vejo quando ele está tranquilo, enfim, tenho conseguido ler esses sinais.

E como eu sei que consigo? Porque atuo pra minimizar os ruins e ressaltar os bons e vejo o resultado, portanto, quem sabe o que é bom para o bebê é quem o conhece. Não é simples nem rápido, por isso que precisa passar bastante tempo com ele, ter paciência, testar e observar, repetir, mudar. Além disso, o que funcionou ontem pode não funcionar hoje. Tudo muda o tempo todo no mundo ;)

Aí vem o médico, que nem me conhece, muito menos ao meu bebê, e vomita um monte de "tem que ser assim" e, pior, "não pode fazer isso, não pode fazer aquilo". Por mim, tudo bem. Fora o tempo e o dinheiro da consulta ele não vai me causar maiores prejuízos, mas fico pensando nas mães inseguras, que sabem sim o que fazer, mas não contam com muito apoio, e de repente caem num consultório desse. Elas voltam pra casa achando que seu bebê tem um problema, achando que elas tem algum problema, quando o problema é unicamente um cidadão que não enxerga seus pacientes como seres humanos diversos e tenta aplicar a mesma regra a todos!

Eu já tinha sentido isso com outros médicos, mas com pediatra é mais forte, primeiro porque mexe com filho (ah, vem mexer com filho meu pra ver o rugido da onça!) e depois porque as orientações acabam entrando em aspectos educacionais, comportamentais, culturais, mas sem ter o cuidado de discutir e levar em consideração diferenças educacionais, comportamentais, culturais, filosóficas e cia. Eles receitam uma conduta como quem receita um remedinho pra dor! E o que me entristece é que muitas mães aceitam essas condutas como quem aceita um remedinho pra dor (o que também não deveria ser aceitado sem questionamentos, aliás... o que deve?).

No fim, tudo se resume a ampliar a consciência, a enxergar os bastidores, a mergulhar nas profundidades da alma (da própria, da do filho, da do marido, da do médico, rs...). Só assim encontraremos as nossas verdades.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Tocava Uakti, I Ching. Você parou de mamar e ficou me olhando. Seus olhinhos ficaram mareados e você fez aquela boquinha de choro sentido. Eu dei um sorriso e te disse que amor às vezes doi. Você sorriu de volta e eu entendi o que você estava sentindo, que era mais que amor. Era uma emoção muito forte pelo nosso reencontro. Nesse minuto de olhar profundo eu me lembrei mais uma vez (a primeira foi quando você ainda estava na barriga) que você é uma alma completa, antiga, com história, assim como eu. Somos iguais, só que você sabe disso, você lembra de tudo, só que está "preso" nesse corpo de bebê, que te dá um trabalhão danado. De vez em quando aparece uma brecha e de vez em quando essa brecha coincide com a minha atenção. Esses momentos são raros, preciosos e mágicos.

Que bom estarmos juntos de novo!

Tenho vontade de sair gritando isso pra todo mundo! Estamos juntos de novo!!!