domingo, 9 de julho de 2017

É só cansaço...

Um desânimo, uma falta de paciência, uma desesperança.

Uma falta de clareza, que resulta em atitudes equivocadas, que mais atrapalham do que ajudam.

O que está acontecendo?

Energias negativas, mau olhado, olho gordo, macumba

Ou será que estou deprimida? Pior: estou ficando louca?!

Nada disso. Cansaço. Simples assim.

Não vou te contar o que tem me deixado cansada. Porque não quero que meu cansaço seja colocado numa régua onde se mede e se legitima (ou não) todos os cansaços.

Cansaço é fisiológico e cada corpo tem sua fisiologia. Se digo que estou cansada é porque estou cansada, e pronto, isso basta. Não importa se corri uma maratona ou se dei uma volta no quarteirão caminhando. Não importa se você se cansa com uma maratona ou com uma volta no quarteirão caminhando.

Ah como as comparações e competições fazem mal pra gente... não tem como comparar coisas diferentes, não tem como igualar seres vivos, tão únicos em suas constituições! [acho que não tem como comparar nem rochas, seres "inanimados", e também únicos em suas constituições...].

Enfim, justifico assim meu cansaço. Dizendo que estou cansada.

Eu não preciso de ajuda espiritual; eu não preciso de feng shui; eu não preciso de terapia; eu não preciso de remédio.

Eu preciso dormir uma noite toda, eu preciso acordar com silêncio e tempo pra tomar um looooooongo café da manhã, eu preciso de sossego pra ler um livro e olhar a paisagem sem que ninguém me peça NADA. Eu preciso decidir - por mim - se fico em casa ou se saio, eu preciso escolher - por mim - minhas companhias ou se fico só. E não precisa ser tudo isso de uma vez, nem ser assim todo dia. É só cansaço! Eu não quero "mudar de vida". Eu só quero descansar. Um pouco. De vez em quando. E isso que listei aqui são apenas exemplos do que é descanso pra mim. Repito: pra mim. Repito: exemplos.

E repito tudo isso pra mim mesma, porque se tem alguém que compara cansaços, sou eu. Se tem alguém que legitima - ou não - o próprio cansaço, sou eu. E se tem alguém que acha que pra "resolver" a coisa precisa de atitudes radicais, também sou eu.

Mas estou aprendendo. Aprendendo a identificar quando é só cansaço e quando é outra coisa [e o que seria essa "outra coisa"? Pensando na minha vida identifico apenas duas situações: cansaço e tédio. Quando estou em desequilíbrio é ou porque me excedi, ou porque preciso de estímulos... enfim, outro assunto]. Estou aprendendo também a buscar descansos. Pontuais, possíveis, reais. Sentar pra escrever esse texto é um deles...

Agora que descansei - um pouco - vou lá colocar a roupa pra lavar! Ou não... ops, o nenê acordou!


domingo, 2 de abril de 2017

As necessidades de um bebê

Um bebê precisa de sossego.

Sossego é silêncio. O silêncio natural da casa, com seus ruídos costumeiros. Sossego é tempo. O tempo que levam suas experimentações. Respeitar esse tempo é deixar que a experimentação acabe em seu ciclo normal e é também não querer prolongá-la quando já não faz mais sentido.

Mas não pense que sossego seja isolamento! Sossego é também ter a segurança de que alguém está ali para o amparar. Sossego é saber que, por mais que seu corpinho em desenvolvimento não possa se locomover independentemente, há ali um corpo adulto que lhe empresta sua mobilidade.

Sossego também não é ausência de interação! Sossego é contar com o conforto de um corpo adulto que o embale, que o aqueça, que o faça sentir a pulsação da vida em pulmões e coração, como que dizendo "olha, é assim que se vive". Sossego é ter seus resmungos atendidos e seus sorrisos e olhares retribuídos.

Um bebê não precisa de estímulo. O mundo e seu próprio corpo já são estímulos suficientes! E extremamente cansativos... se você quiser proporcionar algo a um bebê, proporcione sossego.

Esse sossego atento, presente, prestativo, amoroso, humano.

quinta-feira, 2 de março de 2017

Fenômenos da maternagem

Esses dias comentei com duas amigas, mães amamentantes, como eu sinto um prazer quando o Jorge mama (!). Uma delas, também amamentando seu segundo filho, disse que também sente, e descreveu como uma euforia.

Com o Joaquim eu não senti assim. Era gostoso, era um momento de aconchego, era gratificante, mas fisicamente eu sentia uma leve dor do leite descendo. Nada muito forte, mas acho que essa dorzinha não deixava vir o prazer. Minha doula explicou que amamentar o segundo é mais tranquilo, porque os dutos já estão "amaciados" e aí dói menos, ou não dói. E acho que é exatamente isso que tá acontecendo comigo! Eu sinto o leite descendo, mas não dói. E aí vem um prazer físico mesmo, uma coisa muito doida. Na maioria das vezes é o mesmo prazer que tenho quando como um doce BEM gostoso. Sério!

Mas hoje aconteceu algo extraordinário! Um dia normal em casa, Jorge começa a mamar e sou surpreendida por uma sensação muito clara de algo que é uma das coisas que mais gosto na vida: secar ao sol depois de um banho de cachoeira. Sim, isso mesmo! O corpo formigando pela água fria, mas já se aquecendo com o sol e com o calor da pedra, e tudo isso amplificado pelo estado de êxtase de estar diante de uma queda d´água cristalina, num lugar semi deserto, com um céu azul brilhante enfeitado com poucas e pequenas nuvens. Fui lá pro rio Macaquinho, revivendo um dos melhores banhos de cachoeira que já tomei na vida!

Em fração de segundo. Fui e voltei. Voltei tão renovada quanto se tivesse de fato tomado o banho.

E ele lá mamando, sem saber de nada... ou sabendo de tudo! Claro que sim, sabendo de tudo!


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

vai passar...

Vai passar. Esse tem sido meu mantra desde as primeiras semanas de gravidez, quando comecei a passar mal. Vai passar.

E lá se foram 6 meses de enjoos mais 4 meses de azia! Sim, porque a gravidez durou 10 meses! E no final, aquele desconforto pra dormir, aquele peso, aquele cansaço e eu no meu mantra: vai passar.

E lá se foram 42 semanas de gestação!

Até que finalmente, quando eu já estava lançando mão de métodos caseiros de indução e considerando seriamente algo mais invasivo, começam as contrações. E logo ficam fortes. E dolorosas. E eu no meu mantra: vai passar.

E lá se foram 36 horas (!!!) de trabalho de parto. Com MUITA dor. Até que foi constatada uma DCP e partimos pra cesariana. Continuei no meu mantra: vai passar.

E lá se foi uma cirurgia demorada e complicada. E com isso precisei ficar um dia a mais no hospital, a médica queria que eu ficasse ainda outro, mas escolhi voltar pra casa e assim fui. Fraca, com anemia, com sonda, tomando injeção de antibiótico duas vezes por dia e continuando com o mantra: vai passar.

E de fato passou. No dia que tirei a sonda e os pontos - uma semana após a cirurgia - senti que renasci. Ainda fraca pela anemia, mas renascida.

Pois logo em seguida, TRÊS DIAS pra ser exata, fizemos nossa mudança. Pra casa nova, uma alegria, mas uma baita de uma mudança! Eu, claro, não carreguei um copo. Fisicamente a mudança não me exigiu em nada, mas tem todo um abalo né, as coisas ainda meio sem lugar... a personificação exata do meu estado emocional: tentando juntar os caquinhos e avaliando se vale a pena colar - como se tivesse escolha. Dessa vez com menos otimismo, mas ainda insistindo no mantra: vai passar. (menos otimismo porque a impressão é que as coisas NUNCA iriam se ajeitar, ao contrário das situações anteriores, onde dava pra vislumbrar algum prazo, por maior que fosse, por maiores que tenham sido).

E o nenê?! Claro, o nenê! Nasceu ótimo, passou as primeiras semanas sossegado como um anjinho, dormindo longas horas. Certamente ele sabia exatamente onde estava se metendo... mas assim que a poeira ameaçou baixar, Jorge ficou inquieto. Devem ser as tais das cólicas, que não tivemos com o Joaquim.

Então me vi com um nenê chorão, que não sossegava mamando, e tremi. Num ato reflexo, automático, ameacei pensar "vai passar". Mas trago comigo uma centelha de lucidez que gritou "OPA! Peraí! Vai passar O QUÊ?! Vai passar a sua vida. Vai passar a vida do seu filho!".

E aí me dei conta da grande armadilha desse mantra... porque o que passa é a vida, quer passemos por ela ou não.



PS - ainda não consegui escrever sobre o Jorge. Ele é tão lindo! Mas tenho que digerir algumas coisas sobre mim antes de chegar nele...